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Correio da Manhã

Desporto

Selecção todo-o-terreno procura glória no Europeu

A selecção portuguesa de corta-mato, à semelhança do que fez em anos anteriores, quer continuar hoje a escrever páginas de glória e a amealhar medalhas no campeonato da Europa da especialidade, que hoje tem lugar em Heringsdorf, na Alemanha. É que superar a marca de 2003 – duas medalhas de bronze colectivas, em masculino e feminino, e outra em individuais, conquistada por Eduardo Henriques – está perfeitamente ao alcance da formação das ‘quinas’.
12 de Dezembro de 2004 às 00:00
Fernando Silva, actual campeão nacional, é um dos trunfos da selecção portuguesa
Fernando Silva, actual campeão nacional, é um dos trunfos da selecção portuguesa FOTO: Manuel Moreira
O conjunto nacional evidencia níveis de confiança bastante altos, apesar de estar consciente das dificuldades que esperam os atletas: a Espanha e a França, eternas rivais, apresentam-se na máxima força, tanto em masculinos como femininos; as temperaturas deverão rondar os zero graus; o traçado também não é pêra doce. E sobre este último capítulo, Portugal já está alertado. “É um percurso muito duro, com muitas subidas e descidas e curvas fechadas. Subimos quase a pique em sete voltas, duas pequenas e cinco grandes, mas o que nos vale é que pelo menos não há lama”, adiantou Fernando Silva, actual campeão nacional da especialidade. “Também não estamos habituados a correr com temperaturas tão baixas. Não sei como o nosso organismo se vai adaptar e, se calhar, isso é que vai ser o mais difícil, e não tanto o percurso”, explicou o português, que vai correr juntamente com Manuel Damião, Ricardo Ribas, Manuel Silva, Manuel Magalhães e José Maduro.
As esperanças em termos colectivos são fortes, mas a nível individual, o ucraniano Sergey Lebid afigura-se como o grande favorito ao título. Se vencer, Lebid alcançará o quinto ceptro europeu e ultrapassará a marca do português Paulo Guerra (quatro títulos).
Em femininos, a seleccionadora nacional, Sameiro Araújo, considera a equipa composta por Fernanda Ribeiro (ausente dos Europeus desde Valenje’99), Anália Rosa (campeã nacional), Mónica Rosa, Marina Bastos, Inês Monteiro e Jéssica Augusto de “forte e equlibrada”, pelo que acredita que as suas pupilas possam ocupar o lugar mais alto do pódio, apesar da forte oposição das francesas, russas e inglesas.
Sameiro Araújo realça a renovação que está a ser feita na selecção, já que 10 dos 22 atletas (entre seniores e juniores) são estreantes.
PASSADAS CURTAS
FERNANDA RIBEIRO DIVIDIDA
Fernanda Ribeiro foi chamada à última da hora à selecção. Mas, se dependesse dela, talvez não competisse. “Estou aqui por vontade do meu treinador, porque se fosse eu a escolher, não sei se viria”.
RENOVAÇÃO AGRADA
A renovação lusa agrada à seleccionadora nacional, Sameiro Araújo. “Estou satisfeita, mas não vamos pedir já a estes atletas classificações como as de Paulo Guerra ou Domingos Castro. É preciso tempo para a selecção amadurecer”.
GUERRA É REFERÊNCIA
Paulo Guerra é a grande referência lusa na competição. O atleta, que este ano não compete, já conquistou quatro títulos individuais nos Europeus, em 1994, 1995, 1999 e 2000.
409 ATLETAS
Quase todos os países do Velho Continente vão marcar presença. Ao todo, entre seniores e juniores, 409 atletas oriundos de 28 nações vão competir.
TRAÇADOS DIFERENTES
O percurso na prova feminina e masculino é diferente. Nas senhoras, a extensão do traçado é de 5640 metros, extendendo para 9640 entre os homens.
RADCLIFFE AUSENTE
A britânica Paula Radcliffe, vencedora em 2003, e a turca Ebeylegesse (2.ª) são as grandes ausentes nas senhoras.
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