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Correio da Manhã

Desporto
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Tão fácil até aborrece

Jesualdo Ferreira jogará a 18 de Maio a primeira final da Taça como treinador principal. O FC Porto deixou no Bonfim mais uma demonstração da qualidade e eliminou o Vitória de Setúbal com três golos em pouco mais de vinte minutos, o único período em que acelerou.
16 de Abril de 2008 às 00:30
Pedro Emanuel, Nuno, Bruno Alves e João Paulo fazem a festa portista na passagem à final da Taça de Portugal
Pedro Emanuel, Nuno, Bruno Alves e João Paulo fazem a festa portista na passagem à final da Taça de Portugal FOTO: António Cotrim/Lusa

O jogo até começou fora do ‘guião’. Aos sete minutos, Pitbull inventou a primeira oportunidade, aos 11 Lucho evitou de cabeça um arrepio. Estranho. O Vitória impunha o ritmo e o Dragão dava sinais de sentir o adversário, com Quaresma a responder a Jesualdo depois de um livre mal marcado.

Os 15 minutos seguintes trouxeram a reacção do FC Porto. A chave foi o controlo de Pitbull. Deixou de receber a bola e imediatamente o Vitória passou a não conseguir sair. Lance após lance ia ficando mais atrás. Livres, cantos. Ainda nada de oportunidades azuis, mas sinais incómodos para Carvalhal.

Quando o golo chegou não se pode dizer que tenha apanhado alguém de surpresa. Só talvez na forma, porque o FC Porto poucos golos tem feito de canto esta temporada. Saiu este. Raúl Meireles marcou, Eduardo falhou e Lisandro assustou tanto Jorginho que o sadino empurrou para a própria baliza. Isto foi aos 37 minutos. Aos 40 e 45 Eduardo evitou que tudo ficasse decidido ainda antes do intervalo com defesas face a Lucho e Tarik.

O Vitória voltou igual do balneário. Não encontrava Pitbull e por isso andava à deriva, até sem a habitual segurança defensiva. Mais rápido, agora convencido de que nada o impediria de chegar ao Jamor, o FC Porto criou logo uma oportunidade, por Lisandro. E aos 50 e 59 minutos marcou. Duas vezes Lucho. Com meia hora para jogar, alguns adeptos não aguentaram mais e viraram as costas ao que viam lá em baixo.

Expulso ao intervalo, Carlos Carvalhal teve de ver tudo até ao fim da bancada. Mas deve ter custado. Esta época, nunca a sua equipa se comportara de forma a deixá-lo envergonhado. Desta vez nem uma graça. Sem poder na frente, vergado no meio-campo à classe de Lucho González, aos sadinos só restava esperar que o campeão começasse a pensar na festa do próximo domingo, com o Benfica. E foi isso que sucedeu. Este jogo só teve uma hora e ficou tão fácil que acabou por aborrecer quem o via. Tudo mérito do FC Porto.

'FOMOS FANTÁSTICOS'

Jesualdo Ferreira encarou com naturalidade a vitória da sua equipa, colocando-a na senda de outras que o FCPorto foi somando esta época. 'A Taça é sempre uma grande festa, mas preparámo-nos bem para este jogo, frente a uma equipa muito boa. Tenho de realçar a nossa fantástica exibição, pois o Porto foi forte durante todo o jogo. Os jogadores merecem os parabéns pela forma como têm vencido todos os jogos e chegámos à final sem sofrer golos e com maior número de golos', analisou.

Já com o título garantido, o treinador do FCPorto disse ainda que iria continuar a gerir a equipa da melhor maneira, assegurando que os menos utilizados possam também estar em actividade.

Por sua vez, Carlos Carvalhal começou por explicar o incidente no túnel, que ditou a sua expulsão. 'Ele disse-me ‘você não fala mais comigo’, e eu respondi da mesma forma. Há testemunhas e se alguém disser o contrário, é mentiroso e desonesto', afirmou.

Apesar da derrota, Carlos Carvalhal elogiou a carreira da equipa, lembrando que o Vitória de Setúbal ficou entre os quatro melhores.

POSITIVO

LUCHO EM GRANDE FORMA

Lucho termina em excelente momento e isso nota-se sobretudo na disponibilidade para o ataque. Não vai apenas até à entrada da área. Aparece lá dentro para finalizar e aproveitar a desatenção do adversário. Dois golos, uma noite espantosa.

NEGATIVO

PITBULL FEZ FALTA

O brasileiro até terá sido o melhor da sua equipa, mas, se pensarmos que não jogou para mais de nota 5, isso dá uma ideia da exibição dos sadinos. Para equilibrar, o Vitória precisava de um Pitbull excepcional. Que não houve.

ARBITRAGEM

PODIA TER FEITO MELHOR

Pedro Proença equivocou-se em alguns lances, assinalando faltas inexistentes e exibindo o amarelo sem razão. Ao intervalo impediu Carvalhal de voltar ao banco. No relvado os protestos do treinador do Vitória foram excessivos...

FC PORTO: ATÉ SE DERAM AO LUCHO DE DESPERDIÇAR MAIS GOLOS

Nuno – Uma hesitação, algumas intervenções de baixo risco e uma noite tranquila.

Bosingwa – Empurrou a equipa para a frente, pelo seu flanco, mesmo sem brilhar.

Pedro Emanuel – Acerto táctico e jogo simples é igual a eficácia. Nunca inventou. A equipa agradece.

Bruno Alves – Foi dos mais rematadores elementos da equipa. A defender, esteve impecável.

Fucile – Discreto. Algumas descidas a apoiar o ataque, mas sem grande convicção. E nem precisou de defender a sério.

Paulo Assunção – Sapador de serviço no meio-campo. Por vezes com excesso de zelo e dureza despropositada.

Raúl Meireles – Autor ‘moral’ do primeiro golo do FC Porto, pois foi dos seus pés que partiu o ‘canto’ para desvio de Jorginho. Eficaz q.b.

LUCHO GONZÁLEZ - Teve dois golos nos pés no primeiro tempo, que esbanjou, mas redimiu-se na segunda parte, com um bis que sentenciou a eliminatória.

Tarik Sektioui – Pouco activo no flanco esquerdo, foi obrigado a procurar outros terrenos, para fugir a Janício. Complicativo, por vezes.

Lisandro – Desta vez não marcou. Mas esteve quase. O empenho, esse, é sempre igual: no máximo

Quaresma– Exibição pouco conseguida. Os dribles não saíram a preceito, as bolas paradas também não, chegou a desesperar. Até Jesualdo lhe ‘puxou’ as orelhas.

Farías – 15 minutos não deram para grandes cometimentos. Ainda assim, quase marcava o quarto golo.

Mariano González – Rendeu Quaresma mas não a tempo de acrescentar algo à equipa.

João Paulo – Entrou só para fazer Assunção descansar.

LISANDRO

34’ Desvia um remate de Lucho González que ia para a baliza de Eduardo.

47’Recebe na área um cruzamento da esquerda de Quaresma e remata à meia-volta com perigo.

68’Tenta assistir Tarik de cabeça, mas o marroquino chega atrasado.

90’ 2’ Dentro da área sadina, remata rasteiro para as mãos do guarda--redes Eduardo. Ver comentários

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