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Correio da Manhã

Desporto
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Tempo perdido em fim de época

A primeira parte acabou quase sem factos ou histórias para contar. Única excepção: o adeus de Poom, o guarda-redes da Estónia, que fez perante Portugal a despedida. Aos 37 anos, tirou as luvas e foi para casa a única figura desta selecção.
11 de Junho de 2009 às 00:30
Kink e Zé Castro em duelo nas alturas
Kink e Zé Castro em duelo nas alturas FOTO: Ints Kalnins/Reuters

Do lado português, muitas experiências. O seleccionador aproveitou para lançar três novos futebolistas. Beto, Zé Castro e Eliseu. Não foram propriamente apostas seguras, uma vez que a melhor forma de ver jogadores é colocá-los na estrutura habitual. Mas essa não foi a opção de Carlos Queiroz.

Beto conseguiu mostrar-se aos 14 minutos, quando uma falha da defesa portuguesa permitiu a Purje aparecer na área livre para cabecear. Pois bem, o guarda-redes do Leixões percebeu que era a sua oportunidade e fez uma daquelas defesas que o tornaram figura na Liga portuguesa. Grandes reflexos, bola parada. A primeira oportunidade tinha sido da Estónia, frágil adversário (113º no ranking FIFA) escolhido para fechar a temporada.

Portugal respondeu ao susto com duas ou três boas iniciativas de Eliseu, Edinho e sobretudo de Nani. O extremo do Málaga começava a aproveitar o tempo oferecido pelo seleccionador. Boas arrancadas, posicionamento correcto e remates sempre que havia espaço. Muito bem.

Claro que a equipa nacional jogava pouco, mas era difícil exigir mais. Ao escolher um onze quase sem titulares, Queiroz pretendeu desvalorizar o jogo. E conseguiu-o. A Selecção exibiu-se a baixo do que se esperava, mas a justificação estava encontrada à partida: falta de rotina. Tempo perdido? Em parte sim. Não se afinou a rotina do onze, não se deu verdadeiras oportunidades às segundas escolhas. A Estónia aproveitou. Subiu no terreno à custa de algumas faltas e explorou a dificuldade do meio-campo português.

Queiroz viu e colocou em campo Raul Meireles. Inevitável. A Selecção melhorou um pouco, mas não o suficiente para incomodar um adversário frágil mas entusiasmado. O tempo passava, as férias aproximavam-se. Essa foi mesmo a melhor notícia da noite: terminou aqui a primeira fase do doloroso percurso da equipa nacional em 2008/09. Espera-se que na próxima temporada seja melhor. Muito melhor, de preferência.

ANÁLISE

POSITIVO: DUAS BOAS ESTREIAS

Beto e Eliseu estiveram entre os melhores e isso só pode ser bom para a selecção portuguesa. Mas, claro, serve de pouco ao guarda-redes, uma vez que o seleccionador Carlos Queiroz já disse que o titular é Eduardo…

NEGATIVO: OUTRA VEZ A ZERO

Este foi o quarto jogo sem golos nas últimas 11 partidas. Tendo em conta que Portugal precisa mesmo de vencer os quatro desafios que falta para chegar, pelo menos, ao segundo lugar do grupo, o cenário é pouco alegre.

ARBITRAGEM: SEM PROBLEMAS

Jogo particular, nenhuma dificuldade para o árbitro dinamarquês Michael Svendsen. Mesmo assim, deveria ter mostrado cartão (vermelho...) a um jogador da Estónia por entrada violenta sobre Nani. Mau o cartão mostrado a Eliseu.

TODOS A PENSAR NAS FÉRIAS

Beto. Estreia bem justificada, com uma grande defesa no primeiro tempo e muito trabalho depois do intervalo. Um total de cinco defesas complicadas a salvar o empate!

Miguel. Voltou ao tipo de jogo de que tanto gosta, a apoiar o ataque, mas nunca se entendeu com Eliseu.

Ricardo Carvalho. Capitão e ‘mais velho’ da Selecção B de Queiroz, claramente necessitado de férias. Viu Jaeger negar-lhe o golo, na melhor oportunidade lusa.

Rolando. Jogo calmo, calmo de mais, com um erro comprometedor (14’) resolvido por Beto.

Gonçalo Brandão. Hiperdiscreto, sem uma centelha.

Zé Castro. Uma titularidade, a meio-campo, sem pés nem cabeça.

Tiago. Longe da melhor forma. Não justificou o regresso à equipa.

Boa Morte. Lutou honestamente para se redimir de Tirana, mas o jogo não deu para mais. Pode ter sido o adeus à Selecção.

Nani. Substituiu Ronaldo na assinatura de autógrafos e procurou estar à altura. Foi o mais rematador, mas sem ritmo e consistência – um grande estouro na 2ª parte.

Edinho. Trabalhou, mas desperdiçou três ocasiões por evidentes insuficiências técnicas (4’, 39’ e 83’).

Eliseu. Um esquerdino à direita, começou complicativo e ainda acabou bem a primeira parte, desaparecendo a seguir ao intervalo.

Pepe. Regressou como central, sem erros de monta.

Duda. Não trouxe nada de novo.

Raul Meireles. Uma entrada que se notou, pela positiva: uma visão em terra de cegos.

Hugo Almeida. Sem tempo.

Bruno Alves. Três minutos para segurar o empate.

QUEIROZ DIRECCIONA FÚRIA PARA O ÁRBITRO

O seleccionador nacional Carlos Queiroz direccionou a sua fúria, após novo empate a zero, para o árbitro. Entrou no túnel e gritou com ele até ao balneário, acusando o ‘juiz’ dinamarquês Michael Svendsen de ter permitido o jogo duro. "Isto não é wrestling", gritou. No entanto, Queiroz não quis comentar a arbitragem, preferindo minimizar o empate a zero ao considerar que o objectivo foi "cumprido".

"Os jogadores empregaram-se, bateram-se muito bem, por isso os objectivos foram cumpridos", disse Queiroz. Apesar de, na antevisão ao encontro, ter admitido que só a vitória interessava, a verdade é que ontem voltou a direccionar os objectivos. "Fizemos uma boa primeira parte mas na segunda metade baixámos um pouco o nível. Mas o jogo valeu pela oportunidade que permitiu tornar alguns jogadores mais maduros e experimentados.

Quanto à vitória da rival Suécia, Queiroz lembrou: "Estamos em vantagem sobre esse adversário e agora só temos de cumprir a nossa obrigação, que é vencer os jogos com a Dinamarca e Hungria".

Já o estreante guarda-redes Beto, considerado o melhor em campo, destacou "o empenho de todos" os colegas e que pretende "dar continuidade" a esta primeira internacionalização.

SUÉCIA APERTA PORTUGAL

A Suécia venceu ontem Malta por 4-0 e igualou Portugal no terceiro lugar do grupo, com nove pontos. Este resultado não favorece as contas portuguesas, pois a diferença de golos é um dos critérios utilizados em caso de empate entre as duas selecções.

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