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Correio da Manhã

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Queremos ganhar ao Benfica

O treinador do Penafiel, Luís Castro, é novo e ambicioso. Não está intimidado com o jogo que vai opor a sua equipa ao Benfica e tem um desejo: “Fazer todos os possíveis para ganhar”. Sem pretender comentar as polémicas em torno da arbitragem, o técnico revela ainda a sua gratidão para com o presidente do clube, António Oliveira, a quem augura um futuro risonho no futebol.
7 de Maio de 2005 às 00:00
Queremos ganhar ao Benfica
Queremos ganhar ao Benfica
Correio da Manhã – O Penafiel-Benfica vai ser um jogo a feijões para o Penafiel?
Luís Castro – Para nós não há jogos a feijões. Queremos ganhar ao Benfica e vamos fazer tudo para o conseguir. Há princípios fundamentais de que nem eu nem os meus jogadores abdicamos.
– Que Benfica espera em Penafiel?
– O Benfica vai entrar a pressionar muito, vai tentar marcar um golo nos primeiros minutos de jogo. Aposto que vai jogar com dois avançados – Karadas e Mantorras – mas nós estamos preparados.
– Que resposta vão dar?
– Numa primeira fase vamos ser obrigados a jogar em contenção e numa segunda fase vamos tentar equilibrar o jogo. Já disse aos meus jogadores que o Benfica vai ter de abrandar em algum momento.
– Vão apostar em que ponto fraco do Benfica?
– O Benfica tem mostrado alguma intranquilidade. Penso que em determinadas fases dos jogos mostra alguma falta de coordenação em campo. Mas é claro que é uma grande equipa, treinada por uma grande figura do futebol mundial.
– As arbitragens estão a beneficiar o Benfica?
– Enquanto treinador, jamais poderia pensar isso. Tenho sim que me preocupar com a estratégia para o jogo, tentando anular os pontos fortes do adversário, nunca pensando que vou defrontar mais do que uma equipa.
– José Couceiro diz de que o ‘Apito Dourado’ tem levado os árbitros a prejudicar o FC Porto. Concorda?
– Penso que o erro é agora mais visível porque lhe damos uma outra atenção. Dantes, encarava-se o erro de uma maneira mais pacífica. Penso que tudo isso tem a ver com a actual convulsão na arbitragem, mas continuo a pensar que os árbitros erram como erram os treinadores ou os dirigentes.
– À semelhança do Estoril, também o Penafiel pensou jogar o jogo com o Benfica num recinto maior. Isso não prejudicaria o Penafiel?
– Vejo com naturalidade que os presidentes dos clubes pensem também nas componentes financeiras dos jogos. Até porque não sei se em determinadas circunstâncias, os campos pequenos são suficientemente seguros. Por outro lado, ainda recentemente ouvi defender que o jogo do Sporting na Holanda deveria ser noutro estádio que não o do Alkmaar, porque este só leva oito mil pessoas. Não estou a fazer uma crítica, estou apenas a fazer uma constatação. Mas, no nosso caso, tudo não passou de uma ideia e vamos jogar, com todo o gosto, na nossa casa.
– Quem vai ganhar o campeonato?
– O Sporting e o Braga têm um futebol mais espectacular, o Benfica é mais constante e o FC Porto tem vindo a melhorar. Mas é muito difícil dar um palpite. Veja o nosso exemplo: já ganhámos jogos complicados – Braga, Alvalade – e perdemos outros que eram mais acessíveis, casos do jogo com a Académica, em Coimbra, ou em nossa casa, com o Nacional e o Marítimo.
– Chegou a pensar que podia ir mais longe neste campeonato?
– No final da primeira volta cheguei a pensar que iríamos fazer um campeonato mais calmo. Ganhámos dez pontos seguidos e a equipa levava um bom balanço. Mas depois caímos um bocado.
– Que espera desta equipa para a próxima época?
– Somos um clube em afirmação. Continuamos a correr alguns riscos mas tentamos sempre fazer progredir o nosso futebol. Há clubes que podem ter estruturas mais ofensivas. Por enquanto o Penafiel é obrigado a ter uma estrutura mais defensiva.
– Conta com Clayton?
– É um jogador de quem gosto muito e já transmiti isso mesmo ao meu presidente. Gostaria de continuar a contar com ele.
– Tem mais um ano de contrato. Mas se surgir um convite admite rescindir?
– Penso cumprir o contrato. Eu sou grato. António Oliveira apostou em mim, sem nunca antes ter falado comigo ou conhecer-me pessoalmente. Ainda hoje não sei quem lhe deu as boas referências que ele disse que tinha a meu respeito. Confiou em mim e eu estou-lhe grato. Isso responde à pergunta.
"SOU MUITO, MUITO, MUITO AMBICIOSO"
– O que pensa que virá depois do Penafiel?
– O meu primeiro grande sonho foi atingido. Sempre acreditei que ia conseguir treinar uma equipa da SuperLiga e devo a António Oliveira essa oportunidade. Confesso que sonho muito alto e acredito que essa determinação e ambição podem levar-me a um patamar superior. Tenho uma enorme autoconfiança. Mas quando estou num clube não penso em mais nenhum outro.
– Se António Oliveira chegar à presidência do FC Porto pensa que poderá chegar a um ‘grande’?
– Como lhe disse, sou muito, muito, muito ambicioso. Mas se um dia chegar mais longe, que seja pelo meu trabalho. Se for no FC Porto ou no Benfica, que seja. Mas também pode ser noutro clube qualquer. A seu tempo se verá e para António Oliveira não há afilhados, há apenas competência ou falta dela. Neste momento apenas me interessa o Penafiel.
"VEJO ANTÓNIO OLIVEIRA EM GRANDES CARGOS"
– Vé António Oliveira na presidência do FC Porto?
– Quero o melhor para o meu presidente e se o melhor para ele for o cargo de presidente do FC Porto pois que o consiga.
– Também há quem fale no nome dele para presidir à Liga de Clubes. Qual dos dois lugares combina melhor com o que conhece dele?
– Eu gostaria mais de o ver na liderança de um clube. Mas seja qual for o cargo, reconheço nele um grande gestor. E vejo António Oliveira em grandes cargos. Mas sem querer falar por ele posso dizer que ele só fará o que lhe der prazer. António Oliveira não faz fretes.
– É difícil trabalhar com um presidente que já foi jogador e treinador?
– É muito fácil, precisamente por isso. Tendo sendo treinador ele sabe melhor do que ninguém colocar-se no meu lugar. António Oliveira não interfere de maneira alguma no trabalho técnico do treinador. Posso dizer que nunca abordámos áreas técnicas.
– O facto de ele ser uma figura polémica do futebol português é bom ou mau para o clube?
– Penso que o clube só tem a ganhar. Numa ou noutra altura pode acontecer o contrário mas nunca de uma maneira relevante. O clube é dirigido por um presidente competente, não há salários em atraso e o ambiente é óptimo.
– Qual é o peso da palavra dele na construção do plantel?
– Claro que o planeamento tem de se feito com o presidente. Mas António Oliveira é absolutamente respeitador da minha área e nem eu aceitaria que fosse de outra maneira. Como lhe disse, o facto de ter sido treinador ajuda-o a perceber quem tem essas funções.
PERFIL
Luís Castro nasceu a 3 de Setembro de 1961, em Vila Real de Trás-os-Montes. Casado, com duas filhas começa a carreira como futebolista aos 15 anos e, aos trinta e seis, inicia-se como treinador. Nesta função consegue duas subidas de divisão, a primeira em Estarreja – da III Divisão para a II – e, mais tarde, em Águeda, também nos mesmos escalões. Desperta a atenção de António Oliveira no início da época, era então treinador da Sanjoanense, o clube de São João da Madeira. Cumpriu esta época o sonho de treinar o escalão principal do futebol português.
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