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Correio da Manhã

Desporto
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Portugal entre os melhores

A Liga dos Campeões começa hoje com a presença dos dois clubes portugueses com melhor currículo europeu, o Benfica e o FC Porto. O Benfica construiu a sua reputação nos anos sessenta quando a prova se chamava Taça dos Campeões: conquistou dois títulos em cinco finais e marcou uma era.
13 de Setembro de 2005 às 00:00
O FC Porto deu o último troféu da Liga dos Campeões a Portugal, na memorável final de Gelsenkirchen
O FC Porto deu o último troféu da Liga dos Campeões a Portugal, na memorável final de Gelsenkirchen FOTO: Oliver Multhaup (Epa)
O FC Porto é um dos poucos clubes que ganhou no modelo antigo (1987) e no modelo actual (2004), a selectiva e milionária Liga dos Campeões, cuja primeira edição aconteceu em 1993-94. ‘Águias’ e ‘dragões’, ambos bi-campeões europeus, entram em acção pouco depois de se terem comemorado 50 anos sobre o jogo de estreia da mais famosa competição interclubes do mundo, efeméride à qual estará sempre ligado... o Sporting. Lembre-se que a Taça dos Campeões deu o pontapé de saída em Lisboa, a 4 Setembro de 1955, no estádio do Jamor, com o embate entre o Sporting e o Partizan de Belgrado (3-3). O atacante leonino João Martins marcou, aos 14 minutos, o primeiro golo do jogo, ganhando com isso um lugar na história da Taça dos Campeões, cujo último capítulo, em Maio passado, Istambul, teve como protagonistas o Liverpool e o seu bravíssimo capitão, Steven Gerrard, o homem que espoletou a mais espectacular reviravolta (0-3 para 3-3 diante do Milan) de que há memória numa final.
Há 50 anos o Sporting nem era campeão nacional mas devido ao seu prestígio e palmarés – nessa altura muito superior ao do Benfica – foi um dos 16 clubes convidados pelo mentor da prova, o jornal parisiense ‘L’Equipe’, para integrar o primeiro lote de participantes. O Sporting perdeu o jogo da 2.ª mão em Belgrado por 5-2 e foi eliminado. O Real Madrid, treinado por Villalonga, ganharia a final (4-3 aos franceses do Stade de Reims) conquistando o primeiro de cinco títulos consecutivos.
O Sporting não tardaria a ver o vizinho e arqui-rival Benfica brilhar. Depois do Real Madrid, o Benfica de Eusébio & Coluna foi a segunda equipa a marcar uma era, marcando presença em cinco finais no espaço de oito anos (1961-1968) e arrebatando duas taças em finais inesquecíveis frente ao Barcelona (3-2 em Berna, 1961) e ao Real Madrid (5-3 em Amesterdão, 1962). Muito mais tarde, o FC Porto conseguiria a mesma proeza em Viena (2-1 ao Bayern, Maio de 1987) e em Gelsenkirchen (3-0 ao Mónaco, Maio de 2004), reforçando a posição de Portugal no historial da prova – somos o sexto país com mais títulos (4) e o quinto com mais finais disputadas (9).
A Taça dos Campeões inicial tem pouco a ver com o actual formato da prova – que é, na prática um mini-campeonato da Europa dos ‘cinco grandes’. Este ano, para não variar, mais uma vez o lote de favoritos provêm dos países habituais -- Chelsea, Manchester, Liverpool... Juventus, Milan, Inter... Barcelona, Real Madrid... Bayern... Lyon.
EUSÉBIO NO PÓDIO GOLEADOR
Em termos individuais, Eusébio ainda é o terceiro melhor marcador de sempre – 46 golos, somente atrás de Di Stefano e Raul – e Figo um dos futebolistas com mais jogos na competição (86); isto sem esquecer a proeza do médio Paulo Sousa, um dos poucos a sagrar-se campeão europeu em dois anos consecutivos ao serviço de clubes distintos (Juventus, 1996, e Dortmund, 1997), e as conquistas de Artur Jorge e José Mourinho, sendo este último, por este andar, candidato a desafiar o histórico recorde de Bob Paisley (Liverpool), único treinador tri-campeão europeu.
CINCO CLUBES LIDERAM
Ao cabo dos 50 primeiros anos de prova há cinco clubes/cinco supercampeões claramente destacados dos restantes. São eles: Real Madrid, Milan, Liverpool, Ajax e Bayern. Juntos conquistaram 28 títulos em 50 possíveis. E já que estamos em cima da efeméride não custa desenrolar um lustro de 50 jogadores campeões que, ao longo de cinco décadas, muito contribuíram para fortalecer a aura da competição.
Anos 60: Kopa, Di Stefano, Puskas, Gento, Eusébio, Coluna, Best, Law, Charlton, Mazzola e Rivera.
Anos 70: Cruyff, Krol, Neeskens, Haan, Keizer, Maier, Beckenbauer, Breitner, Gerd Muller, Clemence, Keegan, Dalglish e Alan Hansen.
Anos 80: Rush, Souness, Platini, Tardelli, Scirea, Baresi, Hagi, Van Basten, Gullit, Rijkaard, Ronald Koeman, Michael Laudrup e Stoichkov.
Anos 90/2000: Maldini, Del Piero, Blind, Seedorf, Zidane, Raul, Roberto Carlos, Figo, Keane, Giggs, Kahn, Shevchenko e Steven Gerrard.
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