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Correio da Manhã

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Só depende de Vieira

Sensivelmente um mês depois do arresto de bens da sua casa em Cascais, devido ao processo que o opunha ao banco luxemburguês Déxia, o dia-a-dia de José Veiga regressa pouco e pouco à normalidade, pelo que o regresso à Luz é um cenário cada vez mais provável.
17 de Dezembro de 2006 às 00:00
José Veiga recebeu ontem de volta os bens que tinham sido arrestados: os tapetes, quadros, sofás, televisões, plama...
José Veiga recebeu ontem de volta os bens que tinham sido arrestados: os tapetes, quadros, sofás, televisões, plama... FOTO: Vitor Chi, Record
Com a resolução desta situação – através de um acordo extrajudicial para o pagamento de 1,5 milhões de euros –, o empresário tem assim as portas abertas para regressar à Luz. Recorde-se que foi precisamente este caso que levou Veiga à demissão. Na altura, o presidente Luís Filipe Vieira reagiu à saída manifestando todo o seu apoio, garantindo que esperava contar com Veiga “muito brevemente”. “Tenho de ter uma conversa com Luís Filipe Vieira, que é uma pessoa que muito estimo. A vontade do presidente é essencial. Quando chegar a hora, vamos falar”, garantiu.
O ex-director-geral das ‘águias’ recordou, de resto, que só saiu para limpar a sua própria imagem. “Quando pedi ao presidente para sair não me sentia bem com esta situação porque era um caso particular. Sabia que a ia resolver muito rapidamente, como foi o caso, e não queria utilizar o Benfica ou a instituição Benfica como escudo para me proteger”, sublinhou. “O que eu queria era mostrar a todo o País, aos portugueses, que estou completamente inocente no que me fizeram nestes dois casos”, adiantou, referindo-se ao caso Déxia que conduziu ao arresto de bens e ao caso João Pinto.
VEIGA CHAMOU JORNALISTAS
Veiga recebeu ontem, por volta das 16h00, os objectos que lhe tinham sido retirados no passado mês de Novembro, isto depois de ter ficado resolvido o caso que mantinha em Tribunal com a entidade bancária do Luxemburgo.
“Sabia que ia resolver este problema porque já existia um princípio de acordo, agora vamos aguardar pelos próximos tempos”, afirmou Veiga que fez questão de chamar os jornalistas para presenciarem o regresso dos bens à sua casa em Birre. “Convidei-os para estarem aqui presentes, hoje fui eu que fiz questão de o fazer, para mostrar que este era um problema que tinha de ficar resolvido. Depois da forma como fui tratado na praça pública na altura do arresto, fiz questão de me defender. Neste País há dois tipos de justiça, uma nos tribunais e outra na praça pública. O problema foi resolvido em tempo recorde, porque já havia um princípio de acordo, que só não se concretizou antes devido às burocracias deste País”, concluiu José Veiga.
VEIGA REAFIRMA INOCÊNCIA NO CASO JVP
Constituído arguido no caso da transferência de João Pinto, José Veiga voltou a clamar pela sua inocência. “Tentaram envolver-me neste caso, mas não tenho nada a ver com isto. Estou completamente inocente e irei prová-lo rapidamente”, garantiu.
O ex-dirigente ‘encarnado’ referiu ainda que quando o actual jogador do Sp. Braga testemunhar sobre todo o processo de transferência para o Sporting em 2000, a verdade vai surgir. “Penso que o essencial neste caso é que o João seja ouvido, porque quando ele disser a verdade provarei rapidamente que estou inocente”. Veiga garante ainda que tem na sua posse alguns documentos que o ilibam de todo este processo. “ Tenho documentos para entregar onde provo que estou inocente”, frisou criticando Filipe Soares Franco. “ Lamento a forma como se comportou numa conferência de imprensa onde se fartou de exibir documentos e o documento essencial, um só documento, não o exibiu”, afirmou.
FRASES DO PROCESSO
"Tenho família, e prezo a minha família. O que fizeram tocou-me." Veiga 14/11/06
"A administração espera, muito brevemente, voltar a contar com José Veiga no Benfica." Vieira 14/11/06
"Não pensem que me demiti do Benfica por este caso [João Pinto], se fosse por este caso não me demitia." Veiga 21/11/06
"Saí para poder limpar a minha imagem sem precisar do Benfica como escudo." Idem 16/12/06
"Tenho de ter uma conversa com Vieira." Idem 16/12/06
APONTAMENTOS
BENS QUE REGRESSAM
Funcionários do Tribunal de Cascais transportaram para a residência de Veiga em Birre, os inúmeros objectos arrestados no dia 14 de Novembro. Sofás, obras de arte, tapetes, ecrãs plasma, etc. regressaram ontem ao seu local originário.
SUPERFUTE
O Fisco reclama três milhões de euros à ex-empresa de Veiga, Superfute (agenciamento de jogadores), entre os anos de 1997 e 1999.
IRS
A título individual, as Finanças de Cascais reclamam do antigo director-geral da SAD ‘encarnada’ uma dívida de mais de três milhões de euros, relativa ao IRS do ano de 2000.
IVA
O Fisco reclama ainda uma dívida de 1,4 milhões de euros referentes ao IVA do ano 2000. Foram penhorados ainda as acções que Veiga detinha no clube e um terço do salário auferido no Benfica.
"LIVRO É UMA BOA PRENDA DE NATAL"
O ex-director desportvo do Benfica confessou que já leu o livro de Carolina Salgado, mas não se mostrou surpreendido com as declarações da ex-companheira de Pinto da Costa. “Não me surpreende. É um livro que possivelmente não diz o que há para dizer, mas é um livro interessante. Já li e nesta época natalícia acho que é uma boa prenda de Natal para muita gente”, afirmou José Veiga, que refere ainda que na publicação “fica a faltar dizer muita coisa”.
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