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Correio da Manhã

Desporto
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Rui Machado continua em branco

Ainda não foi desta que Rui Machado celebrou a primeira vitória pessoal de 2011. No Open da Austrália, o número um português perdeu em quatro sets para o colombiano Santiago Giraldo – 6-4, 6-3, 5-7 e 6-1 – deixando assim o primeiro torneio do Grand Slam da temporada entregue a Frederico Gil. O sintrense de 25 anos discute esta quarta-feira (nunca antes das 8 da manhã em Portugal Continental) a segunda ronda do quadro principal frente ao francês Gael Monfils (12º ATP), num encontro agendado para a Margaret Court Arena de Melbourne Park.
18 de Janeiro de 2011 às 16:07
Rafael Nadal venceu sem dificuldade
Rafael Nadal venceu sem dificuldade FOTO: Barbara Walton/Epa

Um dia antes da sua estreia Rui Machado preparou da melhor forma o seu embate frente a Santiago Giraldo. As rotinas habituais foram cumpridas, desde as sessões de treino ao cuidado especial com as raquetas – já a beber da experiência do seu técnico Bernardo Mota, lembrado ainda hoje pela sua dedicação, por vezes extrema, ao instrumento de trabalho. Para além disso, conseguiu ainda chegar a tempo ao court 11 de Melbourne Park, para comprovar uma recta final brilhante de Frederico Gil rumo à segunda ronda do quadro principal, e recolher aí um novo alento. “Ver aqueles com quem treino ganhar, faz-me acreditar que posso fazer o mesmo, e isso faz com que fique ainda mais motivado”, garantiu o actual 90º classificado do ATP World Tour.

Ainda assim, a motivação extra acabou por não ser suficiente. Machado entrou muito bem no encontro, chegando cedo à vantagem de 4-1, mas acabou por ser incapaz de contrariar a série de cinco jogos consecutivos do opositor. Na segunda partida, o português reagiu bem à primeira quebra de serviço no quinto jogo, devolvendo-a logo no seguinte, mas os restantes breaks do colombiano ficaram sem resposta. Vendo-se perante tamanha desvantagem, Rui Machado – que na véspera assentara também a sua confiança no facto do encontro ser à melhor de cinco sets – não esmoreceu. Teve oportunidade de fechar o parcial com serviço a 5-4, no qual foi quebrado, selando mais tarde o resultado de 7-5. Todavia, o desgaste emocional fez-se sentir daí para a frente. Giraldo conseguiu o break seguinte num jogo em branco de Machado e voltou a superiorizar-se no sexto jogo, fechando em seguida a contenda no seu saque, estavam decorridas 2h29m de encontro.

No final do encontro, Rui Machado, revelou-se consciente do desempenho, embora as suas expectativas não tenham sido plenamente alcançadas. “Foi um encontro típico de início de época. Consegui ter momentos muito bons a nível tenístico mas faltou-me consistência. Penso que se tenho conseguido ganhar o primeiro set, já que estive com break de vantagem, o desenrolar do encontro teria sido diferente. Notou-se que o meu adversário surgiu com mais confiança e mais rodado em termos de encontros, e também isso fez um pouco a diferença. Não estou desiludido, mas vim com esperança de levar para casa alguma vitória neste Grand Slam… tentarei novamente para o ano”, assegurou, já de miras apontadas à sua terra batida de eleição, em especial ao périplo de torneios latino-americanos em Santiago (Chile), Costa do Sauípe (Brasil), Buenos Aires (Argentina) e Acapulco (México).

Consequência do desaire, mas também da prestação de Frederico Gil (que pode ainda ir mais além), Rui Machado deverá perder o estatuto de número um nacional no ranking ATP World Tour. As classificações serão actualizadas somente no próximo dia 31 de Janeiro, mas as previsões – à data desta terça-feira – colocam Rui Machado na sua melhor posição de sempre (84º), ao passo que o compatriota, só pelo acesso à segunda ronda, ascende ao 78º posto. No que respeita a prémios monetários, Rui Machado despede-se dos antípodas com cerca de 15 mil euros – e ainda à procura do seu primeiro triunfo individual na temporada de 2011, depois das derrotas averbadas nos ATP World Tour 250 de Chennai (Índia) e Sydney (Austrália).

“GREVE” TRAMA IVANOVIC

Sorte idêntica à de Rui Machado, teve também António Van Grichen. O treinador português viu a sua atleta Ana Ivanovic perder pela primeira vez na ronda inaugural, em sete participações no Open da Austrália, cedendo em três partidas (3-6, 6-4 e 10-8) diante de Ekaterina Makarova – finalista do Estoril Open 2009 (perdeu na altura para Yanina Wickmayer).

No final do encontro, e com o técnico luso parco em palavras, visivelmente desgostoso pelo desaire precoce, a simpática sérvia fez questão de afastar qualquer nuvem cinzenta que possa pairar sobre o seu ténis, defendendo-se com a falta de preparação adequada, devido aos recentes problemas físicos. “Tenho muito para trabalhar e acredito que ainda este ano consigo regressar ao top 10. Estou optimista, mas também sei que não pude treinar no duro durante 10 dias por causa da lesão abdominal. Fui obrigada a fazer greve nos treinos e acabou por faltar-me jogo de pés no terceiro set e ser um pouco mais pró-activa no segundo”, explicou, depois de salvar cinco match-points antes de confirmada a derrota. O futuro, para já, permanece na incógnita. “Primeiro tenho de tratar esta lesão, mas vou falar com o meu treinador para decidirmos o que é melhor fazer nas próximas semanas em termos de torneios”, avançou, deixando clara a ideia de pretender continuar a contar com António Van Grichen.

Se a derrota da campeã de Roland Garros e finalista do Open Austrália em 2008 constitui a maior surpresa do segundo dia de encontros, o mesmo já não aconteceu com a bicicleta imposta por Kim Clijsters a Dinara Safina. A russa, antiga número um mundial – e também ela finalista nos antípodas em 2009 –, continua a viver uma montanha russa de sensações na sua carreira e a exibição mais do que apagada, contrastando com o bom momento de forma de Clijsters, serviu acima de tudo para injectar importante dose de confiança na belga que se assumiu claramente como uma das grandes candidatas à vitória no torneio. “Foi demasiado embaraçoso, não consegui magoá-la de maneira nenhuma”, confessou a irmã mais nova do antigo tenista, Marat Safin.

FAVORITOS PASSEIAM EM MELBOURNE

Na véspera, haviam sido Roger Federer e Novak Djokovic a passarem incólumes pela primeira ronda, mas a segunda jornada do Grand Slam australiano revelou-se ainda mais fácil para Andy Murray e Rafael Nadal. O britânico, que em 2010 abandonou a Rod Laver após a final perdida para Federer de lágrimas nos olhos, beneficiou da desistência do eslovaco Karol Beck (ombro) quando o marcador seguia favorável ao número quatro mundial por 6-3, 6-1 e 4-2. “É sempre melhor terminar o encontro sem que o nosso opositor saia lesionado, mas são coisas que acontecem e só temos de seguir em frente e preparar da melhor forma o próximo embate”, referiu o escocês.

Já o número um mundial, Rafael Nadal, preparou da melhor forma a sua estreia – com sessões de treino de duas horas junto com o amigo argentino Juan Monaco e sempre no pico do calor em Melbourne (embora as temperaturas ainda não tenham atingido valores proibitivos este ano) – mas pouco trabalho teve. Com o português Carlos Ramos na cadeira de árbitro, Marcos Daniel resistiu apenas 46 minutos, até anunciar a sua desistência devido a lesão no joelho esquerdo, sem ter conquistado qualquer jogo de serviço (6-0 e 5-0). Ainda assim, o brasileiro partilhou com o mundo o que se prevê, não só para este Open da Austrália, mas também para a temporada que agora arranca. “Se olharmos aos primeiros cinco classificados do ranking, todos eles evoluíram bastante. Estão um passo mais à frente, mais rápidos do que todos nós. Para além disso batem a bola mais forte e mantêm-se focados durante quatro horas. Imaginem o Federer e o Nadal, e garanto-vos que são iguais nesse aspecto”, referiu Daniel, que em 2005 perdeu em Banguecoque frente ao suíço.

O actual quinto classificado do ATP World Tour, Robin Soderling, um dos cabeças-de-cartaz já anunciados para o Estoril Open 2011, apagou em definitivo a má imagem deixada em Melbourne Park há cerca de um ano (perdeu na ronda inaugural para Marcel Granollers). Desta feita, não se deixou surpreender e bateu Potito Starace por 6-4, 6-4 e 6-2, mantendo-se em teórica rota de colisão com Andy Murray para um possível encontro nos quartos-de-final.

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