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Queiroz paga 40 mil euros

O Tribunal Cível de Oeiras sentenciou Carlos Queiroz ao pagamento de 56.250 dólares (40.129 euros, ao câmbio actual) ao empresário e agente FIFA português de origem iraquiana Salem Jawad, relativo à comissão ( dez por cento) do contrato celebrado com a Federação de Futebol dos Emirados Árabes Unidos, condenando ainda o actual seleccionador nacional como litigante de má-fé.
23 de Dezembro de 2008 às 00:30
O empresário e agente FIFA Salem Jawad e Carlos Queiroz foram ontem notificados pelo Tribunal Cível de Oeiras. Em cima, a sentença a que o Correio da Manhã teve acesso.
O empresário e agente FIFA Salem Jawad e Carlos Queiroz foram ontem notificados pelo Tribunal Cível de Oeiras. Em cima, a sentença a que o Correio da Manhã teve acesso. FOTO: Sérgio Lemos

Paula Albuquerque, juíza do contencioso, sublinhou, na sentença notificada pelo tribunal a 19 de Dezembro e a que o Correio da Manhã teve ontem acesso, que Carlos Queiroz não entregou a totalidade do valor do agenciamento.

Além desta verba, acrescida de juros de mora desde 7 de Outubro de 1999 até integral pagamento, Queiroz foi ainda indicado a pagar ao empresário uma indemnização "por danos morais causados com esta acção, em montante não inferior a 25 mil euros".

No entender da juíza, "as condutas do réu (Carlos Queiroz) afiguraram-se integradoras da litigância de má fé, expressa (...) na alteração da verdade dos factos e num uso (...) reprovável do processo, ao tentar impedir a descoberta da verdade".

Ao Correio da Manhã, Salem Jawad mostrou-se satisfeito com a decisão, aguardando pela liquidação da verba em causa. "Ou paga ou recorre. Senão terá a polícia à sua porta", disse determinado o empresário.

CONTENCIOSO COM INÍCIO A 24 DE MAIO DE 1998

O contrato entre Queiroz e a federação dos Emirados Árabes Unidos foi celebrado a 24 de Maio de 1998, ficando estabelecido entre o técnico e o agente FIFA o pagamento de uma comissão de 10 por cento sobre o valor anual dos salários.Em Agosto desse ano, Queiroz entregou a Jawad a verba correspondente à comissão do primeiro ano. Volvidos 13 meses, a federação dos EAU e Queiroz rescindiram, procedendo-se ao pagamento do acerto de contas através de um cheque de 402.338 dólares. Jawad nunca recebeu a parcela do último ano.

"PROFESSOR TENTOU ENGANAR O TRIBUNAL"

"O professor Carlos Queiroz devia ponderar bem qual o significado desta condenação, ainda para mais como litigante de má fé, pois foi clara a tentativa de enganar o tribunal", disse ontem ao Correio da Manhã António Pragal Colaço, advogado de Salem Jawad, salientando que "se fez justiça nove anos depois".

O causídico reconheceu ainda esperar que Queiroz "recorra da sentença", de um caso em que "ele, uma referência e um símbolo deste país, devia ter assumido as suas obrigações".

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