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Correio da Manhã

Desporto
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Simão Sabrosa foi convocado para o dérbi

As expectativas confirmaram-se e Simão Sabrosa integrou ontem a lista de 19 jogadores convocados por Fernando Santos para o embate com o Sporting. O capitão do Benfica esteve em dúvida para o dérbi mas conseguiu recuperar de uma tendinite no joelho esquerdo. Simão será titular frente ao clube onde cresceu para o futebol, formando dupla de ataque com Miccoli e contando com o apoio do ‘maestro’ Rui Costa, enquanto Nuno Gomes deverá ficar no banco.
29 de Abril de 2007 às 00:00
Rui Costa e Simão alinham de início frente ao Sporting
Rui Costa e Simão alinham de início frente ao Sporting FOTO: Carlos Patrão, Record
Fernando Santos não pode contar com o lesionado Luisão e deixou de fora, por opção técnica, Moretto, Marco Ferreira, Pedro Correia e Paulo Jorge. Para o dérbi Santos convocou Quim e Moreira; Nélson, Anderson, David Luiz, Léo e Miguelito; Petit, Karagounis, Katsouranis, Beto, João Coimbra, Manú e Rui Costa; Simão, Miccoli, Nuno Gomes, Derlei e Mantorras.
Ontem, o lateral-esquerdo Léo comparou o dérbi de Lisboa aos embates que disputou pelo Santos frente ao Corinthians. “Joguei cinco anos no Santos e quando enfrentávamos o Corinthians era uma tensão muito grande. Como acontece aqui nos dias que antecedem um clássico contra o Sporting”, afirmou, frisando: “Se perdermos ficaria muito mais difícil lutar pelo título.”
Léo elogiou os seus compatriotas do Sporting Liedson e Alecsando e deixou a receita para travar os avançados leoninos: “São dois grandes jogadores. Teremos de os marcar em cima e ficar atentos durante os 90 minutos.”
NOTAS
EUSÉBIO BEBE CHÁ
Eusébio não sabe se vai ao dérbi. Na sexta-feira jantou no restaurante Sete Mares, em Lisboa: peixe cozido e um copo de vinho. Para digestivo, tomou um chá.
BOLONI NÃO VAI VER O JOGO
Boloni, ex-treinador do Sporting, disse ao CM que não vai ver o jogo pela TV, mas acredita que os leões vão ganhar por terem “uma equipa talentosa”.
CASO FÉHER: BENFICA VENCE
A Relação do Porto decidiu que o Benfica não tem de pagar 600 mil euros ao FC Porto no caso Fehér, falecido há três anos. Os dragões podem recorrer para o Supremo.
SOBRAM 10 MIL BILHETES
O dérbi entre águias e leões não está a entusiasmar os adeptos como noutras ocasiões, pelo que ainda há cerca de dez mil bilhetes para vender.
ROCHA MARCOU E SAIU
Ricardo Rocha marcou no dérbi da primeira volta e joga agora no Tottenham. O Benfica venceu 2-0 com golos do central e de Simão.
ÁRBITRO PEDRO HENRIQUES ADEVERTE: "DEIXO JOGAR SE ME PERMITIREM"
O árbitro Pedro Henriques deixa para os jogadores de Sporting e Benfica a responsabilidade de decidir como querem que dirija o dérbi. Apesar de assumir que gosta de deixar jogar, o juiz de Lisboa impõe condições. “A minha maturidade dentro da arbitragem já está feita, de certa maneira, embora sempre se possa aprender algo mais no dia-a-dia. Irei fazer o que os jogadores me deixarem fazer. Se caírem e se levantarem de imediato, não passarem o tempo a contestar as minhas decisões, deixo jogar. Mas se passarem o tempo a cair por tudo e por nada, discutirem muito e forem além da dureza e dignidade permitidas, então terei de arrepiar caminho e, se calhar, mostrar muitos cartões”, adverte, dando como exemplo, o FC Porto-Sporting.
“O comportamento dos jogadores nesse jogo foi fantástico. A crítica foi muito favorável na análise ao trabalho do árbitro, mas a boa actuação da equipa de arbitragem ficou a dever-se, em grande medida, à atitude dos intervenientes.”
E acrescentou; “Espero que o mesmo suceda agora. Eles são excelentes profissionais, do ponto de vista da execução técnica. É com essa vertente que se devem preocupar. Há milhões de pessoas a ver o jogo e tudo o que se passar dentro de campo pode ser um bom ou mau exemplo.”
Pedro Henriques reconhece ainda que será um jogo de emoções, ao qual a equipa de arbitragem não será alheia. “Quem controlar melhor as suas emoções vence o jogo. Pelo menos tem mais hipóteses de que isso suceda. É uma verdade incontestável para o Benfica e o Sporting, mas também para a equipa de arbitragem. O comportamento dos jogadores é uma questão fundamental, pois é aí que muitas vezes se ganha ou se perde a arbitragem num jogo”, considerou.
O árbitro de Lisboa já sabe que uma vitória no dérbi pode render 6 ou 7 milhões, de acordo com a projecção feita pelo presidente do Sporting, Filipe Soares Franco, mas prefere manter-se à margem deste assunto: “Há muita coisa que se diz e escreve à volta destes jogos. Leio porque gosto de estar informado sobre estes pormenores, estar por dentro dos assuntos. Mas é uma questão que não terá, certamente, qualquer influência no meu trabalho.”
Sujeito às regras da Liga, Pedro Henriques não irá à sala de imprensa falar do encontro, mas está disponível para prestar declarações: “Não terei problemas em falar, mesmo que algo corra mal”.
O DIA DO ÁRBITRO
09h00: Levantar e pequeno-almoço, à base de leite, cereais e fruta
11h00: Caminhada e corrida na mata
13h00: Almoço: sopa de legumes, esparguete, bife ou peixe grelhado
14h30: Encontro com auxiliares Tiago Trigo e José Lima e o 4.º árbitro Hélio Santos, seguido de concentração num hotel
16h30: Lanche: fruta, chá e sumos
18h00: Saída do hotel, sob escolta policial
18h20: Chegada ao Estádio da Luz e vistoria ao relvado ainda de fato e gravata
18h40: Ida ao balneário da Luz para vestir o fato de treino
19h00: Reunião com intervenientes no jogo: delegados das duas equipas, director de campo, delegados da Liga, bombeiros e responsável pela segurança
19h10: Escolha da cor do equipamento que deve ser camisola amarela e calções pretos
19h15: Massagens no balneário – o massagista é cedido pela equipa da casa
19h30: Aquecimento no relvado: corrida e alongamentos
19h50: Regresso ao balneário, para vestir camisola do jogo, inspeccionar o apito e o aparelho de comunicação com os auxiliares e beber água
19h55: Chegada ao túnel de acesso ao relvado
20h00: Início do jogo
21h45: Final da partida
21h50: Regresso ao balneário: beber água, exercícios de relaxamento. Fazer o relatório e enviar por faxe para a Liga
22h30: Saída do estádio, sob escolta policial, rumo ao local onde foram deixadas as viaturas particulares
23h00: Chegada a casa. Refeição ligeira: pão, leite, fruta. Ver a gravação do jogo.
01h00: “Tentar dormir, o que é sempre difícil, corra o jogo bem ou mal.”
DÉRBIS DO PASSADO: 5 PRESIDENTES COM HISTÓRIA(S)
Benfica e Sporting atravessam um bom momento a nível institucional, mas nos últimos anos raramente tem sido assim, com azedumes e quezílias várias a marcarem o relacionamento entre os presidentes.
BORGES COUTINHO
Presidente do Benfica entre 1969 e 1977
O presidente mais aristocrático e cavalheiresco na história do Benfica. Sem nunca rejeitar o cunho marcadamente popular do clube, cultivou o fair-play e o respeito pelos adversários. Com o maior deles todos, o Sporting, manteve a rivalidade num plano saudável apesar de os dois clubes, a certa altura, terem cortado relações institucionais – que seriam reatadas já no consulado de João Rocha, com a bênção de Marcello Caetano.
SOUSA CINTRA
Presidente do Sporting entre 1989 e 1995
Empreendedor, eternamente optimista e algo demagogo (e ingénuo), Sousa Cintra restituiu aos leões a credibilidade perdida com Jorge Gonçalves e construiu uma equipa muito forte. As relações com o Benfica nunca foram famosas e atingiram o grau zero no célebre Verão de 1993, quando Cintra aproveitou a instabilidade benfiquista para aliciar os benfiquistas Paulo Sousa, Pacheco e João Pinto, este último resgatado in extremis por Jorge de Brito... mas foi Manuel Damásio quem consumou a vingança: 6-3 em Alvalade com hat-trick de JVP. Cintra nunca recuperou desse desastre.
VALE E AZEVEDO
Presidente do Benfica entre 1998 e 2001
Populista, demagógico, carismático, mitómano... e, veio a saber-se depois, profundamente desonesto, o advogado João Vale e Azevedo irrompeu pelo Benfica e pelo futebol português com a força de um tsunami. O primeiro dérbi de Vale aconteceu em Alvalade e o Benfica ganhou por 4-1. Contrariando o protocolo, o presidente encarnado comemorou cada golo com enorme espalhafato, o que irritou José Roquette.
LUíS FILIPE VIEIRA
Presidente do Benfica desde 2003
Impulsivo, sanguíneo e generoso, LFV é o presidente da retoma benfiquista a todos os níveis. A relação com o Sporting e com Soares Franco é de respeito e, percebe-se, tem vindo a estreitar-se. Hoje assistem ao dérbi lado a lado, ao cabo de uma semana sem proferir qualquer declaração agressiva sobre o velho rival. Com o anterior presidente, Dias da Cunha, LFV teve dias bons (chegaram a projectar uma aliança) mas também dias maus.
SOARES FRANCO
Presidente do Sporting desde 2006
‘Bon chic, bon genre’, o presidente do Sporting tem pose e discurso de cavalheiro. Não é um ‘homem do futebol’ e recebeu do portista Miguel Sousa Tavares um elogio significativo: é o único presidente que lhe merece confiança. O relacionamento com o Benfica tem sido cordial com tendência a melhorar. Aproveitou a excitaria mediática do dérbi para sugerir o final do protocolo ‘oficial’ que manda aos presidentes reprimirem emoções na tribuna de honra. Soares Franco assumiu que quer ver o dérbi ‘sem constrangimentos’ e festejar como um adepto. Original, no mínimo.
HÉLDER E NÉLSON COMENTAM
Hélder e Nélson, ex-Benfica e Sporting, respectivamente, são os comentadores do dérbi na Sport TV, que confiou a narração a Miguel Prates. Pacheco e Dani, que vestiram as camisolas dos dois clubes, centrar-se-ão nas incidências técnicas e tácticas de uma partida, sociologicamente falando, decifrada por Ana Santos.
O jogo da Luz mobiliza mais de 80 profissionais da Sport TV, que disponibilizou um total de 26 câmaras, 15 de jogo e as remanescentes de personalização. A emissão da TV de Desporto terá a duração de quatro horas, iniciando-se às 18h00, sendo Rui Orlando o pivô de serviço.
Num estúdio especial, montado na Luz, o jornalista Nélson Pereira conversará com Rogério e Ana, filhos, respectivamente, dos malogrados guarda-redes Bento e Damas, dois ícones dos velhos rivais.
1400 QUILÓMETROS PARA VER O DÉRBI
Dérbi é sinónimo de festa. José Carlos Domingos, benfiquista de Lagos (Algarve), e Carlos Alberto Costa, sportinguista de Amares (Minho), fazem hoje quase 1400 quilómetros (800 mais 600) para ver os clubes do coração.
“Sempre que posso não falho. Ainda menos uma partida destas”, diz José Carlos, proprietário de um restaurante no Bairro da Abrótea em Lagos. Sai às 9 horas e pensa gastar 75 euros com a ‘brincadeira’, bilhete e viagem incluídos.
Carlos Costa, estucador, tem uma tatuagem de um leão no ombro direito e viaja desde Braga, de onde virão 12 autocarros só de adeptos do Sporting. “Vamos dar-lhes outra vez 3-1”. O dérbi já começou.
Transmissão 20h00, SporTV1
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