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Sobre as duas capitais ibéricas

Sabe-se lá porque forças está posto o Real Madrid uma espécie de “reality show” que já cansa. À tristeza de Cristiano Ronaldo que tanto comoveu e preocupou o mundo, junta-se a despromoção de Sérgio Ramos transformada em tema de debate nacional e, como se não bastasse, contabiliza-se também neste rol de birras a atitude do “capitão” Casillas que ao não festejar o golo com que o português selou a vitória sobre o Manchester City deu muito que falar por toda a parte onde existam televisores.

29 de setembro de 2012 às 15:00

É tudo menos futebol, este Real Madrid que deve estar a deixar José Mourinho pelos cabelos cada vez mais embranquecidos, pudera. Tudo acontece ao Real Madrid. No domingo nem sequer conseguiu jogar porque faltou a electricidade no campo de Vallecas. O episódio nada teve de inocente. O presidente do Rayo Vallecano, o senhor Martín Presa pediu desculpa aos adeptos que se deslocaram ao estádio e pediu também uma investigação que possa levar a identificar os "vândalos" que cortaram os cabos da electricidade impedindo a realização do espectáculo.

No campeonato passado, em Portugal, aconteceu coisa vagamente semelhante ainda que sem dolo, como concordaram todas as partes postas perante a inocência dos factos. No jogo que o Benfica foi disputar a Braga o quadro eléctrico do bonito estádio AXA foi-se abaixo por três vezes durante o jogo, obrigando a interrupções longuíssimas da partida e aos absurdos daí decorrentes em termos do ritmo do jogo, naturalmente. Ai que saudades dos futebol à tarde.

Saudades também devem ter, e muitas, os adeptos do Benfica e do Sporting, dos tempos idos em que a histórica rivalidade se discutia entre ambos nos campos de futebol. Nos tempos presentes, a coisa mudou. Os dirigentes dos dois rivais da Segunda Circular entretém-se agora a agitar as respectivas hostes trocando comunicados e discursos deprimentes sobre quem tem e quem não tem o maior passivo em jeito de "a minha ruína é melhor do que a tua".

Na velha Ibéria, os ventos não estão de feição para os clubes das duas capitais. O Real Madrid vai ao psiquiatra, o Benfica é engolido pelo Xistrema e o Sporting festeja uma vitória sobre o Gil Vicente como se tivesse levado de vencida a Liga dos Campeões. Estão todos doentes.

ERRAR É HUMANO

Digam lá qualquer coisinha 

Os árbitros deveriam ser autorizados a falar. A sua importância é capital e não se entende a razão que os obriga ao silêncio quando todos os demais intervenientes se podem expressar livremente sobre as ocorrências. Não só podem como até são obrigados a fazê-lo por contrato com os patrocinadores e com as estações de televisão que asseguram os direitos de transmissão.

A presença de treinadores e de jogadores frente às câmaras faz parte do espectáculo e os faltosos são multados sem dó. Mas os árbitros não. A FIFA não deixa. Não se compreende. Terão os maiorais do futebol receio de que os árbitros se possam espalhar ainda mais ao comprido na retórica sem apito do que, eventualmente, já se terão espalhado em campo com apito?

Meio ano depois de ter validado o golo irregular de Maicon que lançaria o FC Porto para o seu último título, o fiscal-de-linha Ricardo Santos veio a público admitir que se tinha enganado naquilo a que chamou de "um momento de distracção". É uma expressão curiosa que até poderia fazer escola se os árbitros fossem autorizados a falar depois dos jogos. No domingo, em Coimbra, teria sido interessante ouvir-se Carlos Xistra falar sobre um, dois, três, ou mesmo quatro momentos de distracção. E assim se valorizava o espectáculo.

POSITIVO

Bandido de ouro

Um golo e duas assistências do jovem James Rodriguez e lá saiu o Beira-Mar do estádio do Dragão vergado a uma pesada derrota. O colombiano está a fazer um início de temporada de senho.

Lima à bomba

Terá sido, porventura, a contratação do Benfica que menos entusiasmou os adeptos. Avançados há muitos na Luz e há benfiquistas que não gostam de se ver a financiar António Salvador. Mas em Coimbra, Lima já rendeu 1 ponto.

NEGATIVO

Dirigente cabeceador

Luís Godinho, vice-presidente da Académica, envolveu-se com Maxi Pereira num pequeno sururu junto à linha lateral e pôs termo à contenda com uma singela e inocente cabeçada no lateral-direito do Benfica.

PÉROLA

"O BENFICA FOI AVISADO DO QUE IA PASSAR", Rui Gomes da Silva

Através da voz autorizada de um vice-presidente do clube, o Benfica transformou o seu legítimo protesto pela actuação do inenarrável Carlos Xistra num lamentável assumir daa suas próprias e gritantes incompetências. Foram avisados? E não fizeram nada? Ficaram à espera de ver a banda passar?

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