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Ténis: Pelo meridiano dos mestres

Arrancou esta segunda-feira, na zona de Greenwich tornada famosa pelo meridiano, o ATP World Tour Finals – cimeira que reúne os melhores tenistas do ano no circuito profissional masculino. Com mais de quatro milhões de euros de dotação, Federer, Djokovic e Murray assumem favoritismo face à ausência de Nadal.

5 de Novembro de 2012 às 23:26
Federer é um dos favoritos
Federer é um dos favoritos FOTO: EPA

O tradicional evento de final de temporada que reúne os melhores tenistas do planeta arrancou nesta segunda-feira na imponente Arena O2, em Londres. O prize-money é chorudo (5,5 milhões de dólares, à volta de 4,3 milhões de euros), mas para os protagonistas da modalidade que formam o elenco da prova oficialmente designada por ATP World Tour Finals estará em jogo sobretudo o prestígio: para um campeão, não há melhor prova do que se impor perante os seus pares ao mais alto nível e na zona de Greenwich, no sudeste da capital britânica, estará a competir a nata da modalidade – se bem que se registe uma baixa de peso com a ausência de Rafael Nadal.

A última vez que se viu o campeoníssimo espanhol a competir foi precisamente em Londres, mas do outro lado da cidade – quando, no final de Junho, perdeu na segunda ronda de Wimbledon. Desde então os problemas nos joelhos têm-no afastado do circuito, pelo que a cimeira vulgarmente conhecida por Masters não será propriamente jogada pelos oito primeiros do ranking mas por oito dos nove melhores tenistas da temporada; de qualquer forma, o maiorquino nunca se deu bem com os pisos mais rápidos em recinto coberto e o Masters é mesmo o único grande título que não consta do seu notável palmarés (jogou somente uma final e perdeu, em 2010); do quarteto que tem dominado o ténis masculinos nos últimos tempos sobra assim uma forte troika que assume o principal protagonismo em Londres – embora os restantes tenham logicamente uma palavra a dizer no que diz respeito à luta pelo título.

FASE DE GRUPOS

O formato competitivo engloba oito jogadores de singulares e oito duplas de pares que irão discutir um total de 15 encontros nas respectivas vertentes. A prova começa com uma fase de grupos (round-robin) em que cada uma das duas poules inclui quatro jogadores/duplas. E o sorteio individual determinou que o primeiro grupo fosse composto por Novak Djokovic (Sérvia, nº1), Andy Murray (Escócia, nº3), Tomas Berdych (Rep. Checa, nº 6) e Jo-Wilfried Tsonga (Fra, nº8) e o segundo por Roger Federer (Suíça, nº2), David Ferrer (Espanha, nº5), Juan Martin del Potro (Argentina, nº7) e Janko Tipsarevic (Sérvia, nº9).

Nos primeiros seis dias os jogadores/duplas de cada grupo defrontam-se entre si (dois encontros por dia referentes ao mesmo grupo) até que os dois primeiros classificados – determinados pelo número de vitórias, resultados entre si, número de sets ganhos e perdidos – acedem às meias-finais. No domingo, o primeiro do Grupo A joga com o segundo do Grupo B e vice-versa; na segunda-feira joga-se a final.

No triunvirato de favoritos, Novak Djokovic, o número um mundial, parece mais fresco do que em anos anteriores na fase terminal da época e tentará repetir o êxito de 2008 (então em Pequim); Roger Federer ganhou o ano passado pela sexta vez, desfazendo a seu favor o penta de triunfos que partilhava com Ivan Lendl e Pete Sampras; Andy Murra está a actuar perante o seu público e tentará fazer melhor do que as meias-finais de 2008 e 2010, sabendo que jogou a final dos últimos eventos que jogou em Londres (perdeu a final de Wimbledon com Federer e vingou-se dele na final olímpica). E o herói local começou da melhor maneira na sessão inaugural de hoje: num duelo que se previa complicado diante do checo Tomas Berdych, impôs-se por 3-6, 6-3 e 6-4 ao cabo de 2h08m de jogo; na sessão nocturna Novak Djokovic bateu Jo-Wilfried Tsonga por 7-6 e 6-3, sendo que a terça-feira está reservada aos encontros do Grupo B.


PRIZE-MONEY

O ATP World Tour Finals oferece um total de 5,5 milhões de dólares (4,3 milhões de euros). Nada mau, em tempo de crise… embora vários tenistas (com Rafael Nadal à cabeça) se tenham queixado no passado que a talhada para o fisco britânico é excessiva. Aqui fica a distribuição dos prémios:

Singulares:

Suplentes: $75.000
*Prémio de participação: $130.000

Fase de Grupos: $130.000 por encontro ganho

Vitória na meia-final: $410.000
Vitória na final $830.000
Campeão sem derrotas: $1.760.000

Pares (por dupla)

Suplentes: $25.000
*Prémio de participação: $65.000
Fase de Grupos: $25.000 por encontro ganho
Vitória na meia-final: $65.000
Vitória na final $125.000
Par campeão sem derrotas: $330.500

SEDE PASSOU POR LISBOA

A cimeira de final de ano começou a jogar-se em 1970, reunindo exclusivamente os melhores do ano no circuito profissional numa prova então designada de Masters – que conheceu um enorme ímpeto quando se começou a jogar no mítico Madison Square Garden de Nova Iorque e que, após a transição para a Europa, adoptou a denominação de ATP Tour World Championships em 1990 e Masters Cup na edição de Lisboa, em 2000. Após a edição do Pavilhão Atlântico o torneio passou por Sydney, Houston e Xangai até regressar à Europa há três anos sob o nome Barclays ATP World Tour Finals. Não têm sido muitas as cidades europeias que acolheram a prestigiada prova desde a sua incepção em 1970: apenas Paris (1971), Barcelona (1972), Estocolmo (1975), Frankfurt (1990-95), Hannover (1996-99), Lisboa (2000) e Londres (2009-12). O torneio voltará a jogar-se em Londres para o ano e fica decidido esta semana se o acordo se irá prolongar, mas entre as candidaturas parecem perfilar-se também o Rio de Janeiro e Nova Iorque.

Enviado-especial do Correio da Manhã no Twitter: http://twitter.com/MiguelSeabra

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