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Correio da Manhã

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'SIMÃO VAI DAR LUGAR FIGO'

A selecção nacional chegou ontem à Suíça, onde esta noite defronta a Macedónia em Lausana (18h45, RTP 1) em jogo particular. Figo no lugar de Simão, será a única alteração efectuada por Scolari no ‘onze’ de Portugal em relação à equipa que alinhou ante o Brasil.
2 de Abril de 2003 às 00:09
Para que não existissem dúvidas, foi o próprio Scolari a anunciar a mudança, algo que nem lhe é habitual. Só que assim dissipa dúvidas quanto a um eventual mal-estar com Figo, ao mesmo tempo que mostra o seu apoio a Rui Costa e ainda diz a Deco que vai ter de se esforçar muito mais até ser compatível com as duas maiores estrelas.
“Vamos jogar com o mesmo modelo e os mesmos jogadores, com excepção de Simão, que vai dar o lugar a Figo. Quero a equipa a jogar mais à frente, porque a Macedónia não é o Brasil”, anunciou Scolari.
O técnico opta assim por fazer um teste a sério, apesar da equipa da Macedónia não ter o mesmo peso que o Brasil, e deixa as experiências para mais tarde. Scolari começa a ver melhorias na equipa, mas admite que “faltava alegria a este grupo”. “Jogar futebol é alegria, beleza” afirmou, sublinhando que aceita sugestões dos jogadores. “Não gosto do jogador que diga sempre sim e amém. Eu não sei tudo e também aprendo com os jogadores. Dentro do campo eles têm mais conhecimento do que a gente”.
O treinador garante que “o ambiente no balneário melhorou e aumentou o carinho”, mas em termos técnicos avisa que é preciso aperfeiçoar aspectos como os cruzamentos, as antecipações e os desarmes. “Estamos a evoluir, em média, 10 a 15 por cento por jogo”, sentenciou.
De resto, a manutenção do 4x4x2 a que Scolari parece ter-se rendido depois do mau teste de três centrais com a Itália, com Costinha e Maniche mais recuados para dar consistência ao meio-campo, Sérgio Conceição e Figo nas alas e Rui Costa no apoio a Pauleta.
Deco parece aceitar bem ser suplente e ontem, à partida para a Suíça, limitou-se a dizer que estava feliz por fazer a primeira viagem com a selecção portuguesa e que vai continuar a trabalhar para merecer a titularidade, não se tendo "deslumbrado" com todas as "coisas boas" que lhe aconteceram sábado à noite.
A viagem para Genebra foi, aliás, muito parca em palavras por parte dos jogadores. Simão também não quis comentar a perda da titularidade, limitando-se a usar a frase "opções do treinador, têm de se respeitar". O regresso de Figo é argumento, mas o jogador do Benfica também esteve mal nas Antas, talvez acusando os assobios das bancadas, que ontem voltou a ouvir no treino matinal.
Só Scolari se limitou a umas declarações simples para os media lusos que o esperavam no aeroporto suíço.
De resto, Luís Loureiro foi abordado pelos jornalistas acerca do interesse que alguns clubes grandes, entre eles o Benfica, mostraram na sua contratação, dizendo-se "muito satisfeito e orgulhoso" com a situação e Deco nem quis falar das notícias que o colocavam na mira dos grandes da Europa.
BRASIL É MAIS MOTIVADOR
Sérgio Conceição afirmou que jogar frente à Macedónia, não será tão motivante como o encontro com o Brasil, assegurando no entanto o mesmo empenho. “Não escondo que jogar com a selecção do Brasil é mais motivador do que defrontar a Macedónia. Acho que devemos jogar com adversários mais fortes, mas, mesmo com os mais fracos, devemos fazê-lo com o mesmo empenho”, garantiu.
Curiosa foi a forma como Sérgio Conceição reagiu quando foi substituído por Deco no jogo com o Brasil: “Sabem que não gosto de ser substituído, mas fiquei muito satisfeito quando Deco marcou o golo e por tudo o que rodeou a sua entrada na Selecção”.
TEMOS DE NOS EMPENHAR MAIS
O “capitão” Fernando Couto realça a importância da "união e espírito de grupo" na selecção nacional, quando se avizinha um jogo teoricamente fácil frente à Macedónia e depois da vitória sobre o poderoso Brasil. O central sustenta "que temos de ser unidos para não acontecer quebra de motivação" diante dos macedónios, tanto mais que o mister Scolari também já avisou para esse problema. "Temos que nos empenhar ao máximo", desafiou o experiente Couto, sustentando que este jogo "é um bom teste". O patrão da defesa reconhece que triunfo sobre o Brasil foi revitalizador – "as vitórias ajudam sempre" –, ao mesmo tempo que sugere que Portugal "está no bom caminho para fazer coisas interessantes".
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