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Correio da Manhã

Desporto
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SIMÃO SABROSA FAZ HISTÓRIA

O Benfica despediu-se ontem do velho Estádio da Luz com uma exibição frouxa, mas conseguiu ganhar com um golo de penálti (bem assinalado) apontado por Simão na segunda parte, que alarga para sete pontos a margem sobre o Sporting na luta pela Liga dos Campeões. Simão, esse, entrou na história, com a obtenção do último golo na Luz. Os adeptos que encheram o recinto, 48 anos e 111 dias depois da inauguração do mais emblemático estádio português, mereciam ter visto melhor espectáculo.
23 de Março de 2003 às 01:23
No início até parecia que as coisas seriam diferentes. Embalado pelos 55 mil adeptos que encheram a Luz, o Benfica começou em grande e nos primeiros quatro minutos esteve por duas vezes perto de marcar. Aos 2', num livre da direita, Zahovic assistiu Simão, solto na área a rematar rente ao poste esquerdo. Dois minutos volvidos, Simão, cruzou da esquerda para Nuno Gomes que chegou tarde à bola. Depois desse lance tudo mudou. Foi como se um enorme 'click' tivesse… apagado a Luz. A bola começou a 'queimar' nos pés aos 'encarnados', os passes começaram a sair tortos e o público, sedento de uma vitória, cedo mostrou a sua impaciência. Com assobios. Claro que isto não ajudou, intranquilizou ainda mais o Benfica. E o Santa Clara aproveitou. Jogando naquele estilo característico das equipas de Carlos Alberto Silva, os açorianos respondiam ao 4x2x3x1 do Benfica com um povoamento intenso do meio-campo, numa espécie de 4x5x1. O jogo estava chato, com os jogadores do Benfica tolhidos pela ansiedade, lentos, e com muitas unidades em sub-rendimento, em particular Zahovic, como sempre o mais visado pelo público. Aos 28' ouviu mesmo uma reprimenda de Camacho e acabaria por sair ao intervalo. Só Hélder e Simão se salvavam.
Ao intervalo, Camacho fez o que tinha a fazer. Tirou Zahovic e fez entrar Sokota ganhando presença na área. Armando rendeu um desastrado Ricardo Rocha.
O Benfica mostrava agora mais vontade, apostava no jogo pelas alas e aproveitava o 'peso' de Sokota para meter bolas na área. E foi de um cruzamento de Miguel, do lado direito, que nasceria o golo, com Nuno Gomes a ser derrubado por Luís Vouzela na área. Grande penalidade bem assinalada pelo árbitro e melhor convertida por Simão. A Luz explodiu finalmente de alegria para celebrar o último golo no mítico recinto. Seguiu-se um período de euforia, o estádio em festa, ‘holas’ sucessivas, mas, no relvado, a equipa não ajudava. Muitos passes falhados, nervos à flor da pele. O Santa Clara tentou responder. O jogo partiu-se, bola cá bola lá, mas no momento decisivo, no último passe, nem benfiquistas nem açorianos acertavam. Até que Benquerença apitou para o fim. Gritou-se de alívio, alegria, tristeza. Adeus velha Luz!.
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