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Correio da Manhã

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Solução simples para o enigma

E afinal até era simples. Bosingwa segurou bem e entre três adversários conseguiu arrancar um cruzamento ‘esperto’, com a fina mistura entre direcção e força. Na área, Hugo Almeida respondeu como um ponta-de-lança. De cabeça fez o golo, desviando a bola de Berezosky.
18 de Novembro de 2007 às 00:00
Hugo Almeida cabeceia após cruzamento de Bosingwa para o golo
Hugo Almeida cabeceia após cruzamento de Bosingwa para o golo FOTO: Paulo Cunha, Lusa
Tinham passado 42 longos minutos sem que Portugal desse sinais de que sabia o caminho para a baliza arménia. Sejamos rigorosos. Foram só 40 minutos, porque aos dois Simão rematou à barra, num lance perfeito. Miguel Veloso progrediu pelo centro, colocou na cabeça de Hugo Almeida e este descobriu o antigo capitão do Benfica na área. Só o remate não foi feliz.
Este lance, até por aparecer logo ao nascer do jogo, parecia confirmar as ideias de Scolari. Lá estava o ponta-de-lança alto e forte a ganhar de cabeça para o improvisado ‘10’, Simão. Atrás, o talento de Miguel Veloso e a disciplina táctica de Maniche fariam o resto. Se não houvesse novidades na defesa, a Selecção acabaria por ganhar.
Só que esta ideia agradável perdeu-se à medida que os minutos foram passando. Afinal, o meio-campo de dois era de menos a construir e sofria a defender e, já agora, era difícil comunicar com Hugo Almeida, até porque entre Simão, Quaresma e Cristiano Ronaldo não se descobria alguém inspirado. Para piorar as coisas, a Arménia surgia segura e interessada em visitar a zona de Ricardo. Num desses momentos, o guarda-redes do Bétis tocou com a cabeça em Melkonyan, em plena grande área. Tudo começara num erro difícil de aceitar de Miguel Veloso e só terminou bem porque o inglês que transportava o apito, Mike Riley, fez uma interpretação muito livre da jogada.
E estávamos assim, com alguns assobios e apreensão nas bancadas, quando Hugo Almeida fez aquilo que costuma ser o mais difícil nestes jogos: o primeiro golo. Por aquela altura já se festejava na Polónia o apuramento para o Euro’2008. Confirmava-se o inesperado cenário, Portugal teria de lutar pelo segundo bilhete. E para dar o passo certo já não seria preciso marcar, mas era fundamental agir como equipa.
Quinze minutos da segunda parte confirmaram o óbvio. Chorava-se por mais um médio. Saiu Quaresma, entrou Manuel Fernandes. Era tempo de acrescentar consistência. A melhoria não foi imediata. Corria-se um pouco mais, embora nem sempre para o sítio certo. Até Ronaldo, sempre tão interessado em ter a bola, estava menos presente do que é costume.
Num cenário assim, frio, o passar do tempo foi a única realidade agradável. Na quarta-feira as contas são simples: bastará um ponto para o Euro’2008. Por agora, o enigma ‘resolveu-se’ com um cruzamento simples de Bosingwa e uma cabeça útil de Hugo Almeida. Mas as exibições da Selecção continuam estranhamente pobres e isso é algo que terá de ser explicado. Um dia destes.
POSITIVO: COMPREENDER HUGO ALMEIDA
O avançado do Werder Bremen descobriu o caminho para o golo e assistiu Simão para a primeira oportunidade, mas depois passou muito tempo sem que a bola lhe chegasse. Uma das grandes tarefas de Scolari, no futuro próximo, é colocar a equipa a jogar com um ponta-de-lança assim.
NEGATIVO: POUCO QUARESMA
Nenhum dos três criativos portugueses assinou rendimento para mais tarde recordar. Aliás, ninguém esteve acima da média na selecção nacional. Mas Ricardo Quaresma terá sido dos mais frágeis e, por isso, foi o extremo portista quem primeiro deixou o relvado. Continua a faltar-lhe uma grande exibição na Selecção. E é pena.
ARBITRAGEM: SEM RAZÕES DE QUEIXA
Portugal pode lamentar-se de tudo menos da actuação de Mike Riley. O inglês decidiu a favor da selecção nacional o lance decisivo da partida, aos 33 minutos, quando a cabeça de Ricardo embateu na perna de Melkonyan, na grande área. Deixou seguir, mas o penálti também seria uma decisão aceitável.
MURTOSA: "O RESULTADO É QUE IMPORTAVA"
“O resultado é que importava. Hoje valeu mais o resultado, mas temos de valorizar o empenho e a dedicação dos atletas”, resumiu Flávio Murtosa, que cumpriu com distinção o papel de treinador principal que ontem terminou, devido ao castigo de três jogos a Luiz Felipe Scolari.
O adjunto de Portugal reconheceu que a exibição não acompanhou a eficácia do resultado. “Não foi um jogo bonito. Sabíamos das dificuldades que a Arménia nos iria colocar”, disse comentando também o final de um ciclo invicto. “Não é um alívio acabar esta tarefa. Todos puxaram por Scolari e colaboraram”, elogiou.
Nani, que ontem festejou 21 anos, recebeu o presente que mais queria. “Tive a prenda que desejava. Está a ser um dia muito feliz”, disse, de sorriso feito, após o triunfo de Portugal, resumindo a ideia-chave. “Hoje, o resultado foi melhor do que a exibição”, reconheceu o extremo do Manchester United.
PORTUGAL: RONALDO BEM PUXOU POR ELES
RICARDO
Na fria noite de Leiria, Ricardo foi obrigado a aquecer as mãos por mais de uma vez. Teve algumas saídas mal medidas, compensadas com duas ou três intervenções com grau de dificuldade médio. No essencial cumpriu.
BOSINGWA
Manteve a sua zona de acção sempre esticada, no sentido vertical do campo, e isso permitiu-lhe aparecer solto para o bom cruzamento do primeiro golo.
FERNANDO MEIRA
Dificuldades avulsas na marcação a Mel-konyan. Não apagou, de todo, a lembrança de Ricardo Carvalho.
BRUNO ALVES
Forte no jogo aéreo, menos eficaz do que é hábito pelo chão.
CANEIRA
Passes mal medidos, inconstância exibicional e deficiente apoio ofensivo no regresso à Selecção. Mediano.
MIGUEL VELOSO
Entrou hesitante no jogo, teve desconcentrações várias (um corte para a zona frontal de arrepiar) e não garantiu a habitual tensão nas transições.
MANICHE
O duplo pivô com Veloso não funcionou, mas notoriamente por culpa do desenho táctico. Ainda assim, quando se soltou da amarra posicional a equipa agrade-ceu.
A FIGURA: CRISTIANO RONALDO
Jogou desde o início num registo de velocidade superior ao dos companheiros e por isso logo se distinguiu. Teve baixas, alguns excessos de individualismo, mas ainda assim foi com a bola nos seus pés que Portugal andou para a frente.
SIMÃO
Falhou nas acções que são pedidas a quem joga na posição do número 10. Foi quando fugiu para a esquerda (uma tendência natural) que melhor respirou. Fixou-se na ala, após o reajuste táctico da equipa, mas acabou substituído. Imperdoável a perdida aos dois minutos, por nítida falta de concentração.
QUARESMA
Não acrescentou ao jogo da equipa as mais-valias que normalmente o seu poder de drible proporciona. Na esquerda, depois na direita, o um contra um não saiu. Quando assim é Quaresma quase passa ao lado...
HUGO ALMEIDA
Num jogo formatado para a sua maneira de jogar, o ponta-de-lança cumpriu em pleno: um remate, um golo e uma assistência para uma bola que Simão ingloriamente atirou à barra.
MANUEL FERNANDES
Estreia nesta fase de apuramento, procurou dar à equipa o sentido geométrico do jogo que ela raramente teve.
MAKUKULA
Desta vez não resultou. A expectativa de ver repetida a noite de Almaty esfumou-se.
NANI
Em dia de aniversário, Nani agitou as águas paradas em que a equipa navegava. Mas pouco...
RONALDO À LUPA
6’ Cristiano Ronaldo tem uma boa arrancada pela esquerda, cruza mas ninguém aparece para a emenda.
13’ Cruzamento da esquerda efectuado por Simão Sabrosa. Ronaldo, sozinho, cabeceia para fora.
19’ Cruzamento traiçoeiro de Ronaldo que quase dá golo.
82’ Após assistência de Makukula, Ronaldo cabeceia por cima.
86’ Primeiro remate de Cristiano Ronaldo à baliza. Berezovski defende sem problema.
88’ 10.ª perda de bola no encontro para Cristiano Ronaldo.
ESTATÍSTICA
Golos: 0
Remates à baliza: 1
Remates para fora: 4
Assistência: 0
Recuperações: 1
Faltas sofridas: 3
Faltas cometidas: 1
Perdas de bola: 10
FICHA DO JOGO
Local: Estádio Magalhães Pessoa, em Leiria (22.048 espectadores)
Árbitro: Mike Riley (Inglaterra)
PORTUGAL: Ricardo, Bosingwa, Fernando Meira, Bruno Alves, Caneira, Miguel Veloso, Maniche, Cristiano Ronaldo, Simão Sabrosa (Nani, 77m), Ricardo Quaresma (Manuel Fernandes, 60m) e Hugo Almeida (Makukula, 68m). Treinador: Flávio Murtosa.
ARMÉNIA: Berezovksi, Hovsepian, Arzumanyan, Tadevosyan, Dokhoyan, Khachatryan (Mkhitaryan, 60m), Voskanyan, Karamyan (Mkrtchyan, 76m), Arakelyan, Pachajyan e Melkonyan (Manucharyan, 63m). Treinador: Vardan Minassian.
Marcador: 1-0, Hugo Almeida (42m)
Acção disciplinar: Cartões amarelos – Pachajyan (45+1m), Caneira (64m), Arzumanyan (69m) e Bosingwa (78m)
Melhor jogador: Cristiano Ronaldo
NOTAS
FINLÂNDIA NA CORRIDA
A Finlândia venceu ontem o Azerbaijão por 2-1 e manteve viva a esperança de se apurar para o Europeu de 2008.
RONALDO HISTÓRICO
Ronaldo recebeu ontem uma placa das mãos de Eusébio por ter atingido as 50 internacionalizações por Portugal.
POLÓNIA ESTÁ APURADA
A Polónia, adversária no grupo de Portugal, garantiu o apuramento para o Europeu ao vencer a Bélgica por 2-0.
CLASSIFICAÇÕES
GRUPO A
1.º, Polónia, 27 pontos / 13 jogos (apurada)
2.º, PORTUGAL, 26 / 13
3.º, Finlândia, 23 / 13
4.º, Sérvia, 20 / 12
5.º, Bélgica, 15 / 13
6.º, Arménia, 9 / 11
7.º, Cazaquistão, 7 / 12
8.º, Azerbaijão, 5 / 11
JOGOS
PORTUGAL / Arménia, 1-0
Polónia / Bélgica, 2-0
Finlândia / Azerbaijão, 2-1
Sérvia / Cazaquistão, adiado devido à neve
GRUPO B
1.º, Itália, 26 pontos / 11 jogos (apurada)
2.º, França, 25 / 11 (apurada)
3.º, Escócia, 25 / 12
4.º, Ucrânia, 16 / 11
5.º, Lituânia, 13 / 11
6.º, Geórgia, 10 / 11
7.º, Ilhas Faroé, 0 / 11
JOGOS
Lituânia / Ucrânia, 2-0
Escócia / Itália, 1-2
GRUPO C
1.º, Grécia, 28 pontos / 11 jogos (apurada)
2.º, Turquia, 21 / 11
3.º, Noruega, 20 / 11
4.º, Bósnia-Herzegovina, 13 / 11
5.º, Moldávia, 12 / 12
6.º, Hungria, 12 / 11
7.º, Malta, 5 / 11
JOGOS
Moldávia / Hungria, 3-0
Noruega / Turquia, 1-2
Grécia / Malta, 5-0
GRUPO D
1.º, Rep. Checa, 26 pontos / 11 jogos (apurada)
2.º, Alemanha, 26 / 11 (apurada)
3.º, Rep. Irlanda, 17 / 12
4.º, País Gales 14 / 11
5.º, Chipre, 14 / 11
6.º, Eslováquia, 13 / 11
7.º, San Marino, 0 / 11
JOGOS
Rep. Checa / Eslováquia, 3-1
País Gales / Rep. Irlanda, 2-2
Alemanha / Chipre, 4-0
GRUPO E
1.º, Croácia, 26 pontos / 11 jogos (apurada)
2.º, Inglaterra, 23 / 11
3.º, Rússia, 21 / 11
4.º, Israel, 20 / 11
5.º, Macedónia, 14 / 11
6.º, Estónia, 7 / 12
7.º, Andorra, 0 / 11
JOGOS
Andorra / Estónia, 0-2
Israel / Rússia, 2-1
Macedónia / Croácia, 2-0
GRUPO F
1.º, Espanha, 25 pontos / 11 jogos (apurada)
2.º, Suécia, 23 / 11
3.º, Irlanda do Norte, 20 / 11
4.º, Dinamarca, 17 / 11
5.º, Letónia, 12 / 11
6.º, Islândia, 8 / 11
7.º, Liechtenstein, 7 / 12
JOGOS
Letónia / Liechtenstein, 4-1
Irlanda Norte / Dinamarca, 2-1
Espanha / Suécia, 3-0
GRUPO G
1.º, Roménia, 26 pontos / 11 jogos (apurada)
2.º, Holanda, 26 / 11 (apurada)
3.º, Bulgária, 22 / 11
4.º, Albânia, 11 / 11
5.º, Eslovénia, 11 / 11
6.º, Bielorrússia, 10 / 11
7.º, Luxemburgo, 3 / 12
JOGOS
Bulgária / Roménia, 1-0
Albânia / Bielorrússia, 2-4
Holanda / Luxemburgo, 1-0
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