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Correio da Manhã

Desporto
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SUBIR À SUPERLIGA EM SEIS ANOS

Corrado Correggi, um empresário do ramo corticeiro, quer revolucionar o futebol algarvio. Com mais quatro sócios (o escocês John McGovern e os portugueses Adérito Cavaco, Marco Oliveira e Valter Duarte) fundou o Algarve United Futebol SAD, com um capital social de 250 000 euros e vai disputar o campeonato distrital da 2.ª divisão da Associação de Futebol do Algarve. Um projecto ambicioso, que visa subir à Superliga em apenas seis anos:
18 de Setembro de 2004 às 00:00
“Vi que, a Sul de Lisboa, não havia nenhuma equipa representativa de futebol e porque julgo que há muitas potencialidades para utilizar o marketing e o nome do Algarve, conhecido em todo o mundo para se vender essa marca”, explica o empresário italiano, que tem ideias bem definidas: “ Vamos apostar em jogadores de todo o Algarve, jovens e com grande potencial, que podem, mais tarde, ser uma mais valia para a SAD”, afirma.
Um projecto que conta com o apoio das Câmaras Municipais: “ Pedimos às 16 edilidades algarvias 3500 euros anuais, não como ajuda, mas como venda de publicidade, pois este clube pode promover a região através do meio privilegiado que é o futebol. Ainda mal começámos e já saímos em vária imprensa internacional, inclusivamente o Algarve United foi primeira página de jornais italianos, falando-se do Algarve e elogiando o turismo local”.
Apenas as Câmaras de Aljezur, Lagos e Tavira mostraram, para já, alguma disponibilidade, mas Corrado Correggi está confiante no futuro: “Vamos gastar, esta época, 60 000 euros e queremos alcançar, nesta primeira fase, o milhar de associados, que vai comprar cartões de sócios. O restante terá de vir da publicidade, pois não queremos mexer no capital social, como aconteceu com as SAD do Sporting e do FC Porto, que obrigaram a fazer uma legislação ‘adhoc’ para estarem dentro da lei”, acusa o empresário italiano.
Difícil vai ser sensibilizar o adepto algarvio a aderir a um novo clube sem raízes, sem sede, nem associados: “ Apostámos em jovens jogadores algarvios, de toda a região e estamos convencidos que o adepto de futebol vai preferir ver jogar um miúdo de 19 anos de qualidade, do que estrangeiros, veteranos, sem qualquer vínculo à região. No futuro pensamos contratar jogadores estrangeiros, de qualidade, de forma a puxarmos os 200 000 estrangeiros residentes para o nosso clube. Aliás, já temos dois ingleses, cá radicados, no nosso actual plantel”, explica.
Um projecto que muitos têm dificuldade em perceber, mas que Corrado Correggi garante ter futuro: “O Algarve United aspira a ser motivo de orgulho para a população do Algarve e um agente de reforço da sua identidade regional. Queremos promover a região, através do futebol, conduzindo um clube de futebol profissional aos mais elevados padrões competitivos nacionais e internacionais”, conclui o empresário italiano.
Sob a orientação técnica do professor Torrado, que tem como adjunto Vítor Saramago, o Algarve United apostou num grupo de trabalho muito jovem. Embora ainda não esteja definido, em completo o plantel, estão praticamente assegurados os seguintes elementos: guarda-redes: Igor Landim; defesas: Marco Silva (ex-Portimonense), João Gomes (ex-Esperança de Lagos), Rui Santos (ex-Louletano), Ricardo Santos (ex-Parchalense) e João Destapado (ex-Ferreiras), médios: Uriel ( ex-Esperança de Lagos), Francisco Candeias (ex-Portimonenense), Nuno Martins ( ex-Portimonense) e Alisson Arruda (ex-Castromarinenense); avançados: João Beldade (ex-Santaluziense), Daniel Robinson (ex-Esperança de Lagos) e Ben Robinson (ex-Esperança de Lagos).
Um plantel que, segundo o técnico Torrado, dá garantias da realização de um bom campeonato: “ A filosofia do clube é apostar e promover jovens jogadores algarvios de toda a região. Escolhemos um grupo muito ambicioso, de valor, mas que se vão estrear num campeonato muito duro, disputado em campos pelados, na maioria dos jogos, pelo que não sabemos a resposta que vão dar”, explica o treinador do Algarve United.
DUAS DESERÇÕES
Embora ainda a dar os primeiros passos, o Algarve United regista já duas saídas. O treinador José Miguel foi substituído pelo professor Torrado e o administrador Adérito Cavaco não quer falar sobre a sua saída:
“ Tinha apenas um por cento do capital social e estava demasiado ligado à Câmara Municipal de Loulé e a um partido político. Como não queremos politizar o clube houve divergências e o Adérito apresentou-nos um outro projecto, em que eu perdia a maioria do capital, com a entrada de novos accionistas, o que desvirtuava aquilo que tínhamos pensado para este projecto”, explica Corrado Correggi.
ALUGUER DO ESTÁDIO CUSTA 55 MIL EUROS
Era ideia inicial dos responsáveis do Algarve United utilizar, nos seus jogos, o Estádio Algarve, tal como acontece com o Louletano.
Só que, a verba pedida pelos responsáveis da Associação Inter Municipal Loulé / Faro fê-los desistir: “ O presidente da Câmara de Faro pediu-nos 55 000 euros pelo aluguer do estádio, pelo que, graças à colaboração do presidente da Câmara de Tavira, vamos jogar no relvado do municipal de Tavira e treinamos no campo de Santa Luzia”, garante Corrado Correggi, pouco satisfeito com o autarca de Faro: “Recusou-se a comprar-nos os 3500 contos de publicidade, mas a Câmara de Faro deu um terreno camarário avaliado em seis milhões de euros que, automaticamente, passou do clube para a SAD, o que é ilegal”, acusa o empresário.
Aliás, Correggi preferiu arrancar com este projecto do que integrar, na qualidade de investidor, o projecto-Farense. “ É mais fácil começar um projecto novo, que herdar um com alguns vícios e muito passivo”, começou por explicar, acrescentando: “ Queremos ser um clube representativo de todo o Algarve e não só da capital algarvia”.
LINCE É O SÍMBOLO
Equipando com camisola branca, com uma lista vermelha, calção vermelho e meia branca, o Algarve United tem como símbolo o lince: “ É um animal em vias de extinção em toda a Europa e a região algarvia é o seu mais importante ‘habitat’, pelo que escolhemos o seu focinho estilizado para preencher o emblema”, afirma Corrado Correggi.
PERFIL
Corrado Correggi é um empresário italiano, com interesses no ramo corticeiro. Tem uma fábrica (C & D) na Lourosa e vai construir outra em Aljezur, no Algarve, para o fabrico de discos de cortiça.
Jogador amador de futebol, tornou-se, depois, sócio da empresa de colocações de futebolistas ‘McGovernt’, de sociedade com o escocês John McGovern, agente da FIFA e um dos accionistas da Algarve United.
Os jogadores Manú e Jorginho que actuam no Modena e o português Tonel (Marítimo) são alguns dos atletas representados pela firma.
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