Barra Cofina

Correio da Manhã

Desporto
3

REVELA UMA GRANDE FALTA DE PROFISSIONALISMO

O Maratona CP vai instaurar um processo sumaríssimo à sua atleta Marina Bastos, que, no passado domingo, terminou o campeonato nacional de estrada – disputado na Meia-maratona Ribeirinha da Moita – na segunda posição depois de ter cortado a meta de mãos dadas com uma adversária, Inês Monteiro (JOMA), abdicando de discutir o título individual.
4 de Novembro de 2003 às 00:00
Com efeito, apesar do triunfo colectivo conseguido pelo Maratona CP, o mal-estar instalou-se no seio da equipa, quando um acordo entre as duas atletas as fez terminar de mãos dadas, dividindo posteriormente o prémio obtido (900 euros para a primeira e 350 euros pelo recorde do percurso). As companheiras de equipa do Maratona não gostaram da atitude de Marina Bastos e os espectadores certamente prefeririam assistir a um vigoroso ‘sprint’ do que a esta demonstração de amizade... A verdade desportiva acabou por ser deturpada e um título de campeã nacional dado de bandeja. Uma bandeja de ‘negociatas’ entre atletas que em nada abona em prol da modalidade e acaba por afastar os já poucos e raros patrocinadores.
Carlos Móia, presidente do Maratona CP, não escondeu a sua insatisfação com a atitude da pupila, acusando-a de falta de brio profissional. “O que se passou na Moita é incrível e revela a falta de profissionalismo que grassa no espírito de alguns dos atletas portugueses. É óbvio que vamos tomar medidas, nomeadamente a instauração de um processo disciplinar sumaríssimo”, revelou o presidente do clube. Embora o facto de atletas cruzarem a meta de mão dadas não seja novidade – quem não se lembra dos Gémeos Castros –, pois até Marina Bastos o fez por diversas vezes com Helena Sampaio, mas a verdade é que tratava-se de atletas da mesma equipa e o clube asseguraria sempre o título individual e ou colectivo, o que não se verificou no domingo. Marina Bastos no final da prova ainda mostrou algum arrependimento quando referiu: “Combinámos ir juntas até ao fim, tanto podia ganhar eu como ela, por isso fizemos este acordo, se bem que, pensando melhor, se calhar tinha dado para vencer, mas...”
Por seu turno, Inês Monteiro defendeu que “a amizade deve permanecer acima de tudo”. Amizade ou ‘negócio’, a verdade é que quem ficou a perder foi o Maratona, os seus patrocinadores e, claro, o público que se deslocou à Moita e assistiu ao desfecho de um campeonato nacional ‘arranjado’.
Ver comentários