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Correio da Manhã

Desporto
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Sofrer sem justificação

O Sporting manteve a pressão sobre o FC Porto, ao vencer no Funchal o Marítimo, por 1-0, graças a um golo de Tello, de livre directo, mas também a uma grande penalidade mal assinalada por Bruno Paixão e defendida pelo estreante Rui Patrício, jovem de 18 anos que ocupou a baliza ‘leonina’ na ausência dos lesionados Ricardo e Tiago.
20 de Novembro de 2006 às 00:00
No final, face à pressão dos madeirenses, que acabaram com três avançados, os ‘leões’ tiveram de suar bastante para defender uma vantagem que podia ser larga, fosse a equipa capaz de transformar o seu imenso caudal de jogo em golos.
A equipa lisboeta fez uma excelente primeira parte, com um meio-campo ‘made in Alcochete’ a dar as cartas e um ataque sul-americano a teimar em não fazer golos. Nos primeiros 30 minutos, com Nani, Moutinho e, especialmente, Carlos Martins em elevada rotação, não se viu o Marítimo. Em contrapartida, o Sporting desperdiçou várias ocasiões de golo, a mais escandalosa das quais quando Bueno, isolado, evitou Marcos e chutou contra Gregory (10’).
Na segunda parte, o Marítimo tentou entrar no jogo e podia ter marcado, por Olim, que desperdiçou um cruzamento de Filipe Oliveira ‘na cara’ de Patrício. Este lance (50’), acordou o Sporting, que encontrou força para um último ‘forcing’, premiado com o golo de Tello, num livre em que Marcos foi mal batido (63’).
Até final, foi o Marítimo quem mais argumentos apresentou: Filipe Oliveira falhou uma ocasião aos 72’ e, aos 75’, Kanu desperdiçou um penálti, assinalado a punir uma falta de Polga meio metro fora da área – o remate foi denunciado e Rui Patrício deteve-o, assinalando da melhor forma uma estreia que vai querer recordar.
POSITIVO: MARTINS, ENQUANTO PODE
O futebol de Carlos Martins, rápido e incisivo a transportar a bola a zonas de conclusão e a criar situações de desequilíbrio, merecia avançados capazes de o transformar em golos. O médio ‘leonino’ joga a uma voltagem elevada, mas depois não tem pilhas para muito tempo. Ontem, na primeira parte, rematou três vezes e isolou duas vezes João Moutinho na área. No segundo tempo, já não era o mesmo.
NEGATIVO: O QUE FAZ BUENO?
Muito se falou já de Liedson e da forma como, mesmo sem fazer golos, é útil à equipa, porque luta e corre quilómetros em acções defensivas. Mas o que faz Bueno no onze do Sporting? Se não se destaca pelos golos (zero, em três meses de Liga), pelas assistências (uma à segunda jornada) ou pelo trabalho defensivo… Para Liedson sofrer nas alas é preciso um matador na área.
NOITE MÁGICA PARA O JOVEM RUI PATRÍCIO
De um só pulo, o jovem guarda-redes Rui Patrício passou do quase anonimato para a fama. A súbita titularidade na baliza do Sporting já era suficiente para lhe dar notoriedade, mas ele fez mais, ao defender uma grande-penalidade, escorada em meia dúzia de atentas saídas com os pés. É verdade que revelou hesitações nos cruzamentos, mas era noite de estreia.
No final do jogo, ainda nervoso, disse ter-se “sentido bem”. E explicou ter defendido o penálti porque percebeu “como o jogador ia bater a bola”. Paulo Bento garantiu não ter ficado surpreendido com a actuação de Rui Patrício e complementou: “É por isso que está no Sporting. A equipa confiou nele e ele deu confiança à equipa.”
PERFIL
Rui Pedro dos Santos Patrício nasceu em Marrazes, Leiria, no dia 15 de Fevereiro de 1988. Mede 1,88 e pesa 64 kg. No currículo conta com dois títulos de campeão de Juvenis e um de Juniores.
FICHA DO JOGO
Local: Estádio dos Barreiros, no Funchal (8000 espectadores)
Árbitro: Bruno Paixão (Setúbal)
MARÍTIMO: Marcos, Zé Gomes (Marcelo Lipatin, 77), Alex von Schwedler, Gregory, Evaldo, Olberdam (Neca, 82), Wénio, Luís Olim (Moukouri, 77), Filipe Oliveira, Marcinho e Kanu. Treinador: Ulisses Morais
SPORTING: Rui Patrício, Abel, Tonel, Polga, Rodrigo Tello, Custódio, Carlos Martins (Paredes, 72), João Moutinho, Nani (Caneira, 90m 2m), Carlos Bueno (Alecsandro, 60m) e Liedson. Treinador: Paulo Bento
Marcador: 0-1, Tello (63m)
Acção disciplinar: Amarelos: Carlos Martins (5m), Wénio (33m),_ Von Schwedler (43m), Nani (70m), Polga (74m) e Moutinho (90m 1m)
Melhor jogador: Carlos Martins
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