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Correio da Manhã

Desporto
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Só um forte Arsenal derrubou o dragão

O FC Porto perdeu com o Arsenal (1-2) no Torneio de Amesterdão – o segundo desaire da pré-época, após a derrota com o Vitesse –, numa partida em que os ‘dragões’ até começaram por dar boas indicações, mostrando forte dinâmica de conjunto.
1 de Agosto de 2005 às 00:00
Postiga e Henry lutam pela posse de bola na Arena de Amesterdão num duelo interessante
Postiga e Henry lutam pela posse de bola na Arena de Amesterdão num duelo interessante FOTO: Olaf Kraak/Epa
Com Vitor Baía na baliza – tal como Co Adriaanse havia prometido depois de ter escolhido Hélton no jogo com o Boca Juniors –, os ‘dragões’ não se intimidaram com o adversário e partiram para uma primeira parte desinibida colocando várias vezes à prova os londrinos.
Após um primeiro remate enrolado de Bentley que parecia indiciar um maior sentido pela baliza contrária por parte do Arsenal, a grande mobilidade evidenciada pelos dianteiros do FC Porto acabou por marcar a tendência do jogo e, por várias vezes, McCarthy e companhia criaram situações de perigo. Só aos 35 minutos Flamini incomodou os ‘dragões’, quando falhou o golo frente a Vítor Baía. Mas no minuto seguinte o FC Porto chegou à vantagem no marcador, com Lisandro Lopez a concluir com êxito junto ao poste esquerdo da baliza do Arsenal, depois de ter sido servido pelo cruzamento de Jorginho e num lance em que McCarthy havia falhado um primeiro desvio para golo.
Na segunda parte, com Bergkamp a imprimir uma outra variedade ao jogo ofensivo do Arsenal, os londrinos igualaram o marcador logo no reatamento, quando Ljungberg rematou cruzado para o fundo das redes, após uma assistência de Henry. A partir daqui o ataque do Arsenal tomou outra dimensão e não tardou que se adiantasse no marcador. Mais uma vez, o sueco Ljungberg não facilitou quando apareceu na cara de Vítor Baía após abertura de Flamini.
Robert Pires e Bergkamp poderiam ter dilatado a vantagem, mas pertenceu a Jorginho, já quase sobre o apito final, uma oportunidade soberana para chegar ao empate, quando foi servido pelo lançamento longo de Paulo Assunção para as costas da defesa adversária. Um bom teste para os portistas.
FICHA TÉCNICA
Local: estádio Arena de Amesterdão, na Holanda (45.000 espectadores)
Árbitro: P. Vink (Holanda)
FC Porto: Vitor Baía, Sonkaya, Ricardo Costa, Pedro Emanuel, Leandro, Jorginho, Lucho Gonzalez, Raul Meireles, Lisandro Lopez, Hélder Postiga, Benni McCarthy. Jogaram ainda: Ivanildo, Hugo Almeida, Pepe, Paulo Assunção, Sokota. Treinador: Co Adriaanse.
Arsenal: Lehmann, Lauren, Cygan, Senderos, Ashley Cole, Flamini, Robert Pires, Hleb, Bentley, Reyes, Henry. Jogaram ainda: Bergkamp, Ljungberg, Touré, Eboué, Hoyte, Djourou. Treinador: Arsene Wenger.
Marcador: 1-0, Lisandro Lopez (35m); 1-1, Ljundberg (46m); 1-2, Ljundberg (58m)
Acção disciplinar: Nada a registar.
OLHAR ATENTO
"INFLUÊNCIA DO TREINADOR" (Pôncio Monteiro)
“A exibição do FC Porto foi uma agradável surpresa independentemente do resultado. Há muito tempo que não via uma influência tão grande de um treinador numa equipa. Já existe um bom padrão de jogo e estou certo de que o FC Porto vai criar sensação ao longo da época. Para além dos reforços que já lá estavam, como o Hélder Postiga e o Raul Meireles, juntaram-se os argentinos e o Jorginho, entre outros. A defesa vai melhorar.”
"MOVIMENTOS HARMONIOSOS" (Octávio Machado)
“Foi um jogo muito competitivo entre duas equipas que ainda estão, naturalmente, a consolidar processos. Na primeira parte as equipas equilibraram-se enquanto na segunda metade foi evidente, durante algum tempo, uma melhor qualidade do Arsenal. Mesmo nesta fase foi gratificante ver actuações como a do Vítor Baía. Jorginho e Lucho revelam qualidade, mas no contexto geral já foi possível ver no FC Porto movimentos bastante harmoniosos.”
"EQUIPA ESTÁ MAIS DINÂMICA" (Hernâni Gonçalves)
“O FC Porto optou, e muito bem, por jogar um torneio de prestígio onde estavam presentes equipas de elevada qualidade. Em face disto viu-se uma grande dinâmica e uma excelente capacidade de entreajuda. Uma derrota é uma derrota, mas estas não têm qualquer expressão. Relativamente ao ano passado o FC Porto está com mais dinâmica e nota-se uma grande vontade de ganhar. Enfim, houve uma boa resposta num jogo muito estimulante, também para os próprios jogadores.”
PALMAS PARA DIEGO MARADONA
Cerca de 45 mil espectadores marcaram presença no Arena de Amesterdão. Entre eles estava Diego Maradona, que recebeu um estrondosa salva de palmas quando os operadores de câmara em serviço no estádio o descobriram e a sua imagem foi projectada nos ecrãs gigantes do recinto. Maradona é Maradona e a sua presença, onde quer que vá, continua a suscitar sempre grande interesse.
Também o antigo treinador do Benfica e actual seleccionador da Inglaterra, Sven-Goran Erickson, esteve presente, ou não estivesse em campo uma das mais renomadas equipas da Premier League.
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