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Correio da Manhã

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Serena Williams vence em Wimbledon

Mais um extraordinário episódio da saga Williams, com Serena a ganhar o seu 14º troféu do Grand Slam e o primeiro após uma grave lesão no pé e a embolia pulmonar que a deixou às portas da morte. O seu quinto título na Catedral do Ténis coloca-a a par do penta da irmã Venus em Wimbledon e foi valorizado por Agnieszka Radwanska, que conseguiu equilibrar uma final que parecia ser de sentido único.



7 de Julho de 2012 às 20:35
Serena Williams voltou a vencer no torneio inglês
Serena Williams voltou a vencer no torneio inglês FOTO: Stefan Wermuth/Reuters

Com 14 títulos do Grand Slam, Serena Williams ainda está atrás dos 18 de Martina Navratilova e Chris Evert, dos 19 de Helen Wills Moody, dos 22 de Steffi Graf ou dos 24 de Margaret Smith Court – mas não há dúvida alguma que está a par ou até acima das suas gloriosas antecessoras como uma das maiores protagonistas de sempre na modalidade e voltou a confirmar que detém o melhor serviço feminino de todos os tempos, alinhando 17 ases (incluindo um poker: quatro consecutivos!) no seu triunfo por 6-1, 5-7 e 6-2 sobre a habilidosa polaca Agnieszka Radwanska.

O 14º título do Grand Slam de Serena, alcançado quase treze anos após o seu primeiro e exactamente dois anos após o 13º no mesmo Centre Court, ocupará um lugar muito especial no sensacional palmarés da norte-americana e parte da sua família refere mesmo que é o mais significante pelo que se passou entre 2010 e 2011. O cheque de 1,45 milhões de euros, a juntar-se aos cerca de 30 milhões que já embolsou na sua carreira, acaba por ser uma recompensa colateral.

É que dias depois de ter ganho o quarto troféu em Wimbledon e confirmado a sua hegemonia no circuito feminino em 2010, deixou cair um copo sobre o pé num bar em Munique e a fortuita lesão foi de tal gravidade que requereu cirurgias e prolongada convalescença; entretanto, sofreu uma grave embolia pulmonar que a deixou 'no leito de morte' e esticou a sua ausência do circuito até quase um ano.

Mas ressuscitou a sua carreira ao mais alto nível no verão passado e perdeu uma estranha final do US Open diante de Samantha Stosur; este ano, após desilusões no Open da Austrália e em Roland Garros, regressou aos principais títulos na rápida relva ao tornar-se na primeira trintona a ganhar Wimbledon desde Martina Navratilova em 1990 e impondo sobretudo a potência do seu jogo e a qualidade do seu saque.

FINAL COMPETITIVA

Ironicamente, foi com uma bola em toque mais digna da sua opositora que Serena Williams conseguiu a definitiva liderança na final: um amortie de direita que lhe deu um duplo break de avanço na terceira partida e a pôs a servir para o fecho do encontro a 5-2 – e não perdoou.

Para trás, ficou um embate que começou por pender vertiginosamente para o lado da favorita: num ápice, chegou aos 5-0 e perspectivou-se uma comprometedora ‘roda de bicicleta’, mas Radwanska conseguiu esgravatar um jogo para não perder a primeira partida pela margem máxima... e, nesse momento, a página Wikipedia de Serena Williams dava-a como vencedora por 6-1 e 6-0 (!).

Mas logo depois veio a chuva e uma interrupção, que teve o condão de serenar a primeira tenista da Polónia a jogar uma final de um torneio do Grand Slam desde que Jadwiga Jedrzejowska perdeu três na década de 30 (incluindo Wimbledon em 1937).

No reatamento, Aga – que se ganhasse até ascendia do terceiro para o primeiro lugar do ranking! – mostrou-se mais afoita e logrou prolongar mais as jogadas, contrariando as acelerações da opositora com o seu ténis suave.

Mesmo assim, Serena teve um break de avanço no segundo set e, quando a americana liderava por 4-2, nos bastidores estava já tudo pronto para a cerimónia da entrega de prémios. Só que a mais nova das irmãs Williams baixou a qualidade do seu serviço-canhão e acabou por ceder essa segunda partida, para gáudio da multidão: desde 2006, quando Amélie Mauresmo bateu Justine Hénin, que não se via uma final feminina em três sets no Centre Court.

POKER DE ASES

Radwanska ainda chegou aos 2-1 no set decisivo, mas nessa altura Serena fez um poker que, sendo muito raro, é ainda mais raro no circuito feminino: um jogo de serviço perfeito e resolvido através de quatro ases consecutivos no primeiro serviço (em Madrid fez um poker que incluiu um ás no segundo serviço e uma repetição de primeiro serviço). A polaca parecia uma manequim, a andar de um lado para o outro na passerelle da linha do fundo sem tocar na bola. E a partir daí não ganhou mais qualquer jogo no terceiro set.

Mas Agnieszka, se não conseguiu ascender à liderança do ranking por falhar a vitória na final, sai de Wimbledon no segundo posto da hierarquia (Azarenka regressa à liderança, Sharapova desce para o terceiro lugar e Serena passa para o quarto) e pode encarar o futuro com optimismo. Há um ano ‘despediu’ o pai como treinador quando era 13ª da hierarquia e sem ter ganho qualquer título há três anos; desde então somou seis títulos e atingiu em Wimbledon a sua primeira final de um torneio do Grand Slam depois de ter ganho na Catedral do Ténis o título júnior em 2005.

O lendário John McEnroe diz que ela tem «as melhores mãos do circuito feminino», mas o seu toque de bola não foi suficiente; na verdade, quase sempre pareceu uma peso-pluma a defrontar uma peso-pesado.

DECLARAÇÕES

A eficácia do serviço de Serena Williams (102 ases em sete encontros!) foi determinante: "O meu serviço ajudou-me muito no torneio. Não sei porque esteve tão bem nem o pratiquei tanto, mas nunca perdi o ritmo do serviço. Quando era nova quis modelar o meu serviço no do Pete Sampras mas entretanto o gesto mudou. Um dos meus cães chama-se Pete por causa dele!".

Coincidência ou não, a americana tem agora os mesmos 14 títulos em 18 finais do Grand Slam do que o seu compatriota. Ainda faltam dois em Wimbledon para chegar aos sete de Sampras na catedral do Ténis, mas já igualou os cinco da irmã Venus (que tem um total de sete títulos individuais do Grand Slam); juntas, ganharam 10 das últimas 13 edições do torneio em singulares – e venceram também a final de pares senhoras deste sábado, diante das checas Andrea Hlavackova e Lucie Hradecka, por 7-5 e 6-4.

GOD SAVE THE SCOT

Mas as atenções estarão sobretudo centradas na final individual masculina. Na última ocasião em que a rainha de Inglaterra esteve presente numa final de Wimbledon foi em 1977 e entregou o troféu a uma súbdita sua, Virginia Wade.

Mas tudo indica que outros compromissos a impedirão de assistir à primeira final masculina com um jogador britânico desde a década de 30 – e será uma final verdadeiramente aliciante que proporcionará história qualquer que seja o seu desfecho: Roger Federer, que já se tornou no primeiro tenista a jogar oito finais em Wimbledon, poderá não só igualar o recorde de sete títulos de Pete Sampras como recuperar a liderança do ranking mundial para roubar precisamente ao americano o recorde de semanas no topo da hierarquia mundial; Andy Murray anulou uma espera de 74 anos para se tornar no primeiro britânico a jogar uma final de Wimbledon desde Bunny Austin em 1938 e vai procurar ser o primeiro a chegar ao título desde Fred Perry em 1936.

Murray cedeu diante de Federer nas primeiras duas das três finais de torneios do Grand Slam que perdeu (US Open 2008, Open da Austrália 20010 e 2011), mas desta feita contará com o apoio do lendário Ivan Lendl para gerir a enorme pressão que o rodeia e preparar melhor o embate com um credenciado adversário a quem até já ganhou por oito vezes em quinze encontros.

Ivan Lendl, que curiosamente perdeu as quatro primeiras finais de torneios do Grand Slam que jogou na década de 80 antes de arrecadar oito, tem melhorado a pancada de direita do seu pupilo e sobretudo ajudou-o a ter uma atitude mais positiva no court. O Reino Unido já está em ebulição – as filas para obter um simples ground pass para aceder ao All England Club (e ver a final no ecrã gigante) já têm quilómetros de comprimento e o preço dos bilhetes postos a circular no mercado negro ou na internet já está a atingir várias dezenas de milhar de euros…

DOMINGO: FINAL MASCULINA
A partir das 14 horas: Roger Federer (Suíça, cs3)-Andy Murray (Escócia, cs4)

SÁBADO: RESULTADO DA FINAL FEMININA
Serena Williams (EUA, cs6) v. Agnieszka Radwanska (Polónia, cs3), 6-1, 5-7, 6-2

SEXTA-FEIRA: MEIAS-FINAIS MASCULINAS
Roger Federer (Suíça, cs3) v. Novak Djokovic (Sérvia, cs1), 6-3, 3-6, 6-4, 6-3
Andy Murray (Escócia, cs4) v. Jo-Wilfried Tsonga (França, cs5), 6-3, 6-4, 3-6, 7-5

QUINTA-FEIRA MEIAS-FINAIS FEMININAS
Agnieszka Radwanska (Polónia, cs3) v. Angelique Kerber (Alemanha, cs8), 6-3, 6-4
Serena Williams (EUA, cs6) v. Victoria Azarenka (Bielorrússia, cs2), 6-3, 7-6

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