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Correio da Manhã

Desporto
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Tão amigos que nós fomos

Já houve uma era em que Pinto da Costa ajudava Veiga e abria a sua casa a Luís Filipe Vieira. Mudam-se os tempos...
25 de Outubro de 2006 às 00:00
Luís Filipe Vieira e José Veiga são hoje inimigos de Pinto da Costa. No passado não era assim...
Luís Filipe Vieira e José Veiga são hoje inimigos de Pinto da Costa. No passado não era assim...
Luís Filipe Vieira e José Veiga são hoje inimigos de Pinto da Costa. No passado não era assim...
Luís Filipe Vieira e José Veiga são hoje inimigos de Pinto da Costa. No passado não era assim...
Luís Filipe Vieira e José Veiga são hoje inimigos de Pinto da Costa. No passado não era assim...
Luís Filipe Vieira e José Veiga são hoje inimigos de Pinto da Costa. No passado não era assim...
Hoje nem se podem ver. Luís Filipe Vieira e José Veiga, de um lado, e Pinto da Costa, no oposto, são os rostos da mais mediática querela do desporto nacional. Em momentos-chave, como as vésperas de um FC Porto-Benfica, as partes beligerantes contam armas e abrem fogo sobre o rival, pontapeando a bola do jogo muito antes do primeiro apito do árbitro. Mas já houve um tempo em que os dois presidentes e o director-geral da SAD do Benfica não só eram amigos como até se ajudavam.
A amizade de Pinto da Costa com José Veiga remonta ao tempo em que este era emigrante no Luxemburgo, nos finais da década de 80. Vivia de um negócio de pintura de automóveis e impressionava Pinto da Costa com o seu fervor clubístico, nas visitas do líder portista ao grão-ducado. A tal ponto que este deu a bênção à nomeação do amigo para presidente da casa do FC Porto no Luxemburgo. Veiga começou, também, a representar os portistas em diversas diligências oficiosas junto das altas esferas do futebol europeu. Conheceu gente importante, tornou-se intermediário de negócios de jogadores e com a ajuda dos irmãos Oliveira tornou-se empresário. Passou mesmo a ser o empresário de referência do FC Porto.
Em 1998, o FC Porto acordou a venda de Sérgio Conceição para a Lázio. Um negócio de dez milhões de euros que contemplava uma comissão de dez por cento para a Superfute, empresa de José Veiga e do filho de Pinto da Costa, Alexandre. Desta verba, metade ficou prometida a um empresário italiano, também parte interessada. Surge entanto um contratempo: Adelino Caldeira, dirigente portista, não via com bons olhos os negócios de Veiga, até porque o seu irmão, José Caldeira, já disputava uma fatia do mercado. O FC Porto decidiu conceder apenas cinco por cento de comissão, verba que foi inteirinha para o tal empresário italiano. Veiga ficou a ‘arder’. E incompatibilizou-se com Pinto da Costa. Mais tarde, numa entrevista ao ‘Expresso’, disse cobras e lagartos dos administradores da SAD portista e o assunto acabou em Tribunal. Assim nasceu um ódio de estimação, que perdura até hoje.
Mais tarde, a aproximação de José Veiga a Luís Filipe Vieira acabaria por ditar a ruptura entre o presidente do Benfica e Pinto da Costa. Amigos e aliados no tempo da presidência de Vieira no Alverca, hoje não se podem ver.
O ALIADO CONTRA AZEVEDO
Se é verdade que José Veiga é o móbil do ‘divórcio’ entre Pinto da Costa e Luís Filipe Vieira, não é menos certo que Vale e Azevedo foi o homem que os aproximou. Nem Vieira (então presidente do Alverca), nem Pinto da Costa suportavam o antigo presidente do Benfica. Pinto da Costa considerava então Vieira “um aliado”, tal como escreveu no seu livro biográfico. Eram íntimos, tal como as famílias. Sara Vieira e Joana Pinto da Costa, as filhas, ainda hoje mantêm amizade. Tal como Vanda Vieira e Filomena (ex-mulher de Pinto da Costa). Chegaram a estar todos na residência de férias do presidente portista, em Vila Nova de Cerveira. Um privilégio raro.
Enquanto presidente do Alverca, Vieira foi elemento decisivo na passagem dos ex-benfiquistas Maniche, Ovchinnikov e Deco, entre outros, para o Porto. O convite feito a Veiga, já no Benfica, estragou a forte amizade.
REACÇÕES INSTITUCIONAIS: APELO AO FIM DAS PICARDIAS
Os mais altos representantes do futebol português uniram-se ontem num apelo ao fim do clima tenso na modalidade. Laurentino Dias e Gilberto Madaíl falaram à margem da apresentação de um curso de gestão desportiva na UAL. Hermínio Loureiro e Vítor Pereira deram uma conferência.
“MENOS ACUSAÇÕES” (Laurentino Dias, Secretário de Estado do Desporto)
O secretário de Estado do Desporto está preocupado com o ambiente antes do FC Porto-Benfica. “Quando o jogo começar o problema será com os que estarão em campo, pois não há declaração que marque golos. Gostava que não fosse tão habitual a troca de acusações entre os dirigentes.”
“TIROS NOS PÉS” (Gilberto Madaíl, Presidente da FPF)
Para o presidente da Federação, as recentes trocas de acusações entre dirigentes de FC Porto e Benfica são autênticos “tiros nos pés”. “É claro que fico preocupado com estas situações, que não beneficiam ninguém. Não podemos continuar a dar tiros nos pés”, afirmou Gilberto Madaíl.
“COM CIVISMO” (Hermínio Loureiro, Presidente da Liga de Clubes)
O presidente da Liga de Clubes pediu civismo, elevação e ‘fair-play’ no FC Porto-Benfica. “Espero que o segundo clássico desta época decorra com o mesmo grau de civismo e elevação que correu o primeiro. Que exista ‘fair-play’. São os votos que faço”, disse Hermínio Loureiro.
"RUÍDO PREJUDICIAL" (Vítor Pereira, Presidente da Comissão de Arbitragem da Liga)
O líder da Comissão de Arbitragem anunciou a realização de balanços mensais do organismo e o fim de comentários a declarações de dirigentes, nomeações ou arbitragens. “Tudo o que seja ruído relativamente a esta matéria é prejudicial à actividade da arbitragem.”
ÚLTIMAS DOS CLUBES
ANDERSON DE REGRESSO
Anderson e Bosingwa reforçam as opções do FC Porto para o jogo de sábado. O menino prodígio dos ‘dragões’, que não defrontou o Sporting devido à distensão muscular na coxa direita contraída na ‘Champions’ frente ao Hamburgo, regressou ontem ao trabalho de campo integrando o lote de futebolistas que foi titular no empate de Alvalade. Bosingwa, que foi afastado do plantel por questões disciplinares após o jogo com o Marítimo, também já está de volta. Fora das opções continuam Adriano, Pedro Emanuel e Sokota, que recuperam no departamento médico.
KARAGOUNIS É HIPÓTESE
Karagounis continua a ser a única dúvida de Fernando Santos para a partida frente ao FC Porto. O grego contraiu uma microrrotura ao serviço da selecção helénica, mas a sua utilização no clássico ainda é possível. O departamento médico ‘encarnado’ está a efectuar todos os esforços para recuperar Karagounis, que só no final da semana saberá se pode jogar. No treino de ontem, Miccoli – que não pode jogar no próximo sábado devido a castigo – iniciou o treino no ginásio para mais tarde se juntar aos restantes colegas. Rui Costa e Paulo Jorge fizeram tratamento.
AO ATAQUE
"O engenheiro-chefe precisa do clube para viver e para não ser engavetado." Luís Filipe Vieira, 21/10/06
"Luís Filipe Vieira ia ter comigo ao Porto para festejar as vitórias do Alverca sobre o Benfica." Pinto da Costa, 21/10/06
"O que é que posso responder a essa figurinha? Possivelmente explicar o défice de 30 milhões. Faz-me lembrar o Pinóquio." José Veiga, 23/10/06
NOTAS
VIEIRA NÃO VAI AO PORTO
Nenhum elemento da direcção ‘encarnada’ deverá marcar presença no Dragão no próximo sábado. A comitiva do Benfica vai ser liderada por José Veiga.
CASA CHEIA NO DRAGÃO
O Estádio do Dragão deverá registar no próximo sábado a maior enchente da temporada. Ontem faltava vender cerca de cinco mil bilhetes.
ÚLTIMA ACÇÃO DE CAMPANHA
Amanhã o restaurante Catedral da Cerveja será palco da última acção de campanha de Luís Filipe Vieira para a reeleição à presidência do Benfica.
BELÉM NO DIA 21 DE DEZEMBRO
O jogo Benfica-Belenenses, adiado da 1.ª jornada da Liga, devido ao Caso Mateus, vai realizar-se no dia 21 de Dezembro pelas 19h30 na Luz.
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