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Correio da Manhã

Desporto

Serena(da) à chuva

Em mais uma jornada afectada pela pluviosidade, Frederico Silva estreou-se vitoriosamente no torneio júnior de Wimbledon e Serena Williams venceu um vertiginoso duelo entre as últimas campeãs do mais prestigiado evento de ténis do planeta. Mas foi necessário muita paciência para se concluírem todos os embates das provas principais – graças ao tecto amovível do Centre Court.
4 de Julho de 2012 às 00:29
O tenista português Frederico Silva
O tenista português Frederico Silva FOTO: António Borga

Mais uma longa jornada em Wimbledon – não tão longa como em alguns dias da primeira semana da quinzena, mas mesmo assim concluída a caminho das 22 horas e só porque desde 2009 existe uma moderna cobertura cabriolet amovível nesse ancião santuário da modalidade que é o Centre Court. E, com tanta chuva a afectar a 126ª edição do torneio, o tecto amovível tem sido mesmo uma das grandes vedetas da competição…

Ao contrário do que sucedeu na segunda-feira, nesta terça-feira a organização decidiu concluir em recinto fechado um encontro iniciado noutro campo e Agnieszka Radwanska e Maria Kirilenko, que viram o seu embate no Court 1 interrompido pela inclemência meteorológica aos 4-4 no terceiro set, lá conseguiram resolver o respectivo embate no Centre Court após esperarem duas horas que vagasse. Poupou-se uma noite muito mal dormida (caso a contenda fosse suspensa para o dia seguinte) para as duas jogadoras de leste em busca da primeira meia-final de um torneio do Grand Slam, mas uma delas foi dormir bem mais feliz do que a outra: a polaca Radwanska, apesar da grande resistência da russa Kirilenko. «Senti que o dia de hoje teve umas 40 horas, tantas foram as vezes que o encontro foi interrompido e entrámos e saímos do court», desabafou Agnieszka – que quebrou finalmente a sua malapata nos quartos-de-final em eventos do Grand Slam (tinha cedido nas cinco anteriores ocasiões) e mantém hipóteses de lutar com Victoria Azarenka pelo acesso à liderança do ranking mundial, após a derrota ‘precoce’ da actual número um Maria Sharapova nos oitavos-de-final.


UM COMEÇO PORTUGUÊS

E de facto foi um dia muito difícil para todos, incluindo para o reduzido contingente português em Wimbledon – que inclui os árbitros Carlos Ramos e Mariana Alves, o enviado-especial do Correio da Manhã e o jovem Frederico Silva mais o seu treinador Pedro Felner (para além de vários espectadores lusos). Devido à pluviosidade que já havia afectado a jornada da véspera, Frederico Silva (16º da hierarquia mundial de sub-18) viu o seu encontro de estreia na competição júnior diante do qualifier checo Marek Routa (79º) adiado para terça-feira logo de manhã – e saiu-se bem na sua missão matinal, com um sucesso por 6-4 e 6-4.

O arranque não foi o melhor porque sofreu um break logo de entrada, mas o rapaz das Caldas da Rainha lá conseguiu quebrar o serviço ao adversário logo de seguida e depois de uma interrupção pela chuva logrou fazer um break aos 5-4 que lhe deu a conquista da primeira partida; o segundo set foi mais equilibrado mas o checo voltou a sucumbir à pressão do marcador quando servia a 4-5. No cômputo geral, o português fez menos winners (13 contra 18) mas também menos erros (18 contra 21) do que o seu antagonista e terá de jogar melhor diante do australiano Jordan Thompson (31º do ranking júnior) num embate da segunda eliminatória que devia ter sido jogado ao fim da tarde mas que foi adiado para as 11 horas de quarta-feira, novamente no Court 16.

Em 2011, com apenas 16 anos, o jovem das Caldas da Rainha também jogou um par de vezes no Court 16 a caminho da terceira ronda (equivalente aos oitavos-de-final) – e se na competição profissional de singulares Wimbledon tem sido tradicionalmente o pior torneio para os tenistas portugueses, nos juniores os resultados têm sido mais animadores: João Cunha e Silva e Nuno Marques chegaram aos quartos-de-final nos anos 80, tal como Gastão Elias em 2007. Conseguirá Frederico Silva, que já tem sido parceiro de treinos de Rafael Nadal (mais regularmente) e de Roger Federer (ocasionalmente), fazer tão bem como eles ou até melhor este ano?


WILLIAMS NA POLE POSITION

Os quatro embates dos quartos-de-final femininos foram todos bem distintos, mas aquele que suscitava maiores expectativas terá sido aquele que apresentou a qualidade intrínseca superior – mesmo que não tenha sido o mais equilibrado. Num vertiginoso duelo entre as duas últimas campeãs de Wimbledon, a norte-americana Serena Williams bateu a checa Petra Kvitova por 6-3 e 7-5 e qualificou-se para a 21ª semifinal de um torneio do Grand Slam na sua carreira, tendo ganho 13 títulos (dos quais quatro em Wimbledon). Após duelos difíceis perante Zheng Jie e Yaroslava Shvedova nas rondas precedentes, a campeoníssima subiu claramente de nível para ultrapassar mais facilmente uma adversária bem mais cotada do que as anteriores. Esteve imperial no serviço, alinhando 13 ases, e confirmou todo o favoritismo que lhe é atribuído também porque na hora da verdade ela costuma puxar pelos seus galões: basta atender ao facto de, entre as quatro semifinalistas, apresentar 17 finais em torneios do Grand Slam, ao passo que as outras três juntas jogaram apenas uma…

Será precisamente Victoria Azarenka, a vencedora do Open da Austrália em Janeiro, a próxima adversária de Serena Williams na quinta-feira – enquanto a polaca Agnieszka Radwanska mede forças com a alemã de ascendência polaca Angelique Kerber… que derrotou outra alemã de ascendência polaca, Sabine Lisicki, num duelo tão equilibrado como dramático.


HOMENS SEM GRANDE HISTÓRIA

Numa jornada de terça-feira que deveria estar reservada exclusivamente aos quartos-de-final da competição de singulares femininos, os homens não conseguiram roubar às senhoras grande protagonismo nos três encontros dos oitavos-de-final masculinos que foram retomados após serem interrompidos na véspera e nos outros dois que se jogaram na sua totalidade.

A verdade é que nesses cinco confrontos não houve grande espectáculo, destacando-se a qualificação de dois tenistas alemães (Philip Kohlshreiber e Florian Mayer) e a confirmação das hierarquias pré-estabelecidas nos restantes casos com a qualificação do herói local Andy Murray, do carismático francês Jo-Wilfried Tsonga e do tenaz espanhol David Ferrer. Se houve três membros do top 10 mundial (Rafael Nadal, Tomas Berdych, Janko Tipsarevic) a caírem até à terceira eliminatória, estarão presentes nos quartos-de-final desta quarta-feira cinco elementos do top 6.


QUARTA-FEIRA: QUARTOS-DE-FINAL MASCULINOS:

Novak Djokovic (Sérvia, cs1)-Florian Mayer (Alemanha, cs31)

Roger Federer (Suíça, cs3)-Mikhail Youzhny (Rússia, cs26)

Andy Murray (Escócia, cs4)-David Ferrer (Espanha, cs7)

Jo-Wilfried Tsonga (França, cs5)-philip Kohlschreiber (Alemanha, cs27)

RESULTADOS QUARTOS-DE-FINAL FEMININOS:

Angelique Kerber (Alemanha, cs8) v. Sabine Lisicki (AlemanHa, cs15), 6-3, 6-7, 7-5

Agnieszka Radwanska (Polónia, cs3) v. Maria Kirilenko (Rússia, cs17), 7-5, 4-6, 7-5

Serena Williams (EUA, cs6) v. Petra Kvitova (R. Checa, cs4), 6-3, 7-5

Victoria Azarenka (Bielorrússia, cs2) v. Tamira Paszek (Áustria), 6-3, 7-6

RESULTADOS OITAVOS-DE-FINAL MASCULINOS:

Novak Djokovic (Sérvia, cs1) v. Victor Troicki (Sérvia), 6-3, 6-1, 6-3

Florian Mayer (Alemanha, cs31) v. Richard Gasquet (França, cs18), 6-3, 6-1, 3-6, 6-2

Roger Federer (Suíça, cs3) v. Xavier Malisse (Bélgica), 7-6, 6-1, 4-6, 6-3

Mikhail Youzhny (Rússia, cs26) v. Denis Istomin (Uzbequistão), 6-3, 5-7, 6-4, 6-7, 7-5

David Ferrer (Espanha, cs7) v. Juan Martin del Potro (Argentina, cs9), 6-3, 6-2, 6-3

Andy Murray (Escócia, cs4) v. Marin Cilic (Croácia, cs16), 7-5, 6-2, 6-3

Jo-Wilfried Tsonga (França, cs5) v. Mardy Fish (EUA, cs10), 4-6, 7-6, 6-4, 6-4

Philip Kohlschreiber (Alemanha, cs27) v. Brian Baker (EUA, q), 6-1, 7-6, 6-3

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