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Correio da Manhã

Desporto
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Postiga de regresso ao lugar da felicidade

O campeão não joga muito mas vai marcando golos e ganhando jogos. Ontem bateu o Marítimo no Dragão por 3-0 com dois golos de Postiga e um de Lucho, de penálti, pelo meio. Vitória natural, mas uma equipa ainda em obras e com o treinador ainda a procurar as melhores opções. Uma já a definiu: Postiga é o ponta-de-lança.
15 de Outubro de 2006 às 00:00
Hélder Postiga sofreu a falta que permitiu a Lucho marcar o segundo golo portista de penálti
Hélder Postiga sofreu a falta que permitiu a Lucho marcar o segundo golo portista de penálti FOTO: João Abreu Miranda, Lusa
O FC Porto chegou ao intervalo a ganhar por 1-0, depois de longo domínio ou, melhor, comando do jogo, ganhando cantos mas não criando grandes oportunidades. Pouco organizado o seu 4x3x3, mas Lisandro a mostrar que é um avançado que merece espaço nesta equipa. Encontrar-lhe o lugar certo em campo, uma vez que o 9 é cada vez mais indiscutivelmente de Postiga, é o desafio de Jesualdo Ferreira.
O Marítimo defendia quase homem a homem. Fernando não largava Anderson, e os outros pares fundamentais eram Gregory-Postiga, André Barreto-Lucho e um dos laterais sobre Quaresma. Sobrava Lipatin na frente, com Marcinho quando podia e Neca quase nunca, já que jogava encostado ao lado direito. Marcações muito rígidas, sem dar um metro. Quando deram, Postiga marcou, num belo passe de Lisandro para Pepe aparecer nas costas dos laterais e cruzar atrasado para Postiga chutar de primeira e meter a bola junto ao poste.
A segunda parte foi diferente, porque o Marítimo veio melhor das cabinas com Wénio e Kanu em vez de Fernando e Briguel e esteve duas vezes perto de fazer golo ainda com 1-0. Depois, o penálti salvou o FC Porto, os jogadores do Marítimo contestaram a decisão mas dá toda a ideia de ter havido mesmo falta de Gregory sobre Postiga. Lucho marcou, o resultado ficou decidido.
Pouco antes do golo, Jesualdo trocara Lisandro por Paulo Assunção para tentar arrumar o meio-campo da equipa, que continua a dar muito espaço aos adversários. Mas não o conseguiu e pouco depois voltou à primeira forma – tirou Raul Meireles e colocou Bruno Moraes, que não alinhava em jogos oficiais há ano e meio. Já com ele em campo, o FC Porto marcaria ainda o terceiro num bom lance de entendimento entre Postiga e Anderson.
INCIDENTE COM BOSINGWA
A substituição de Bosingwa por Ricardo Costa ao intervalo ficou a dever-se, sabe o CM, a um incidente disciplinar. O lateral-direito terá protestado com algumas incidências do jogo e o técnico portista, Jesualdo Ferreira, não gostou do que ouviu e avançou para a substituição. Não passou despercebida uma longa conversa entre Jesualdo e Baía antes do início da segunda parte, em que Bosingwa deve ter sido o tema.
No entanto, após o desafio, Jesualdo Ferreira disse que foi outro tipo de problema que conduziu à substituição de Bosingwa: “Ele sentiu uma ligeira indisposição e foi substituído também por uma questão de gestão do plantel”.
POSITIVO: POSTIGA E ANDERSON
Postiga foi o homem da noite: marcou dois golos de ponta-de-lança e foi sobre ele cometido o penálti que permitiu à equipa sacudir um Marítimo numa altura (62’) em que os insulares estavam a criar dificuldades e o público já assobiava. Anderson foi outro dos jogadores importantes e teve pormenores de grande categoria enquanto Lisandro teve muito peso no jogo e no primeiro golo. No Marítimo, Marcinho, quando teve a bola, criou problemas.
NEGATIVO: DEFESA HOMEM A HOMEM
Jogando homem a homem, o Marítimo aguentou o FC Porto durante mais de meia hora. Mas depois teve dificuldades, como acontece sempre com essa táctica, em transformá-lo em jogo mais ofensivo. Teve 15 minutos bons depois do intervalo ao fazer duas substituições, mas esse período terminou com o 2-0, num penálti contestado mas em que Gregory não tem hipóteses de jogar a bola e derruba Postiga – esteve bem aí a equipa de arbitragem.
APONTAMENTOS
POSTIGA COM DORES
Postiga bisou após ter falhado o jogo da Selecção por lesão, mas garantiu que fez um jogo de sacrifício: “Estou felicíssimo, marcar golos dá confiança. Tinha um hematoma grande e ainda sinto dores, mas consegui superar.” O avançado também prestou homenagem ao seu antigo capitão Jorge Costa: “Queria mandar um grande abraço ao senhor Jorge Costa por tudo o que me ajudou.”
'BICHO’ HOMENAGEADO
Os adeptos portistas aproveitaram ontem o primeiro jogo no Dragão após Jorge Costa ter anunciado o abandono para homenagear o antigo capitão. “Jorge Costa, serás sempre uma bandeira do clube, pela tua carreira o nosso obrigado”, lia-se numa faixa da claque Colectivo 95.
FICHA DO JOGO
Local: Estádio do Dragão, no Porto (33.023 espectadores)
Árbitro: Bruno Paixão (Setúbal).
FC PORTO: Helton, Bosingwa (Ricardo Costa, 46m), Pepe, Bruno Alves, Ma rek Cech, Raul Meireles (Bruno Moraes, 76m), Lucho Gonzalez, Anderson, Ricardo Qu aresma, Hélder Postiga e Lisandro Lopez (Paulo Assunção, 60m). Treinador: Jesualdo Ferreira.
MARÍTIMO: Marcos, Zé Gomes, Gregory, Milton do Ó, Briguel (Kanu, 46m), Neca (Filipe Oliveira, 69m), André Barreto, Fernando Silva (Wénio, 46m), Evaldo, Marcinho e Lipatin. Treinador: Ulisses Morais.
Marcador: 1-0, por Hélder Postiga (34m); 2-0, Lucho Gonzalez (62m, gp); 3-0, Hélder Postiga (84m)
Acção disciplinar: cartões amarelos - Lisandro Lopez (09m), André Barreto (11m), Fernando Silva (14m), Milton do Ó (36m) e Bruno Alves (76m)
Melhor jogador: Postiga.
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