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Quarta acusação

O ex-presidente do Benfica João Vale e Azevedo voltou a ser acusado pelo Ministério Público por alegadas irregularidades cometidas durante o seu mandato, entre 1997 e 2000. Vale já cumpriu dois anos e meio de prisão por causa do ‘processo Ovchinnikov’ e esta é a quarta acusação de que é alvo por factos directamente relacionados com a gestão do clube.

24 de junho de 2007 às 00:00

Desta feita, o antigo líder máximo do Benfica foi acusado de seis crimes relacionados com a transferência dos jogadores Amaral, Scott Minto, Gary Charles e Tahar, nas quais se terá apropriado indevidamente de mais de quatro milhões de euros. João Vale e Azevedo é acusado de dois crimes de peculato, um de falsificação de documentos, dois de abuso de confiança e um de branqueamento de capitais, segundo adiantou à Agência Lusa fonte ligada ao processo, revelando que a nova acusação do Ministério Público foi proferida a meio da semana passada.

Vale e Azevedo ter-se-á apropriado indevidamente de verbas do Benfica na altura em que as contas do clube estavam penhoradas por causa de dívidas à administração fiscal. O antigo presidente utilizou durante esse período contas da sua empresa, a Vale e Azevedo e Associados, para movimentar dinheiros do clube, tanto para pagamentos como para créditos.

De acordo com a acusação do Ministério Público, terá sido nessas movimentações de dinheiros do Benfica através das contas da Vale e Azevedo e Associados que o antigo presidente se apropriou de quatro milhões de euros. O desvio de dinheiros terá ocorrido aquando da compra do lateral-esquerdo inglês Scott Minto ao Chelsea e nas vendas do médio brasileiro Amaral à Fiorentina; do lateral-direito inglês Gary Charles ao West Ham e do médio marroquino Tahar para o Southampton. Vale é suspeito de se apropriar indevidamente de uma verba de cerca de dois milhões de libras e outra de dois milhões de dólares, num total superior a quatro milhões de euros.

Este processo esteve em investigação no Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa e os factos remontam ao período 1999/2000.

Vale e Azevedo já foi condenado em primeira instância nos processos da transferência do guarda-redes russo Sergei Ovchinnikov, no âmbito do qual cumpriu mais de dois anos e meio de prisão; no caso Euroárea, relacionado com a venda de terrenos do clube e está a ser julgado juntamente com o ex-presidente do Vitória de Guimarães Pimenta Machado, no âmbito do caso relacionado com a transferência do jogador Fernando Meira, em 2000. Fora do âmbito desportivo, foi condenado no processo Dantas da Cunha, relacionado com a hipoteca de um imóvel na Praça do Areeiro.

Vale e Azevedo terá aproveitado uma compra (Scott Minto) e três vendas de jogadores (Amaral, Tahar e Charles) para se apropriar indevidamente de mais de quatro milhões de euros.

SCOTT MINTO

No Benfica entre 1997 e 1998. Saiu para o West Ham

AMARAL

No Benfica entre 1997 e 1998. Saiu para o Corinthians

TAHAR

Tahar

No Benfica entre 1996 e 1999. Saiu para a Fiorentina

GARY CHARLES

Gary Charles

No Benfica entre Janeiro e Outubro de 1999. Saiu para o West Ham

ANTUNES "MUITO SURPREENDIDO"

José Manuel Antunes foi vice-presidente do Benfica para as modalidades no mandato de Vale e Azevedo, entre 1997 e 2000.

Em declarações ao CM, o antigo dirigente confessa-se surpreendido com esta nova acusação: “Enquanto as contas estavam congeladas foram feitos movimentos através de duas contas da Vale e Azevedo e Associados. “Eu próprio paguei ordenados às modalidades com cheques dessa firma. Havia uma conta no Barclays e outra no BCP que estavam ao serviço do Benfica e eram movimentadas a partir da contabilidade do clube, por pessoas que ainda estão no Benfica e em quem eu confiava e esperava que fizessem o controlo para evitar irregularidades. Eu nunca me apercebi de nenhuma irregularidade e tenho ficado sempre muito surpreendido e desagradado cada vez que saem estas notícias”, afirmou, sublinhando: “Eu também fiz imensos empréstimos ao Benfica. O clube devia-me 200 mil euros e só o ano passado cheguei a um acordo com a Direcção de Luís Filipe Vieira. Recebi 87 mil euros”.

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