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Servir o Benfica quer mais esclarecimentos sobre negócios de Rui Costa

Luís Filipe Viera está em prisão domiciliária até ao pagamento de uma caução de três milhões de euros, por suspeita de vários crimes económico-financeiros.
Lusa 12 de Julho de 2021 às 15:15
Rui Costa, presidente do Benfica
Rui Costa, presidente do Benfica FOTO: Lusa
O movimento Servir o Benfica voltou hoje a pedir esclarecimentos ao Conselho Fiscal do clube sobre as posições de Rui Costa, atual presidente, e do filho Filipe em empresas que terão efetuado negócios com os 'encarnados'.

No pedido, a que a agência Lusa teve acesso, o movimento refere que as suas dúvidas, que envolvem as empresas Footlab e Ksirius Football Management, "são partilhadas por "centenas de sócios" e tiveram "eco nos mais diversos meios de comunicação social".

No documento, os signatários garantem que a marca Footlab é detida por Rui Costa "através de uma das diversas empresas da qual é acionista" e que Filipe Costa, seu filho, acumula a função de CEO [diretor-executivo] da Footlab com a função de colaborador da sociedade Ksirius Football Management, função que exerce há quatro anos e sete meses".

O movimento indica que a Ksirius Football Management informa publicamente que agencia à presente data 10 atletas que atualmente têm contrato com o Benfica" e refere que Filipe Costa participou na apresentação de

diversos desses atletas, "tendo partilhado o próprio nas suas redes sociais fotografias comprovativas da sua participação na referida intermediação, como é exemplo da apresentação da atleta Caroline Vanslambrouck".

De acordo com o Servir o Benfica a empresa Footlab, da qual "Filipe Costa se autodenomina CEO é detida pela sociedade 10 Events, Lda. e não pela sociedade 10 Invest SGPS, Lda, não obstante ambas terem como acionista o mencionado membro dos órgãos sociais Rui Manuel Costa, e partilharem ambas o mesmo endereço fiscal".

O pedido de esclarecimento do movimento, que integra Francisco Mourão Benítez, candidato à presidência da Mesa da Assembleia Geral na lista de João Noronha Lopes, surge depois de terem sido remetidas as primeiras explicações sobre a matéria, solicitadas na quinta-feira.

O movimento Servir o Benfica, que alude a uma possível violação do artigo 44 dos estatutos do Benfica, entende que as explicações dadas nessa data por Rui Costa "são um lamentável processo de vitimização e de intenções sobre os signatários".

De acordo com o ponto quatro do artigo 44 dos estatutos do Benfica, "os membros dos órgãos sociais não podem, direta ou indiretamente, estabelecer com o clube e sociedades em que este tenha participação relevante, relações comerciais ou de prestação de serviços, ainda que por interposta pessoa, considerando-se para estes efeitos, nomeadamente, o cônjuge, ascendentes e descendentes".

Na sexta-feira, Rui Costa, até então vice-presidente, assumiu a liderança do Benfica, após Luís Filipe Vieira ter suspendido as funções como presidente, depois de ter sido detido no âmbito de uma investigação que envolve negócios e financiamentos superiores a 100 milhões de euros, com prejuízos para o Estado e algumas sociedades.

Luís Filipe Viera está em prisão domiciliária até ao pagamento de uma caução de três milhões de euros, por suspeita de vários crimes económico-financeiros.

Na operação Cartão vermelho, que envolve mais três suspeitos, Luís Filipe Vieira está indiciado por abuso de confiança, burla qualificada, falsificação de documentos, branqueamento de capitais, fraude fiscal e abuso de informação.

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