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Correio da Manhã

Desporto

SuperLiga decide-se entre os grandes

1. Isto até pode custar a ler aos adeptos, sobretudo aos benfiquistas que seguem na frente, mas este campeonato é bem capaz de ser o primeiro de uma nova categoria, mais perdido por uns do que ganho por alguém.
19 de Março de 2005 às 00:00
O Sporting arrisca-se a ser o “líder” imediato de uma classificação indesejada, primeiro dos derrotados.
Ao contrário do que costuma suceder, este campeonato vai mesmo decidir-se nos jogos entre os grandes. Não faltará quem sustente que o empate do Benfica no ‘Dragão’ foi a prova definitiva da fraqueza portista, depois de amanhã o clássico de Alvalade marcará o que falta da carreira de Sporting e FC Porto. Analisemos os três cenários.
Vitória do Sporting. Significará a terceira derrota consecutiva do FC Porto e dificilmente o campeão resistirá a esse golpe. No cenário de êxito do Benfica em Setúbal, os três pontos permitirão a José Peseiro gerir a expectativa e preparar a equipa para a batalha do Bessa, na jornada seguinte.
Empate. Parece o cenário mais provável. O Sporting chega de duas derrotas consecutivas, o FC Porto é a única equipa que ainda não perdeu fora. Ninguém disporá da confiança indispensável para mandar no jogo. Este é o melhor resultado para o Benfica. Alarga o avanço sobre os rivais e acentua a situação de pré--crise em Alvalade e no Dragão.
Vitória do FC Porto. Será preciso voltar a contar com o orgulho do campeão, ainda que mais em força do que em qualidade. Quanto ao Sporting, seguir-se-á um penoso final de temporada. José Peseiro será o alvo mais fácil, mas desta vez a crise chegará a Dias da Cunha, fragilizado pelas saídas recentes de pessoas com peso no Sporting.
2.O Benfica chega esta noite a Setúbal numa situação invulgar: está mais perto do que nunca (nos últimos dez anos) do título nacional, mas até agora tem jogado quase sempre debaixo de assobios, superando com dor a insatisfação dos adeptos face à qualidade do futebol de Trapattoni. Como se o Benfica andasse na frente, mas na verdade nenhum adepto verdadeiramente acreditasse que era a valer. Um triunfo sobre o mais frágil Vitória da temporada (sete golos encaixados nos últimos dois jogos) poderá criar a empatia que os dirigentes reclamam mas nunca foram capazes de criar. Desperdiçar esta oportunidade seria deitar a perder todo o sofrimento da época. Desta vez o Benfica aparece no Bonfim como claro favorito e parece capaz de corresponder. Jogar bem é outra questão.
FIGURA: MANTORRAS, POIS!
O angolano sempre foi mais festejado do que o seu rendimento justificaria e o fenómeno mantém-se, mesmo dois anos depois de uma lesão que chegou a parecer definitiva. Após o golo que deu a liderança, os benfiquistas voltam a ter razões para associar o nome de Mantorras à felicidade.
NÚMERO: APENAS UMA VITÓRIA
Se o campeonato tivesse começado a meio o V. Setúbal lutaria para não descer. É a quarta equipa com menos pontos na 2.ª volta, apenas um triunfo. Todos os anos temos pelo menos um caso destes, à euforia do arranque sucede a aflição. José Rachão começa a dar razão aos que o criticaram severamente.
E OS OUTROS? UM JOGO EUROPEU
Mais do que os clássicos, são os jogos entre equipas como Rio Ave e Sp. Braga que definem a qualidade do campeonato. Em competição dois dos melhores treinadores da SuperLiga e duas das equipas que marcam positivamente a competição. O sonho europeu de ambos passa por este jogo.
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