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Teixeira presta “falsa” informação em tribunal

O Tribunal Judicial de Fafe condenou o empresário Joaquim Teixeira, presidente do Boavista FC, a oito meses de prisão, suspensa pelo período de um ano, por ter prestado falso testemunho em sede de julgamento. O líder boavisteiro está ainda obrigado a pagar uma indemnização de 25 mil euros pelos prejuízos causados a uma empresa de confecções de Guimarães.
7 de Maio de 2008 às 00:30
Tribunal concluiu que Joaquim Teixeira “quis faltar à verdade” quando foi ouvido
Tribunal concluiu que Joaquim Teixeira “quis faltar à verdade” quando foi ouvido FOTO: Luís Vieira / Record

Em causa estão falsas declarações de Joaquim Teixeira, que se apresentou em tribunal como funcionário, omitindo o facto de ser sócio-gerente da sociedade ‘Almeida Pimenta & C.ª’, num processo em que esta requeria o arresto de bens da empresa ‘Polopique – Comércio e Indústria de Confecções’, que é uma das principais fornecedoras do grupo têxtil espanhol ‘Inditex’, que engloba a ‘Zara’.

Segundo o tribunal, Joaquim Teixeira – que se viu envolto num processo nebuloso ao apresentar como financiador e salvador do Boavista FC o suposto empresário Sérgio Silva, que acabaria por ser detido e constituído arguido por tentativa de burla – "agiu com dolo directo" e transmitiu, de forma deliberada, informações erradas sobre a situação económica da ‘Polopique’, por forma a provocar o arresto de bens e a alteração de procedimentos ao nível de pagamentos acordados.

Na sentença, o juiz do 3º Juízo do Tribunal de Fafe conclui que "o arguido quis faltar à verdade, sabendoqueestavaa transmitir informação falsa perante um tribunal, proferindo afirmações que sabia serem o oposto da realidade e que eram determinantes para a decisão final do procedimento cautelar".

O tribunal considera que as falsas declarações de Joaquim Teixeira visavam "convencer da urgência da intervenção judicial e contribuir para que o arresto fosse decretado, logrando desse modo obter a paralisação de património"daempresade confecções,"apetecível pelas entidades que mais se orientam por critérios de salubridade financeira" e "com boa reputação na banca". Apresenta uma facturação anual de 61 milhões de euros, tendo os lucros triplicado nos últimos seis anos, sem que tenham sido comprometidos os pagamentos acordados a fornecedores ou ao Estado.

SAD RENUNCIA AO MANDATO

ÁlvaroBraga Júnior, presidente da Boavista SAD, e os administradores Adelina Trindade Guedes e Manuel Barbosa apresentaram ontem a demissão. Na origem da decisão está a ausência de garantias financeiras para pagar os salários em atraso aos jogadores e restantes funcionários do clube do Bessa.

O presidente da SAD boavisteira havia apontado o dia 5 de Maio como data para cobrir um mês e 60% de outro vencimento em atraso. Como anteontem era dia de folga, os jogadores esperavam receber ontem, o que não aconteceu. "Por uma questão de ética é a melhor decisão. Não estou a fugir com o rabo à seringa até porque, segundo os regulamentos, só podemos sair em Junho, e serei sempre o primeiro a tentar resolver os problemas", disse ontem Braga Júnior.

RESCISÕES À VISTA NO BESSA

O presidente do Sindicato de Jogadores, Joaquim Evangelista, confessou ontem ao CM que o ambiente no seio do plantel axadrezado é de alguma apreensão. "Os jogadores não sabem o que vai ser do seu futuro. Alguns já começam a pensar mesmo em rescindir unilateralmente para poderem prosseguir com as respectivas carreiras", disse Evangelista.

Entretanto, o guarda-redes Carlos chegou a acordo com os iranianos do Foolad, onde irá jogar emprestado por uma época.

APONTAMENTOS

RISCO DE PRISÃO

Joaquim Teixeira não tem antecedentes criminais. Mas, para que a pena de oito meses de prisão seja suspensa, terá de pagar à empresa ‘Polopique’ pelo menos metade dos 25 mil euros de indemnização, num prazo de seis meses, após a sentença transitar em julgado.

TESTEMUNHA

Como sócio e gerente da empresa que requeria o arresto de bens de outra firma, Joaquim Teixeira não poderia ser testemunha no processo. Mas pôde assumir esse papel como funcionário ou director financeiro.

9 MIL EUROS / MÊS

O líder boavisteiro dirige duas empresas, trabalho pelo qual aufere rendimento mensal bruto de 9 mil euros. É divorciado e tem dois filhos menores.

 

 

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