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Correio da Manhã

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Roland Garros: Clijsters desperdiça match-points e diz adeus à Cidade Luz

O vento soprou forte esta quinta-feira em Paris. Mas, se por um lado afastou dos céus as nuvens que amanhã prometem descarregar alguma chuva sobre a capital francesa, levou também consigo alguns nomes de quem se esperava um pouco mais em Roland Garros.
26 de Maio de 2011 às 19:00
Kim Clijsters foi a primeira grande favorita a ser eliminada na competição individual feminina
Kim Clijsters foi a primeira grande favorita a ser eliminada na competição individual feminina FOTO: Hans Deryk/Reuters

Kim Clijsters foi a primeira grande favorita a ser eliminada na competição individual feminina, ao passo que Frederico Silva não passou da jornada inaugural da fase de qualificação da prova juvenil.

Kim Clijsters chegou com enormes cautelas à 110ª edição de Roland Garros - um dos dois torneios do Grand Slam, a par de Wimbledon, que ainda não consta do seu palmarés individual - e com razão.

Afinal, a lesão contraída num tornozelo, enquanto dançava descalça no casamento de um primo - sem esquecer as mazelas no ombro e pulso -, fez com que o seu último torneio jogado, antes de Roland Garros, fosse o de Miami. Ou seja, há cerca de dois meses.

Embalada pela vitória tranquila na primeira ronda sobre a bielorussa Anastasiya Yakimova, a belga segunda cabeça-de-série entrou dominante no seu duelo frente a Arantxa Rus e esteve mesmo por duas vezes a um ponto de fechar a contenda. A vantagem confortável, todavia, virou-se contra si mesma. "Comecei a duvidar de mim mesma, a pior atitude que possa ter, especialmente quando jogo em terra batida.

Naturalmente que ela se apercebeu e começou a ganhar confiança e, a partir daí, fiquei sempre de pé atrás e jamais conseguir impor o meu jogo atacante no terceiro set", explicou. Para trás, deixaria uma vantagem de 6-3 no set inaugural, e os tais pontos de encontros desperdiçados a 5-2 e 5-4 da segunda partida.

A opositora holandesa, porém, muito mérito se deve atribuir também, pois conseguiu colocar a pressão necessária sobre Clijsters, utilizando todos os seus recursos de esquerdina para derrotar a campeã em título do Open dos Estados Unidos e Open da Austrália. O resultado final ficou registado ao cabo de 2h02m com os parciais de 3-6, 7-5 e 6-1.

"Com certeza esta é até hoje a minha maior vitória, ainda para mais por se tratar da Kim Clijsters, jogadora que sempre foi um modelo para mim e que toda a vida me lembro de ver jogar", destacou a esquerdina Rus de 20 anos, que agora vai defrontar a russa Maria Kirilenko, a campeã do Estoril Open de 2008, esta quinta-feira vencedora sobre a sul-africana Chanelle Scheepers por 6-1 e 6-4.

Quem também esteve com um pé fora de Roland Garros foi Maria Sharapova, mas logrou recuperar a tempo. Frente à jovem francesa de 17 anos, Caroline Garcia, a tenista russa esteve a perder por 3-6 e 1-4, mas logrou a reviravolta no marcador - 3-6, 6-4 e 6-0 -, somando dessa forma o seu 11º triunfo individual consecutivo (conquistando pelo meio o título em Roma), num encontro que despertou enorme curiosidade nos bastidores do Grand Slam francês.

Andy Murray, ainda a recuperar da sua vitória sobre Simone Bolelli por 7-6, 6-4 e 7-5, escreveu na sua conta de Twitter que Caroline Garcia será no futuro número um mundial - um elogio que deixou a tenista gaulesa ligeiramente envergonhada durante a sua conferência de imprensa, na qual confirmou que irá ainda jogar o torneio júnior de Roland Garros, disposta a sair campeã do mesmo.

Algo que poderia servir de exemplo a muitas outras jogadoras, como é o caso de Michelle Larcher de Brito (que este ano ainda poderia actuar no quadro juvenil, mas voltou a optar por não o fazer, depois de abandonar o qualifying sénior na primeira ronda em lágrimas).

Na mesma metade inferior do quadro individual feminino, continuará também em prova Andrea Petkovic. A tenista alemã que se tornou famosa, não só pelos resultados em court, como pelas danças originais aquando dos seus triunfos, levou hoje a melhor sobre Lucie Hradecka por 7-6(2) e 6-2, fazendo a festa no court 2 de Roland Garros.

"Tinha decidido parar de dançar mas depois de ter perdido duas vezes na segunda ronda pensei que alguma coisa tinha de mudar. Então, aproveitando o facto de estarmos a jogar sobre terra batida, ensaiei o 'moonwalk' e pareceu-me indicado para esta superfície", explicou a germânica, lembrando o título ganho recentemente em Estrasburgo, já sob influência do legado de Michael Jackson.

NADAL VENCE EM TRÊS SETS

Ao contrário das senhoras, o quadro masculino - em vésperas do aguardado embate entre Novak Djokovic e Juan Martin del Potro - decorreu sem sobressaltos à quinta jornada de Roland Garros, excepção feita, porventura, à derrota de Nikolay Davydenko frente a Antonio Veic pelos parciais de 3-6, 6-2, 7-5, 3-6 e 6-1 - sendo o croata o próximo adversário de Rafael Nadal.

Depois do "susto" vivido na primeira ronda, Rafael Nadal regressou à Porte d'Auteuil, desta feita para triunfar em apenas três sets. O resultado final, no entanto, é bem esclarecedor de algumas dificuldades encontradas novamente pelo número um mundial frente ao compatriota Pablo Andujar.

Pelos parciais de 7-5, 6-3 e 7-6(4), o penta campeão de Roland Garros saiu vencedor, mas precisou de 3h18m para aceder à terceira ronda. Na terceira partida, logrou recuperar de uma desvantagem de 1-5, salvando um total de oito pontos de set.

Menos "suados" foram os triunfos dos também favoritos Robin Soderling e Andy Murray, com o sueco a bater Albert Ramos por 6-3, 6-4 e 6-4, ao passo que o escocês número quatro mundial levou a melhor sobre o italiano Simone Bolelli pelos parciais de 7-6(3), 6-4 e 7-5.

FREDERICO SILVA CHEGA, JOGA E PERDE

Ao cabo de cinco dias colocou-se um ponto final na participação portuguesa em Roland Garros, pelo menos no que respeita ao ténis jogado - pois Carlos Ramos e Mariana Alves continuam a ser dignos representantes lusitanos na segunda etapa do Grand Slam de 2011.

Frederico Silva foi esta quinta-feira eliminado na primeira ronda da fase de qualificação do torneio júnior, contribuindo para que o saldo desportivo desta temporada ficasse longe do satisfatório para as cores lusas - apesar do lucro monetário garantido por Frederico Gil (18.750 euros) e Rui Machado (15.000 euros).

Com 16 anos, Frederico Silva assinou esta temporada a sua estreia em provas juvenis do Grand Slam, mas esteve muito longe do seu melhor esta manhã no Clube de Ténis Montrouge, onde se discute o qualifying júnior. Não conseguindo a melhor adaptação às condições de jogo - com muito vento a fazer-se sentir em Paris ao longo de todo o dia -, o esquerdino das Caldas da Rainha acabou por não fazer valer o seu estatuto de 41º classificado mundial sobre Filip Veger.

"O Frederico realmente esteve longe de entrar bem no encontro e cedo se viu a perder por 3-0. Poderia e deveria ter feito muito melhor, frente a um opositor muito regular do fundo do court, que no todo acabou por se conseguir superiorizar", explicou o treinador Pedro Felner, confirmados os parciais de 6-3 e 6-3 para o tenista croata (90º ITF).

Terminada a experiência em Roland Garros, e fruto do ranking actualmente ocupado, Frederico Silva garante todavia desde já a entrada directa no quadro principal de Wimbledon, torneio que se irá realizar entre os dias 26 de Junho e 3 de Julho.

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