Barra Cofina

Correio da Manhã

Desporto
6

RECUSEI ARBITRAR A FINAL DA TAÇA

Isidoro Rodrigues despediu-se da arbitragem e faz um balanço positivo dos 20 anos, numa altura em que ainda se fala da polémica da final da Taça.
19 de Junho de 2003 às 00:00
Correio da Manhã – Agora que deixou a arbitragem, que balanço é que faz da sua carreira?
Isidoro Rodrigues – O balanço que faço é altamente positivo. Estive 20 anos ligado à arbitragem, tive momentos muito bons, momentos muito difíceis, momentos onde eu senti que realmente ajudei muito a credibilizar o sector, onde deixei uma mensagem de verdade, de confiança e, quem me conhece, sabe que sempre defendi a discrição e a humildade. Transportei para o sector aquilo de que ele precisa: dignidade e credibilidade.
– Qual é a sua opinião sobre a situação actual da arbitragem?
– Neste momento, temos uma estrutura que não permite aos dirigentes da arbitragem fazer aquilo que seria importante para um desenvolvimento mais capaz. Temos árbitros de muito boa qualidade, jovens, mas com muita classe. É pena que a estrutura em si não lhes permita desenvolver as suas capacidades em toda a sua plenitude. Há que pensar um bocadinho em todo esse modelo, no que importa para o futebol português e acho que iria ganhar a arbitragem, o futebol e o espectáculo em geral.
– Guilherme Aguiar, ex-director executivo da Liga, referiu no debate CM/RR que lhe tinha sido prometido apitar a final da Taça de Portugal, ‘caso não partisse a loiça’ a propósito dos relatórios de jogo. É verdade?
– Não. Eu conheço o José Guilherme Aguiar há muito tempo e tenho uma óptima relação com ele e eu nunca na minha vida aceitaria uma proposta dessa natureza. E a prova mais evidente que eu pude dar foi quando recusei arbitrar a Taça de Portugal, quando fui nomeado. Mas não tem nada a ver com esse facto. Já há muito tempo que mo tinham dito que pelo mérito, pela credibilidade e por tudo aquilo que transportei para o sector merecia estar na final da taça. Respeitei essa opinião, mas aquilo não me disse muito.
– Por que recusou uma despedida em grande no Jamor?
– Tinha traçado um patamar para mim, queria ficar num lugar que honrasse quem nomeia e dignificasse quem ia dirigir esse jogo. Disse a algumas pessoas que se os observadores não me classificassem dentro desse patamar eu não iria fazer a final da taça. Se fosse presidente do conselho de arbitragem, nunca nomearia um árbitro cuja época, segundo quem o classificou, entendeu não ser a mais adequada. Os observadores entenderam que a minha prestação, nesta época, ficou aquém das minhas possibilidades. Provavelmente terei perdido capacidades, perdi qualidades. Terei que aceitar isso, com respeito por todos, mas não posso, de maneira nenhuma, dizer que faria a final da taça e estar num lugar que não traria qualquer espécie de dignidade ao sector.
– Pensa manter-se ligado ao futebol? Pretende dedicar-se mais à música, ou o disco que gravou foi um projecto isolado?
– Tenho 20 anos de arbitragem e tirei muitos cursos em diversas áreas do futebol, mas só permanecerei na área enquanto puder trazer mais-valias. No que concerne à música, o CD que gravei foi feito um pouco em cima do joelho, mas não é para parar, porque já estou a preparar outro para o final do ano. O primeiro serviu para mostrar a minha veia poética. Agora estamos a trabalhar de uma forma diferente para lançar um disco de melhor qualidade.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)