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Correio da Manhã

Desporto

Reabertura de mercado

Raros são os clubes que chegam a Janeiro e não recorrem ao chamado mercado de Inverno para fazer algumas rectificações nos seus respectivos plantéis. Este segundo período de inscrição entrou oficialmente em vigor em 2000/01, com a publicação do Regulamento de Transferências da FIFA. Até então, havia um único período de inscrição, que ia do início da época e que encerrava a 31 de Dezembro.
31 de Dezembro de 2005 às 00:00
Visto, muitas vezes, como um mercado de segundas escolhas, a verdade é que apesar de as inscrições só abrirem amanhã, a última semana tem sido prolífica em negócios e as próximas prometem ainda mais novidades. Contudo, nenhum técnico planeia uma época desportiva tendo em mente voltar a mexer na equipa. Mas com a possibilidade de um segundo período de transferências, as lacunas verificadas até Janeiro podem ser facilmente reparadas.
Benfica, FC Porto e Sporting, que nos últimos cinco anos têm aproveitado este período para alterações no plantel, já garantiram reforços e há mesmo uma acesa disputa entre ‘águias’ e ‘dragões’ pela aquisição de um dos jogadores que mais se notabilizou nestas primeiras 16 jornadas do campeonato: Marcelo Moretto, guarda-redes do V. Setúbal. Foi oferecido ao FC Porto pelo seu empresário, mas as negociações entre o Benfica e o clube sadino estão muito avançadas e a verdade é que o jogador não esconde a sua vontade de rumar à Luz.
Mas não são apenas os ‘grandes’ que ‘compram’ neste mercado. Os clubes mais pequenos também estão em movimentações e algumas equipas já fizeram mesmo as suas contratações. O mercado interno e o Brasil continuam a ser as grandes apostas dos ‘pequenos’. O Marítimo, a equipa mais brasileira do campeonato, já reforçou este estatuto com a contratação do avançado Zé Carlos. Penafiel e U. Leiria também foram à terra de Vera Cruz buscar reforços para a segunda metade da Liga.
Curioso é que mesmo os clubes que mostraram grandes dificuldades financeiras estão à procura de reforços no mercado de Inverno. Veja-se o caso do V. Setúbal, cujos problemas para pagar ordenados provocaram várias rescisões, mas que vai colmatar a saída de Moretto com a aquisição de dois guarda-redes.
Mas no meio de tanto negócio, há ainda alguns clubes que optaram por não contratar qualquer jogador neste mercado de Inverno. Manuel Machado, técnico do Nacional, uma das equipas-sensação da presente Liga, já garantiu que não conta com caras novas em Janeiro.
"COMPRAR SÓ POR COMPRAR É UM ERRO" (Manuel Cajuda, Técnico de futebol)
Correio da Manhã – Qual é a principal vantagem de existir um segundo período de inscrições?
Manuel Cajuda – Vejo apenas como vantagem o simples facto de se poder corrigir alguns detalhes relativamente ao planeamento inicial da época. Quando se planeia uma temporada futebolística nem sempre pensamos em todos os imprevistos ou por vezes o que consideramos ser uma aposta certa não resulta de forma satisfatória. Há jogadores que atingem os objectivos traçados e outros não. O mercado de Inverno é uma oportunidade de corrigir essas lacunas.
– E as principais desvantagens?
– As desvantagens existem sobretudos nas equipas de menor capacidade financeira que tiveram alguma visibilidade na primeira parte do campeonato. Estes clubes vêem regularmente os seus plantéis reduzidos em termos de qualidade em Janeiro, perdendo um ou mais jogadores para os chamados ‘grandes’.
– Há quem diga que se trata de um mercado de segundas escolhas, de contratações de recurso?
– Se assim for, é um erro sobre outro. Nesta altura devem apenas ser contratados atletas que sejam mais-valias. Comprar só por comprar é um erro. Daí que considere mais difícil contratar em Janeiro. Os bons jogadores estão todos colocados. Fazer um bom negócio obriga a um maior investimento ou então pescar no mercado estrangeiro. E nesse caso terá sempre de haver um período de adaptação.
FC PORTO
A grande lacuna no plantel portista está nas laterais. Do lado esquerdo Cech não tem vingado e César Peixoto está a ser uma adaptação irregular. No outro flanco, Bosingwa e Ricardo Costa, ambos adaptados, e Sonkaya também não convenceram Adriaanse.
ANDERSON CHEGA EM JANEIRO
O FC Porto não tem urgência em reforçar a equipa. Ainda assim, em Janeiro chega ao Dragão o menino-prodígio Anderson, que depois de ter sido contratado no início da época, esteve emprestado ao Grémio. De resto, os ‘dragões’ estão atentos a possíveis bons negócios e poderão tentar reforçar os seus flancos. Isto porque nem as adaptações (César Peixoto, Bosingwa e Ricardo Costa), nem os laterais de raiz (Cech e Sonkaya) convenceram Adriaanse. É neste cenário que a aquisição de Miguelito poderá concretizar-se.
BENFICA
A grande lacuna no plantel portista está nas laterais. Do lado esquerdo Cech não tem vingado e César Peixoto está a ser uma adaptação irregular. No outro flanco, Bosingwa e Ricardo Costa, ambos adaptados, e Sonkaya também não convenceram Adriaanse.
MANDUCA E FONTE GARANTIDOS
Manduca é o primeiro reforço de Inverno do Benfica (Fonte também foi contratado agora mas vai rodar por empréstimo até ao final da época). Com a chegada do extremo brasileiro, Koeman vê preenchida uma das principais lacunas na sua equipa, embora ainda aguarde por um guarda-redes, mais um extremo e um ponta-de-lança. De Setúbal, e apesar das intromissões no FC Porto, deverá vir Moretto, pelo que faltam conhecer dois nomes. À falta de uma contratação para a frente de ataque, Karadas poderá ser uma alternativa.
SPORTING
Os ‘leões’ já garantiram um lateral-direito (Abel), um central (Caneira) e um médio, embora Romagnoli não seja o ‘polivalente’ que se desejava em Alvalade. Assim, o Sporting vai agora dar prioridade à contratação de um homem para reforçar o ataque.
'PIPI', ABEL E CANEIRA CERTOS
Sem dinheiro para embarcar em grandes contratações, o Sporting está no mercado à procura de negócios bons e baratos. Foi nesta lógica que Abel e Romagnoli (conhecido por ‘Pipi’), ambos emprestados, chegam a Alvalade. O primeiro colmata a saída de Rogério e Romagnoli, não sendo o médio polivalente que os dirigentes pretendiam, dá mais opções a Paulo Bento no meio-campo. A contratação de Caneira ficou resolvida ontem à noite pelo que a principal prioridade da SAD ‘verde-e-branca’ será agora garantir um avançado.
VITÓRIA DE SETÚBAL
'PESCAR' NO ESTRANGEIRO
Nem sempre há dinheiro, mas quando abre o mercado raros são os que não vão à pesca. O V. Setúbal que até bem pouco tempo esteve em trisco de acabar por não pagar ordenados aos seus jogadores quer contratar dois guarda-redes.
Outros há que tendo a liquidez necessária, aproveitam para fazer ajustes nos respectivos planteis. Em Braga foi-se Maxi Bevacqua e chegou o gigante sul-coreano Kim Dong-Hyun. Referência ainda para o Estrela que continua a apostar no mercado sul-americano, tendo contratado o chileno Ubeda.
CLUBES INGLESES DOMINAM NEGÓCIOS NO VELHO CONTINENTE
O centro nevrálgico do mercado de transferências internacional está localizado em Inglaterra. Qualquer emblema britânico, mesmo do meio da tabela, como o West Ham ou o Newcastle, pode dar-se ao luxo de gastar 6 ou 7 milhões de euros, números impraticáveis no resto da Europa.
Aliás, os grandes negócios efectuados até ao momento foram fechados em Inglaterra. Veja-se o caso do Chelsea, de José Mourinho, que vai desembolsar 8 milhões de euros para contratar Maniche ao Dínamo. A Rússia é outro país onde há dinheiro em abundância para contratações. No entanto, embora seja bom negócio para os clubes, não é um país que conste do ‘top’ dos destinos mais apelativos para os jogadores.
Em Espanha, enquanto o Real Madrid recebeu Cicinho, contratado em Julho – mas que esteve emprestado ao São Paulo até ao início deste mês –, será preciso registar a contratação de Marco Ferreira pelo At. Madrid. Depois de uma passagem pouco conseguida pelo FC Porto, o extremo ‘penou’ no V. Guimarães e Penafiel mas conseguiu ingressar pela porta grande num dos melhores campeonatos do mundo.
Finalmente, os clubes franceses parecem ter redescoberto o mercado luso. César Peixoto é desejado em terras gaulesas e poderá juntar-se a Pauleta, Tiago e Postiga.
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