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Correio da Manhã

Desporto
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Só Jehle parou o Benfica

Peter Jehle, cidadão de um minúsculo país europeu chamado Liechtenstein, impediu ontem o Benfica de sair do Estádio do Bessa com os três pontos que merecia e que seriam prémio justo para uma das mais dinâmicas exibições da época. Em processo de consolidação do dispositivo táctico imposto por Chalana, os encarnados tiveram o seu adversário encostado às cordas, durante boa parte do segundo tempo, faltando apenas melhor eficácia na finalização.
7 de Abril de 2008 às 00:30
O central benfiquista Edcarlos é superado nas alturas pelo médio boavisteiro Diakité
O central benfiquista Edcarlos é superado nas alturas pelo médio boavisteiro Diakité FOTO: Estela Silva/Lusa

Faltou o golo que por várias vezes ameaçou ser gritado nas bancadas (mais encarnadas do que axadrezadas) e sobrou Jehle, o homem que parou tudo o que havia para deter e se calhar até mais do que isso.

O Benfica, de resto, entrou melhor no jogo e aos 16’ já tinha rematado por três vezes com perigo à baliza do Boavista. No cumprimento da velha máxima que reza ‘em equipa que ganha não se mexe’, Chalana manteve o onze e o esquema apresentados no jogo anterior, que garantiu vitória folgada sobre o Paços de Ferreira (4-1). Com Cardozo e Nuno Gomes juntos na frente, o Benfica é agora uma equipa mais esticada, que abre mais o espaço de jogo para os médios, o que facilita o remate de média e longa distância. Uma estratégia que também tem riscos, pois a defesa fica mais desprotegida e exposta. Por esta razão Edcarlos cometeu uma grande penalidade e os dois ‘centrais’ ficaram amarelados, tudo no espaço de três minutos. Lances que, obviamente, refrearam um pouco o ímpeto com que o Benfica abordou os minutos iniciais. Valeram então as mãos de Quim a parar o remate de Jorge Ribeiro, para desespero de Jaime Pacheco, a assistir ao jogo na bancada do Bessa, no cumprimento de castigo federativo.

Até ao final da primeira parte, o jogo, sempre intenso, às vezes eléctrico, ficou repartido. Mas tal como já se havia visto antes, o Benfica voltou a entrar bem, intensificou a pressão a partir dos 60 minutos, deixou o adversário sem ar, quase a sufocar, faltou apenas o ‘golpe no estômago’, o KO que pareceu por várias iminente, mas não aconteceu. Sob a forma das defesas de Jehle, dos cortes dos defesas do Boavista em cima da linha ou até da trave.

REVOLTA BENFIQUISTA NO TÚNEL

O final do jogo ficou marcado por incidentes no túnel de acesso aos balneários que envolveram Rui Costa, Petit, elementos do Boavista e a equipa de arbitragem liderada por Lucílio Baptista. Indignados com a arbitragem, os jogadores do Benfica protestaram e gerou-se uma enorme confusão, obrigando mesmo a intervenção policial para apaziguar os ânimos.

O treinador do Benfica Fernando Chalana falou em vergonha. 'O Benfica fez uma grande exibição, parabéns aos meus jogadores, foram grandes homens, grandes atletas, e parabéns ao público. Mas assim é impossível, jogámos contra tudo e todos. Ficaram dois penáltis por marcar, para nos empurrar ainda mais para baixo, isto é uma vergonha. E fico por aqui', declarou à Sport TV.

Katsouranis disse que o jogo lhe fez lembrar o do ano passado na Luz e deixou entrever que vai mesmo deixar o Benfica: 'Amo o Benfica mas tem a ver com a minha vida pessoal. Falamos no fim da época, agora não.'

POSITIVO

UM BLOCO... DE JEHLE

Peter Jehle, guarda-redes com várias dezenas de internacionalizações pelo Liechtenstein no currículo, terá feito ontem a melhor exibição desde a chegada ao futebol português. Uma noite em cheio, a negar a vitória ao Benfica.

NEGATIVO

RETRAIMENTO AXADREZADO

O Boavista, depois de algum desacerto inicial, deu a ideiade poder equilibrar o jogo.Na segunda parte, todavia, entrou retraído, deixou o Benfica crescer e acabou de calças na mão, com um jogador a menos e a sofrer.

ARBITRAGEM

NOITE COMPLICADA

Noite muito complicada para Lucílio Baptista com vários lances passíveis de grande penalidade, tendo ficado por assinalar uma carga irregular sobre Petit e muitas dúvidas no lance de uma eventual mão de Brayan. Esteve bem no penálti contra o Benfica.

APONTAMENTOS

DESACATOS

Antes do jogo verificaram-se alguns desacatos entre adeptos do Boavista e do Benfica no exterior do estádio, dos quais resultaram dois feridos. Segundo o Maisfutebol, um deles era adepto dos encarnados e tinha um golpe profundo na cabeça. fonte policial confirmou ainda ao CM que um adepto do Benfica foi detido por agressão a um polícia.

MÃI NA BOLA?

Aos 90 3’ os encarnadosreclamaram mão na bolade Brayan. Ficaram dúvidasmas Lucílio Baptista nadaassinalou.

FICHA DE JOGO

Local: Estádio do Bessa (Assistência: 15 000)

Árbitro: Lucílio Baptista (Setúbal)

BOAVISTA:  Jehle, Rissutt, Marcelão, Moisés, Brayan Angulo, Diakité, Fleurival (Gilberto 74m), Jorge Ribeiro, Laionel (Fary 70m), Mateus, Zé Kalanga (Hussaine 46m).

Treinador: Jaime Pacheco

BENFICA: Quim, Nélson, Edcarlos, Katsouranis, Léo, Petit, Maxi Pereira (Di Maria 60m), Rui Costa, Rodríguez, Cardozo, Nuno Gomes (Mantorras 77m).

Treinador: Fernando Chalana

Marcador: Nada a assinalar.

Acção Disciplinar: Amarelos: Edcarlos (24m), Katsouranis (26m), Zé Kalanga (40m), Maxi Pereira (59m), Brayan Angulo (81m), Petit (85m), Gilberto (90 4m) Vermelhos: Rissut (79m)

O Melhor: Peter Jehle (Boavista)

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