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Correio da Manhã

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SEGURANÇA REFORÇADA

A 57.ª edição do Festival Internacional de Cinema de Cannes, em França, inicia-se hoje (e decorre até dia 23) com segurança reforçada destinada a evitar os protestos dos trabalhadores com contrato a prazo, que vão aproveitar o mediatismo do evento para denunciar a sua precariedade laboral, e possíveis atentados terroristas.
12 de Maio de 2004 às 00:00
Artistas e técnicos das artes de espectáculo, sobretudo os que estão com contrato a prazo, estão contra a reforma do sistema de segurança social que implica uma redução dos benefícios sociais e excluirá 18 mil pessoas do sistema de indemnizações durante este ano e outros tantos em 2005.
Como solução, o ministro francês da Cultura, Renaud Donnedieu de Vabres, prometeu desbloquear 20 milhões de euros para um fundo de apoio, proposta que os artistas já rejeitaram, alegando tratar-se de uma proposta “inadequada e provocadora”.
A luta contra esta medida já dura há cerca de um ano, intensificou-se nos últimos dias e poderá ganhar novas proporções durante o certame. “Cannes é uma montra e nós queremos ter a palavra, tanto na cerimónia de abertura como na de encerramento, mas os encontros com a direcção do festival não correram bem”, afirmou à agência France Press um trabalhador. No entanto, a organização já adiantou que vai permitir que denunciem a situação.
Sexta-feira, em Paris, cerca de 50 trabalhadores impediram durante algumas horas a saída do camião que transportava as obras a projectar no evento, caso desdramatizado pela organização, segundo a qual “os filmes chegaram sãos e salvos muito a tempo do início do festival” cuja não realização “esteve absolutamente fora de questão”.
Do lado dos trabalhadores está cerca de uma dezena de realizadores franceses, alguns com filmes seleccionados para o festival como Agnés Jaoui e Benoît Jacquot. “Se eles não existissem, os nossos filmes também não existiriam”, referiram os cineastas numa nota de solidariedade divulgada domingo, em que apelam ao Governo que “encontre uma solução definitiva para o problema”.
MIL AGENTES NA CROISETTE
Quanto à segurança, só na Croisette – a famosa avenida onde se situa o Palácio dos festivais – a polícia francesa concentrará cerca de mil agentes de diferentes forças, incluindo uma equipa de minas e armadilhas.
Um dos mais importantes do Mundo, o Festival de Cannes – cidade que espera a visita de mais de 20 mil pessoas – custa cerca de seis milhões de euros sendo o retorno financeiro estimado em 700 milhões. Desde a primeira edição, entre Setembro e Outubro de 1946, que acolhe as maiores vedetas do cinema mundial. E este ano não vai ser excepção...
56 FILMES EM EXIBIÇÃO
O realizador Quentin Tarantino preside ao júri que vai avaliar os 18 filmes concorrentes à Palma de Ouro. As honras de abertura desta edição cabem a ‘La Mala Educación’, de Pedro Almodóvar, protagonizado por Gael García Bernal, que também interpreta o papel principal de ‘Diários de Motocicleta’, o filme do brasileiro Walter Salles presente na competição.
A concurso serão projectadas, entre outras, ‘Comme Une Image’, de Agês Jaoui, ‘Clean’, de Olivier Assayas, e ‘Elixir’, de Tony Gatlif. Fora da competição, Cannes mostrará “Shrek 2’, ‘The Ladykillers’, o novo dos irmãos Coen com Tom Hanks, ‘Fahrenheit’ 9/11’, documentário de Michael Moore, ‘Five’, de Abbas Kiarostami, ‘Tróia’, de Wolfgang Petersen, protagonizado por Brad Pitt e ‘Motre Musique’, de Jean-Luc Godard, só para citar alguns.
A única presença portuguesa é a de João Canijo (presente em 2001 com ‘Ganhar a Vida’), com ‘Noite Escura’. No total serão exibidas 56 películas, 46 das quais em estreia.
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