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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Artigo exclusivo

Sofrem de 'clubite' aguda

Pelo clube dão cabo do coração, despem-se na bancada e gastam dinheiro para cumprir o calendário dos jogos.

13 de abril de 2014 às 00:30

António Ramos era gaiato - ainda nem tinha barba - quando usou um prémio de onze mil escudos (54,87 €) do Totobola para comprar um cartão vitalício que dava direito a assistir, para a eternidade, a todos os jogos do Benfica. ‘Barbas' - como ficou conhecido o carismático adepto dos encarnados - chegou à sede do clube e disse: ‘Quero um daqueles cartões em que nunca mais se paga nada para ser do Benfica'. O vendedor tentou explicar-lhe que era muito novo para investir tanto dinheiro, mas estava decidido. Para se ter ideia da quantia, naquela altura ganhava 450 escudos (2,20 €) por mês a trabalhar numa cervejaria. Tinha chegado a Lisboa pouco antes, com 12 anos.

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