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Correio da Manhã

Desporto

Scolari tinha pedido contenção nas folgas

Assunto recorrente na selecção nacional, as folgas dos jogadores voltam a ganhar actualidade a escassos dias da convocatória para o jogo contra o Cazaquistão. Scolari prepara-se para acabar com as folgas entre os jogos de jornada dupla, epílogo ‘natural’ de uma questão que, segundo o CM apurou, já há muito tempo vem sendo debatida internamente.
5 de Novembro de 2006 às 00:00
O tema, segundo nos explicou fonte próxima do processo, nunca foi tabu. Antes, muito antes do primeiro dos três casos que, somados, fizeram Scolari perder a paciência (ver textos à direita), já o seleccionador fazia ver aos jogadores, em palestras de grupo ou conversas a dois, que as folgas entre jogos deveriam ser gozadas com enorme sentido de responsabilidade.
Publicamente, Scolari sempre minimizou a questão, no propósito claro de não valorizar alguns excessos, mas internamente nunca deixou de se preocupar com o assunto. Não é a folga em si que está em causa, mas antes a forma como esse tempo é administrado por cada um.
“Além de figuras públicas, que têm de saber preservar a imagem, os jogadores são atletas de altíssimo rendimento e estão obrigados a agir como tal”, disse a mesma fonte, citando a forma como Scolari costuma abordar o tema.
José Soares, professor catedrático de Fisiologia e Fisiologista da selecção nacional no Campeonato do Mundo da Coreia/Japão, aplaude a medida que Scolari se prepara para aplicar.
Agora a exercer funções na selecção nacional de andebol, José Soares garantiu ao CM que as folgas entre dois jogos são “um contra-senso”. E explicou: “As horas que se seguem ao esforço são fundamentais para a regeneração geral dos atletas. No caso de uma noitada, não é apenas de um défice de horas de sono que se trata. É também do comportamento que se tem. Ambientes pesados, com fumo, barulho, a ingestão de álcool e alimentos desaconselhados, tudo isto acaba por se reflectir no rendimento. Claro que existe um equilíbrio. Do ponto de vista psicológico é proveitosa uma folga curta, após os jogos. Mas nunca uma noite”, conclui o antigo colaborador da selecção nacional.
MADAÍL QUER HERMÍNIO 'VICE'
Gilberto Madaíl vai aproveitar as eleições da Federação Portuguesa de Futebol para propor a entrada de Hermínio Loureiro, presidente da Liga, para a direcção, com o cargo de vice-presidente. Esta é, de resto, uma das imposições de Madaíl para se manter no cargo que actualmente ocupa. Entretanto, o processo de recandidatura pode passar agora por uma nova estratégia.
Após a AG da FPF ter chumbado o adiamento do acto eleitoral, Madaíl aceita manter-se até ao Verão, com os actuais dirigentes, desde que estes aceitem renunciar às funções no final da época, havendo então lugar a novas eleições.
OS TRÊS CASOS
ESTÁGIO ALENTEJANO
Após o jogo contra a selecção de Cabo Verde, em Maio passado, Miguel e Simão aproveitaram a folga concedida para passar a noite numa conhecida discoteca lisboeta.
LUXEMBURGO
Em Junho, ainda na preparação para o Mundial, após um jogo contra o Luxemburgo, disputado em Metz, França, Scolari concedeu 12 horas de folga. Muitos jogadores, nomeadamente Deco, Paulo Ferreira, Boa Morte e Miguel, passaram a noite numa discoteca.
AZERBAIJÃO
Após o jogo contra o Azerbaijão, mais uma noitada na folga. Vários jogadores chegaram depois das 8h00. Dias depois, a Selecção perdeu na Polónia.
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