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Correio da Manhã

Desporto
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Pressenti que ia ser um grande salto

Desde pequeno que ele gostava de correr e de saltar.” A confissão de Élida Évora ao CM ajuda a explicar o salto para a vitória nos Mundiais de atletismo de Osaka (Japão) de Nélson Évora, o seu filho e o novo campeão do mundo do triplo salto.
29 de Agosto de 2007 às 00:00
Nélson Évora sagrou-se campeão do mundo com 17,74 metros
Nélson Évora sagrou-se campeão do mundo com 17,74 metros FOTO: Brian Snyder/Reuters
“Vimos a prova dele. Assistimos com muito orgulho, com muito prazer e a família ficou muito satisfeita pela vitória do Nélson”, revela a mãe do saltador português, que teve uma premonição no salto decisivo de 17,74 metros: “Tive o pressentimento de que ele ia fazer um grande salto.”
A visitar familiares na Holanda, os pais de Nélson Évora, oriundos de Cabo Verde, contaram, ontem, ao CM que o talento do filho foi detectado... no andar de cima, onde o seu actual treinador, João Ganço, morava. “O João Ganço era meu vizinho. Eu vivia no segundo andar e ele no terceiro. O Nélson costumava brincar com o filho dele, David, que tem a mesma idade e o treinador reparou que ele tinha muito jeito para o atletismo”, sublinha Élida Évora, que confessa ainda não ter falado com o filho: “Já tentei falar com ele muitas vezes, mas deve ser pela diferença horária que ainda não consegui conversar com o meu filho.”
A esperança numa medalha esteve sempre presente entre a família de Nélson, mesmo que a concorrência na final fosse elevada. “Pensámos sempre de forma positiva, pedindo a Deus que ele conseguisse ganhar”, frisa a mãe, apesar de não falar com o filho desde que o saltador do Benfica partiu para o país do sol nascente. “O Nélson estava ansioso para que chegasse o dia da prova. Ele sentia-se confiante e, felizmente, fez um grande salto”.
O título de campeão do mundo aos 23 anos significa uma maior responsabilidade para os Jogos Olímpicos de Pequim, no próximo ano, para os quais parte já como um dos candidatos. No entanto, Élida Évora prefere retirar qualquer pressão dos ombros do filho. “A vitória nos Mundiais dá-lhe mais confiança para os Jogos Olímpicos, mas, por enquanto, ele não definiu nenhum objectivo”, afirma.
A medalha de ouro de Nélson Évora promete ser recebida com entusiasmo e a mãe garante que haverá “uma grande festa”. “O Nélson é muito apegado à família, por isso esperamos que ele regresse para juntarmos toda a gente e dar-lhe os parabéns. Ainda não planeei a festa, só o farei quando ele chegar, mas será, com certeza, uma grande festa.”
APONTAMENTOS
ARNALDO ABRANTES
Arnaldo Abrantes despediu-se ontem dos Mundiais de Osaka com o quinto lugar nos quartos-de-final dos 200 metros, mas deixou uma boa imagem, ao conseguir mínimo olímpico e recorde nacional sub-23, com 20,82 segundos. “Quero mostrar que em Portugal também há bons velocistas”, disse.
JESSICA CORRE HOJE
Jessica Augusto entra hoje em acção nos Mundiais de Osaka, ao disputar às 12h05 a qualificação para a final dos 5000 metros. “Não me sinto com responsabilidades especiais, estou descontraída”, garantiu a atleta portuguesa, que se sagrou recentemente campeã nas Universíadas, na Tailândia.
NÉLSON DE FORA
Nélson Évora anunciou ontem que vai prescindir da prova do salto em comprimento, onde iria “simplesmente por prazer”. “Não tenho mazelas físicas, mas decidimos que o melhor era descansar agora um pouco”, afirmou o saltador.
OBIKWELU NAS MEIAS-FINAIS
Francis Obikwelu mostrou ontem ter já esquecido o erro na prova dos 100 metros, onde foi desclassificado por uma falsa partida, e garantiu um lugar nas meias-finais dos 200 metros, ao ficar em terceiro lugar numa das séries, com 20,38 segundos. “Sim, já esqueci [o falhanço nos 100m], agora é olhar em frente. Chegar à final é difícil, mas vou tentar”, afirmou o velocista português, que até abrandou o ritmo no final da corrida: “Não quis acelerar, o apuramento directo era o meu objectivo. Não era necessário mais.” O atleta do Sporting frisou que a prova “correu mesmo bem” e parte agora com ânimo renovado para as meias-finais dos 200m, que se disputam hoje às 14h20.
3 CENTRÍMETROS TIRAM MEDALHA A NAIDE GOMES
Naide Gomes ficou às portas do pódio na final do salto em comprimento, perdendo a medalha de prata na última série de saltos. A atleta portuguesa viu as russas Lyudmila Kolchanova (com 6,92 metros) e Tatyana Kotova (6,90m) superarem a sua marca no último ensaio, com a vitória a caber a Tatyana Lebedeva (7,03m). “Estive sempre constante nos saltos, mas não consegui responder na última série. Sinto-me um pouco triste”, disse Naide Gomes. A saltadora teve um excelente arranque, atingindo os 6,87 metros no primeiro salto, mas não foi capaz de superar a marca. “Lamento, mas não consegui dar uma medalha a Portugal”, confessou Naide Gomes.
DISCURSO DIRECTO
Estive sempre constante nos saltos. Sinto-me um pouco triste...
Naide Gomes, saltadora
Sim, já esqueci [o falhanço nos 100 metros], agora é olhar em frente.
Francis Obikwelu, velocista
As expectativas são elevadas, quero mostrar que em Portugal também há bons velocistas.
Arnaldo Abrantes, atleta
Não podia deitar-me muito tarde, para não incomodar o meu colega de quarto [Arnaldo Abrantes].
Nélson Évora, saltador
Acho que posso melhorar o recorde pessoal. Nada é impossível...
Jéssica Augusto, atleta
SALTO VARA F (Final)
1.º Yelena Isinbaeva (RUS) 4,80 m
2.º Katerina Badurova (CHE) 4,75 m
3.º Svetlana Feofanova (RUS) 4,75 m
COMPRIMENTO (Final)
1.º Tatyana Lebedeva (RUS) 7,03 m
2.º Lyudmila Kolchanova (RUS) 6,92 m
3.º Tatyana Kotova (RUS) 6,90 m
MEDALHAS (Ouro/Prata/Bronze/Total)
1.º EUA 3 / 2 / 3 / 8
2.º Rússia 3 / 2 / 2 / 7
3.º Quénia 3 / 1 / 3 / 7
7.º PORTUGAL 1 / 0 / 0 / 1
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