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Correio da Manhã

Desporto
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QUEIROZ JÁ CONSEGUE CONCILIAR AS ESTRELAS

Com a imprensa espanhola já a afinar em tom crítico e Vicente del Bosque confortavelmente instalado na bancada, Carlos Queiroz passou o primeiro grande teste frente aos adeptos do Real Madrid.
28 de Agosto de 2003 às 00:00
O argentino do Maiorca Ibazarra tenta passar por Zidane
O argentino do Maiorca Ibazarra tenta passar por Zidane FOTO: Pedro Armestre (AFP)
As estelas de branco foram alinhadas numa constelação harmoniosa, quando têm a bola, e mostraram vontade de trabalhar, quando a bola era jogada de forma rápida e incisiva pelos comandados de Jaime Pacheco.
O problema é que as vedetas não foram feitas para arregaçar as mangas e, por mais que corram atrás dos adversários, procuram sempre manter a elegância dos gestos e a alva cor das camisolas. Por isso, o melhor em campo acabou por ser... Casillas. O extraordinário guarda-redes do Real salvou a equipa em variadas ocasiões, com particular destaque para o minuto 23, da segunda parte, onde Casillas brilhou a negar dois golos em remates de Ibagaza e Perera.
Mas contemos a história do princípio: com Figo na esquerda, Beckham na direita, Cambiasso recuado e Zidane com a obrigação de aparecer nas costas dos avançados, o Real apresentou-se previsível para um Maiorca que já mostra a marca registada de Jaime Pacheco – capacidade de pressão, agressividade e disponibilidade fisica total para colocar, no mínimo, quatro peças no contra-ataque. E a primeira grande defesa coube a Casillas aos 23 minutos, num perigoso remate de Eto’o.
Este grito de eficácia do guarda-redes que já ameaça o patamar de “melhor do mundo” fez despertar a equipa. O futebol do Real apareceu, na segunda metade da primeira parte, menos telegrafado, previsível, lento. Figo participou na melhoria geral e passou a soltar-se mais das amarras tácticas, com deambulações pelo centro e meia direita. Remates de Ronaldo, aos 26 minutos, e de Roberto Carlos, aos 42, foram os principais pronúncios do momento mágico que os madrilenos produziram mesmo no fecho da primeira parte. A bola chegou perfeita a Zidane, aos 44 minutos, o remate parte forte, de fora da área, ligeiramente descaído para a esquerda. O guardião Leo Franco só consegue defesa incompleta, que Roberto Carlos aproveita para oferecer o golo a Raúl.
O REAL REAL
Com o intervalo atingido em vantagem tudo ficou mais fácil para a superequipa de Carlos Queiroz, na segunda metade.
Com breves dois minutos, já Zidane e Ronaldo tinham conseguido remates de quase-golo. O carrocel funcionava cada vez mais rápido entre os três magos do meio-campo e, aos sete minutos, Figo reencontra-se com a bola na zona central e assiste Ronaldo para a cara de Leo Franco – um toque para recepção, um toque para ‘sprint’, e um remate venenoso, rasteiro, na sombra dos rins do guardião. Golo, e mais um um abraço colectivo entre supercraques que Queiroz vai ter de gerir num partilha de bola e protagonismos.
Depois do dois a zero, o Real mostrou a sua outra face. A incapacidade de conquistar a bola a uma equipa que saiba o que faz, como é este Maiorca, esteve totalmente patente. Frente a adversários servidos por intérpretes de topo, vai ser muito complicado obter êxitos, com as pedras estendidas por mais de cinquenta metros, e o primeiro “blindado” a sair ao caminho da bola apenas um pouco à frente dos centrais. A grande questão para Carlos Queiroz vai ser: quem tirar da frente para que a equipa possa ganhar o equilíbrio que o realismo das vitórias exige?
Por agora a história teve um final feliz, graças ao mérito de Casillas, e até deu para aquele toque de conto de fadas com que Beckham selou uma exibição mediana – uma cabeçada, para o três a zero, magistralmente servido por Ronaldo. Beckham já factura em todos os sentidos mas Queiroz ainda não tem razões para sorrir.
FIGO ASSISTIU RONALDO
Cumpriu. Luís Figo fez o que lhe competia ao assistir o brasileiro Ronaldo, que concretizou o segundo golo do Real Madrid.
Uma excelente assistência do internacional português, que durante toda a partida esteve muito activo sempre que era solicitado.
Desta vez, Figo actuou no lado esquerdo do ataque madrileno, passando Beckham para o sector oposto, ocupado pelo português no encontro da primeira ‘mão’.
O número dez ‘merengue’ iniciou a partida algo discreto, mas à medida que o tempo ia passando foi assumindo maior protagonismo.
Nota-se ainda que Figo não se encontra na sua melhor forma física, mas a sua capacidade técnica e, acima de tudo, a certeza de passe compensaram essa ‘fraqueza’.
Acabou por ser substituído já nos minutos finais.
'DUELO' DE TREINADORES PORTUGUESES
"Realizámos uma exibição mais ou menos igual à da primeira mão, mas cometemos mais erros. O primeiro golo foi determinante. O Real Madrid aproveitou muito bem os nossos erros. O terceiro golo também foi muito consentido, numa falta ingénua. Contudo, é preciso não esquecer que houve um penálti não assinalado sobre Jesus Perera. Os erros da minha equipa e os do árbitro foram determinantes nesta derrota" Jaime Pacheco
"A equipa esteve muito bem organizada e equilibrada. Gostei muito do jogo. O Beckham esteve efectivamente muito bem. As pessoas têm de compreender que não é fácil a adaptação a um novo país, uma nova equipa e a um novo estilo de futebol. Aos poucos, o David está a ganhar confiança. Ele é um bom jogador e pode jogar ainda melhor do que hoje." Carlos Queiroz
PORTUGUESES GARANTIRAM O SEXTO TROFÉU
A vitória do Real Madrid sobre o Maiorca (3-0, com um total de 4-2 no conjunto das duas ‘mãos’) garantiu aos ‘merengues’ a sua sexta Supertaça espanhola na história do clube. Até ontem, o clube dos portugueses Carlos Queiroz (treinador principal), José Peseiro (técnico adjunto) e de Luís Figo, juntamente com o Barcelona, detinha cinco troféus, passando agora o clube madrilista para o ‘comando’.
Recorde-se que a última vitória do conjunto de Madrid datava da temporada 2000/2001 e foi sobre o Real Saragoça. Depois de um empate fora (1-1), o clube da capital espanhola venceu em casa (3-0), já com o português Luís Figo no plantel, depois de um Verão ‘escaldante’ que ficou marcado pela sua atribuladíssima saída da cidade Condal.
Já os catalães detêm cinco títulos, um dos quais na época de 1996/97, sobre o Atlético de Madrid, que contou ainda com a colaboração de Luís Figo, na altura o ‘príncipe’ da Catalunha.
Em terceiro lugar, surge o Deportivo da Corunha que também já escreveu, em três ocasiões, o seu nome na história da Supertaça de Espanha.
O clube do internacional português Jorge Andrade venceu em 1995, 2000 e 2002, sendo que nas duas últimas conquistas, o agora defesa central e ‘capitão’ do Benfica, Hélder Cristóvão também levantou a Taça.
Os restantes troféus ficaram na posse da Real Sociedade (os primeiros a vencerem a Supertaça, em 1982), Atlético de Madrid (1985), Maiorca (1998) e Valência (2002).
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