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Correio da Manhã

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“Se passarmos a 1ª fase podemos ganhar o Euro”

Beto, um dos 23 jogadores da selecção nacional, que hoje joga com a Alemanha no seu primeiro jogo do Europeu, garante um grupo forte, coeso e motivado. O guarda-redes asseg ura que os resultados dos jogos de preparação não afectam
9 de Junho de 2012 às 15:00
Beto esteve no Mundial 2010 juntamente com Eduardo e Daniel Fernandes
Beto esteve no Mundial 2010 juntamente com Eduardo e Daniel Fernandes FOTO: Rui Miguel Pedrosa

Correio Sport – Portugal não ganhou nenhum dos três últimos jogos de preparação para o Europeu. Isso lança dúvidas na cabeça dos jogadores?

Beto – A dúvida é má conselheira. Não duvidamos das nossas capacidades. Há um sentimento de frustração pois as equipas alimentam-se de vitórias e não as conseguimos nos últimos três jogos, não foi possível. No entanto, posso dizer que não nasceu qualquer dúvida, que os jogadores da Selecção não perderam a auto-estima nem a confiança.

- Os erros que ditaram a derrota acabaram por ser muito apontados...

- Esse tipo de erros não vai acontecer na fase final do Euro. Dificilmente cometeremos o mesmo erro duas vezes.

- Como vai ser na fase final do Europeu?

- Vamos dar a volta por cima e apresentar-nos a 300 por cento. Vamos estar fortíssimos no Europeu.

- A estreia é [hoje] contra a Alemanha. De que forma encaram o adversário?

- A Alemanha prima pela organização, é uma equipa com enorme condição física e frieza, mas Portugal tem a paixão, o sangue e a magia. Quem errar menos vai sair vencedor, e nós acreditamos que Portugal pode ganhar o jogo.

- É o adversário ideal para iniciar a competição?

- É o que calhou no sorteio. Uma das melhores selecções da Europa. Se vencermos, será uma alavanca para um grande Europeu.

- Como é que Portugal pode ganhar à Alemanha?

- Portugal vai entrar concentrado, organizado e com entreajuda. A magia individual poderá fazer diferença, mas mais do que a qualidade individual terá de ser o colectivo a realçar-se.

- De que forma perspectiva as possibilidades de Portugal num grupo com Alemanha, mas também Dinamarca e Holanda?

- São quatro selecções com as mesmas possibilidades. Partilho da opinião dos responsáveis de que, se Portugal passar a 1ª fase, pode ganhar o Euro.

- O que o leva a pensar assim?

- Ultrapassada a fase de grupos, os níveis de confiança e motivação aumentam. O céu é o limite.

- O que é o céu neste caso?

- A final é o limite e o grande objectivo. E, se chegarmos aí, as finais não se jogam, ganham-se.

- Que retrato faz das outras duas selecções do grupo: Holanda e Dinamarca?

- A Holanda tem um futebol que se equivale mais ao nosso, num jogo apoiado e muito técnico. Quanto à Dinamarca, aposta mais no confronto físico e tem um futebol mais directo. Não se pode menosprezar a Dinamarca.


- Foi companheiro de equipa de Paulo Bento no Sporting. Como o define?

- Já na altura como jogador notava-se que ele pensava muito o futebol, que era um estratega e que era particularmente sensível aos aspectos tácticos do jogo. E depois tinha grande capacidade de liderança.

- E como treinador?

- Parece mais um colega nosso em certas questões, pela proximidade que estabelece com os jogadores. O Paulo tem o grupo de trabalho do lado dele. Tem um discurso que cativa os jogadores, sabe levá-los, entrar na mente dos jogadores, e trabalha muito bem o lado motivacional. Em suma, consegue espremer o melhor de cada um de nós.

- Quase todos esperam que Ronaldo decida os jogos. Há demasiado peso sobre os ombros dele?

- Ronaldo é o melhor jogador do Mundo. Sinto que ele quase se obriga a ter de resolver problemas na Selecção. Temos de esperar que seja a equipa a resolver, mas claro que há expectativas naturais sobre um jogador como Ronaldo.

- E como é Ronaldo entre os companheiros?

- É o nosso capitão e uma pessoa completamente acessível, com quem podemos falar sobre tudo, um fantástico colega. Garanto que existe forte sentido colectivo na Selecção e entreajuda.

- Portugal é mais do que uma soma de individualidades?

- Claro que sim, e esta equipa já deu provas. Os jogadores e a equipa técnica estão 100% comprometidos com a Selecção, ninguém está a pensar em férias. Há um empenho muito grande no Campeonato da Europa.

- Pontualmente ouvem-se críticas a um algum vedetismo dos jogadores da Selecção...

- Existe um grande orgulho dos jogadores com aquilo que já conseguiram, mas não vedetismos. Isso não existe.

- Portugal nunca ganhou nada internacionalmente a nível sénior. Isso pode ser uma pressão extra no Euro?

- Isso é verdade, mas não ter títulos não deve funcionar como pressão e sim como mais um incentivo para fazermos um grande Europeu e tentar ganhar.

- Foi titular no jogo de preparação com a Macedónia e depois não jogou contra a Turquia. Como encarou a situação?

- Com naturalidade. Todos somos opções e estamos ao dispor quando Paulo Bento entender. O que for melhor para a Selecção sê-lo-á para mim

- Que espírito reina entre os três guarda-redes da Selecção – Rui Patrício, Eduardo e Beto?

- Muito positivo. Uma espécie de equipa dentro da própria equipa.

PERFIL

António Alberto Bastos Pimparel, ou apenas Beto, nasceu em Lisboa no dia 1 de Maio de 1982 (30 anos). Formado no Sporting, jogou depois no Casa Pia, Chaves, Marco e Leixões. Neste clube, firmou créditos e impôs-se como um dos bons guarda-redes do futebol português, ao ponto de ser contratado pelo FC Porto. Com a titularidade da baliza dos dragões tapada por Helton, rumou no início da época passada à Roménia, onde se sagrou campeão pelo Cluj. Tem duas internacionalizações e está no Euro’2012 depois de ter marcado presença no Mundial 2010, disputado na África do Sul.

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