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Correio da Manhã

Desporto
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Portugal é excepção na monotonia dos cinco

Pela primeira vez em muitos, muitos anos (se é que alguma vez aconteceu), as cinco Ligas mais poderosas da Europa ameaçam repetir campeões em simultâneo. Cumprida a 1.º volta, os cinco campeonatos ‘nobres’ encontram-se praticamente decididos, tão grande e tão vincada tem sido a superioridade dos líderes – todos eles campeões na época passada.
20 de Janeiro de 2006 às 21:15
Portugal é excepção na monotonia dos cinco
Portugal é excepção na monotonia dos cinco FOTO: Benedetta Mascalchi/EPA
Repare-se: em Espanha, ao cabo de 19 jornadas, o Barcelona lidera com sete pontos de vantagem sobre o Osasuna, dez sobre o Valência e 13 sobre o Real Madrid. No plano teórico, ninguém discute a superioridade da ‘máquina’ catalã. Em França, o tetracampeão Lyon aponta baterias à Liga dos Campeões enquanto passeia rumo ao ‘penta’ – leva 14 pontos de avanço sobre o Bordéus.
Em Itália, a Juventus empatou a meio da semana, mas lidera com oito pontos de avanço sobre o Inter e dez sobre o Milan. A generalidade da crítica italiana considera a Juve inalcançável. Na Alemanha, cumprida metade da Bundesliga, o Bayern tem seis pontos de vantagem sobre o Hamburger e oito sobre o Bremen. Também aqui parece clara a supremacia dos bávaros.
Em Inglaterra, nem se discute: o Chelsea é intocável e avança para o ‘bi’ com uma campanha absolutamente arrasadora – 20 vitórias em 22 jogos, 16 pontos de avanço sobre o Manchester e 17 sobre o Liverpool, que se defrontam amanhã. Com o título praticamente assegurado, o Chelsea vai marcar presença numa elite especial. É que nos últimos 20 anos só houve nove equipas capazes de repetir títulos (pelo menos o ‘bi’) nas cinco Ligas mais importantes: Real Madrid e Barcelona; Marselha e Lyon; Milan e Juventus; Manchester United; Bayern e Dortmund.
Com a Europa dos grandes tão monótona e previsível, não deixa de ter piada a excepção da Liga portuguesa. Um ano depois do campeonato mais renhido (e mais fraco...) de sempre, que viu quatro equipas envolvidas na luta pelo título praticamente até à penúltima jornada, a situação não é tão excitante mas podia ser pior, tendo em conta o enorme bocejo que corre por essa Europa fora. Continua a não haver campeão ‘anunciado’, mas, pelo que se tem visto, o lote de candidatos baixou para metade: Porto e Benfica, separados por três pontos, prometem luta sem quartel; Braga, Sporting e Nacional parecem destinados a lutar pela terceira vaga na Champions. É o entretenimento possível.
RONALDO NÃO É FIGO
Não está fácil a vida para Cristiano Ronaldo, apesar da superprotecção de Alex Ferguson e Carlos Queiroz. O rapaz tem carradas de talento, mas falta-lhe o que sobrava a Figo quando tinha a idade dele: maturidade, esperteza e bom senso. Ultimamente, Ronaldo tem sido muitas vezes notícia por assuntos extrafutebol o que não é bom para ele em ano de Mundial. Ryan Giggs e o ‘mono’ van Nistelrooy fartam-se de o criticar (Roy Keane também não morria de amores por ele), e mesmo a crítica inglesa começa a sublinhar-lhe o excesso de individualismo e a falta de noção do colectivo, um valor sagrado no futebol britânico.
É claro que Ronaldo não tem o lugar em perigo no United – Ferguson jamais se permitiria vendê-lo – mas já vai sendo tempo de admitir que não fazia mal ao nosso Cristiano pedir uns quantos conselhos a Figo, que ele tanto respeita e admira. Porque só o talento não chega. É preciso cabeça. Juízo.
Manchester Utd-Liverpool
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