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Correio da Manhã

Desporto
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Só Barça parece impossível

O Benfica que hoje conhece em Paris (11h00, com transmissão na Sport TV) o adversário para os quartos-de-final da Liga dos Campeões é um Benfica diferente – muito diferente – daquela equipa meio incipiente que iniciou a presente campanha com uma vitória ‘in extremis’ na Luz sobre os franceses do Lille (1-0).
10 de Março de 2006 às 00:00
O golo de Simão calou Anfield Road e colocou de novo o Benfica nas bocas do Mundo
O golo de Simão calou Anfield Road e colocou de novo o Benfica nas bocas do Mundo FOTO: Phil Noble Sport, Reuters
Quase meio ano decorrido, o Benfica é olhado [analisado e comentado] com respeito e até volta a merecer os epítetos de outrora – “Lisbon giants” e “Le grand Benfica” – na correnteza noticiosa internacional. Ah pois. Esta é a equipa que acaba de eliminar em pleno Anfield Road (2-0) os campeões europeus em título com a justiça inatacável que o saldo final da eliminatória fielmente documenta: 3-0. Três a zero ao Liverpool! De repente, a Europa dá-se conta de que o clube de Eusébio e Coluna está de regresso à prova que lhe deu fama e proveito.
A maneira autoritária como o Benfica eliminou o Liverpool mudou, tinha de mudar!, a percepção do sorteio de hoje. Onde ontem se lia ‘papão’ hoje deve ler-se ‘venham lá’. Porque quem arromba o campeão europeu nessa fortaleza mítica de Anfield como o Benfica arrombou... tem todo o direito e toda a legitimidade de não temer ninguém – inclusivamente o Barcelona, de longe a mais forte e a mais brilhante das equipas em prova. Não quer isto dizer que quem vier a seguir ‘morre’, mas que o Benfica trata novamente por ‘tu’ os antigos parceiros da elite continental é um facto. E isso ajuda muito. Sendo o ‘Barça’ o adversário mais incómodo [está à vista porquê], convém não menosprezar a força do Olympique Lyon de Gerard Houllier, cujo futebol tem muitas semelhanças com o de Rijkaard: é o primado do talento, do improviso e da fantasia, a luz verde à criatividade dentro de uma organização modelar.
Já a Juventus e o Milan, como o Chelsea e o Liverpool, pertencem a outro reino. O primado do músculo, de força e de eficácia. A parelha inglesa foi varrida sem apelo. A parelha italiana – a que se deve juntar proximamente o Inter – só mete medo a quem ignora as deficiências endémicas de quem joga sobretudo para não perder. Koeman não pode ignorar o exemplo do corajoso Werder Bremen, que só não eliminou a ‘invencível’ Juve por manifesta infelicidade do guarda-redes Wiese. Quanto ao Milan, tem dado no passado recente demasiados exemplos de descontrolo e desequilíbrio para poder assustar. Villarreal e Ajax (se passar), esses sim, parecem os adversários mais acessíveis, sobrando o inquietante Arsenal, completamente concentrado na ‘Champions’. Mas quem derrota Manchester e Liverpool de enfiada... é isso, não há duas sem três e os portugueses acostumaram-se a bater nos ingleses. Dá-nos gozo. Venha então o Arsenal.
ADVERSÁRIOS DE PESO PARA O BENFICA
BARCELONA
Treinador: Franklin Rijkaard (holandês)
Estrela: Ronaldinho «Gaúcho»
Posição no Campeonato: líder.
Percurso: Grupo C (1.º) – W.Bremen (f 2-0; c 3-1); Udinese (c 4-1; f 2-0); Panathinaikos (f 0-0; c 5-0); O. final: Chelsea (f 2-1; c 1-1).
Aspectos positivos: organização, talento, fantasia e capacidade de improviso; dois foras-de-série mundiais como Ronaldinho e Messi.
Aspectos negativos: possibilidade de um dia mau, ao mesmo tempo, de Ronaldinho, Messi, Deco e Eto’o.
Equipa-tipo: Valdes; Oleguer, Marquez, Puyol e Van Bronckhorst; Edmilson e Thiago Motta; Deco; Messi, Ronaldinho e Eto’o.
JUVENTUS
Treinador: Fabio Capello (italiano)
Estrela: David Trezeguet.
Posição no campeonato: líder.
Percurso: Grupo A (1.º) – Brugge (f 2-1; c 1-0); Bayern (f1-2; c 2-1) Rapid (c 3-0; f 3-1); O.Final: Werder Bremen (f 2-3; c 2-1)
Aspectos positivos: grande experiência, calo e hábito de vencer; os golos de Trezeguet, a força de Nedved, Emerson e Vieira, o talento de Del Piero e Ibrahimovic.
Aspectos negativos: defesa algo periclitante – 9 golos sofridos em 8 jogos.
Equipa-tipo: Buffon; Zebina, Thuram, Cannavaro e Zambrotta; Camoranesi, Vieira, Emerson e Nedved; Ibrahimovic e Trezeguet.
MILAN
Treinador: Carlo Ancelotti (italiano)
Estrela: Andrei Shevchenko
Posição no Campeonato: 2.º, a 10 pontos do líder.
Percurso: Grupo E (1.º) – Fenerbahçe (c 3-1; f 4-0); Schalke 04 (f 2-2; c 3-2); PSV (c 0-0; f 0-1); O. final: Bayern (f 1-1; c 4-1).
Aspectos positivos: grande experiência internacional; poder de fogo notável; classe de Shevchenko e Kaká e Inzaghi novamente «matador».
Aspectos negativos: irregularidade, inconstância exibicional e defesa longe de ser impermeável (8 golos em 8 jogos)
Equipa-tipo: Dida; Stam, Nesta, Kaladze e Serginho; Vogel, Pirlo e Seedorf; Kaká; Shevchenko e Gilardino (Inzaghi).
OLYMPIQUE LYON
Treinador: Gerard Houllier (francês)
Estrela: Juninho «Pernambucano»
Posição no Campeonato: líder.
Percurso: Grupo F (1.º) – Real Madrid (c 3-0; f 1-1); Rosenborg (f 1-0; c 2-1); Olympiakos (c 2-1; f 4-1) O. Final: PSV (f 1-0; c 4-0).
Aspectos positivos: organização, qualidade, entrosamento; jogadores talentosos e maduros; irresistível nos jogos em casa.
Aspectos negativos: nada de gritante. A equipa é muito sólida.
Equipa-tipo: Couplet; Clerc, Cris, Abidal e Muller; Tiago, Diarra e Juninho Pernambucano; Wiltord, John Carew e Malouda.
ARSENAL FC
Treinador: Arsène Wenger (francês)
Estrela: Thierry Henry
Posição no Campeonato: 3.º, a 28 pontos do líder.
Percurso: Grupo B (1.º) – FC Thun (c 2-1; f 1-0); Ajax (f 2-1; c 0-0); Sparta Praga (f 2-0; c 3-0) O. Final: Real Madrid (f 1-0; c 0-0).
Aspectos positivos: equipa completamente empenhada na Champions; o génio de Thierry Henry, os passes de Fabregas, a visão de Wenger. Defesa de betão.
Aspectos negativos: na Europa tem mostrado falta de classe nos momentos decisivos.
Equipa-tipo: Lehmann; Eboué, Touré, Senderos e Flamini; Hleb e Cesc Fabregas; Gilberto, Robert Pires e Ljungberg; Thierry Henry.
INTER
Treinador: Roberto Mancini (italiano)
Estrela: Adriano Leite
Posição no Campeonato: 3.º, a 14 pontos do líder.
Percurso: Pré-eliminatória – Shaktior (f 2-0; c 1-1); Grupo E (1.º) – Artmedia (f 1-0; c 4-0; Rangers (c 1-0; f 1-1); Porto (f 1-2; c 2-1) Oitavos-de-Final: Ajax (f 2-2)
Aspectos positivos: a liderança de Figo, a potência de Adriano e Martins, o oportunismo de Julio Cruz. Grande experiência internacional.
Aspectos negativos: treinador vulgar, inconstância exibicional e fragilidade psicológica devido ao longo historial de insucessos.
Equipa-tipo: Toldo; J Zanetti, Cordoba, Samuel e Burdisso; Veron; Figo, Stankovic e Cambiasso; Adriano e Obafemi Martins (Julio Cruz).
VILLARREAL
Treinador: Manuel Luis Pellegrini (chileno)
Estrela: Juan Roman Riquelme
Posição no Campeonato: 3.º, a dez pontos do líder.
Percurso: Pré-eliminatória – Everton (f 2-1; c 2-1); Grupo D (1.º) – Man. Utd C 0-0; f 0-0); Lillre (f 0-0; c 1-0); Benfica (c 1-1; f 1-0); O. Final: Rangers (f 2-2; c 1-1).
Aspectos positivos: raça e combatividade, Riquelme e Forlán, e dez jogos sem qualquer derrota (!!!).
Aspectos negativos: a falta de «calo» há-de pesar.
Equipa-tipo: Viera; Javi Venta, Gonzalo, Peña, Arruabarrena; Tacchinardi, Senna e Josico; Riquelme; Forlán e Jose Mari.
AJAX
Treinador: Danny Blind (holandês)
Estrela: Klas Jan Huntelaar.
Posição no Campeonato: 4.º, a 20 pontos do líder.
Percurso: Pré-eliminatória – Brondby (f 2-2; c 3-1); Grupo B (2.º) – Sparta Praga (f 1-1; C 2-1); Arsenal (c 1-2; f 0-0); FC Thun (c 2-0; f 4-2); Oitavos-de-Final: Inter (c 2-2)
Aspectos positivos: a juventude, a irreverência, e o talento de alguns «miúdos» endiabrados como Boukhari, Rosenberg e Huntelaar.
Aspectos negativos: falta de experiência, ingenuidade e inexistência de pesos-pesados.
Equipa-tipo: Stekelenburg; Trabelsi, Heitinga, Vermaelen, Emanuelson; Rosenberg, Maduro, Linderbergh; Mauro Rosales, Huntelaar, Boukhari.
HISTORIAL DOS CONFRONTOS DO BENFICA
O balanço do Benfica com os possíveis adversários não é famoso: o Milan é uma ‘besta negra’, assim como o Inter e o Ajax. Com o ‘Barça’ e a Juve, a coisa ainda está ‘fifty-fifty’, mas o Arsenal e o Villarreal (desforra!) é que vinham a calhar...
BARCELONA
1960/61 - Liga dos Campeões (final): 3-2 (campo neutro)
1991/92 - Liga dos Campeões (grupos): 0-0 (casa) e 1-2 (fora)
JUVENTUS
1967/68 - Liga dos Campeões (meia-final): 2-0 (casa) e 1-0 (fora)
1992/93 - Taça UEFA (quartos-de-final): 2-1 (casa) e 0-3 (fora)
AC MILAN
1962/63 - Liga dos Campeões (final): 1-2 (campo neutro)
1989/90 - Liga dos Campeões (final): 0-1 (campo neutro)
1994/95 - Liga dos Campeões (quartos-de-final): 0-2 (fora) e 0-0 (casa)
VILLARREAL
2005/06 - Liga dos Campeões (grupos): 1-1 (fora) e 0-1 (casa)
INTER DE MILÃO
1964/65 - Liga dos Campeões (final): 0-1 (campo neutro)
2003/04 - Taça UEFA (3.ª eliminatória): 0-0 (casa) e 3-4 (fora)
ARSENAL
1991/92 - Liga dos Campeões (2.ª eliminatória): 1-1 (casa) e 3-1 (fora)
AJAX
1968/69 - Liga dos Campeões (2.ª eliminatória): 3-1 (fora); 1-3 (casa) e 0-3 (campo neutro)
1972/72 - Liga dos Campeões (meia-final): 0-1 (fora) e 0-0 (casa)
OLYMPIQUE LYON
Nunca defrontou.
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