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Tenistas lusos passam por dificuldades devido a fumo dos incêndios no Open Austrália

Nuvem de fumo causa dificuldades respiratórias aos atletas.
Lusa 15 de Janeiro de 2020 às 11:28
Cenário geral do set na Austrália
Cenário geral do set na Austrália FOTO: Getty Images
Os tenistas portugueses Frederico Silva e Pedro Sousa confessaram que sentiram algumas dificuldades na ronda inaugural do 'qualifying' do Open da Austrália, primeiro 'major' da temporada, devido ao fumo dos incêndios que têm assolado a Austrália.

"Ontem [terça-feira] não foi um dia fácil para jogar. O meu encontro decorreu entre as 12:30 horas e as 15:00 horas e fiquei com a sensação de ter sentido mais calor. O ar estava mais difícil de respirar, quase como se não entrasse todo quando inspirava fundo", começou por contar Frederico Silva à agência Lusa.

O jogador das Caldas da Rainha, de 24 anos, eliminou na primeira ronda o sul-coreano Ji Sung Nam, número 241 do 'ranking' ATP, por 2-6, 6-4 e 6-4, mas admite ter vivido uma situação insólita, na sequência do fumo dos incêndios florestais que já vitimaram 27 pessoas, embora "não tenha sido necessário interromper o encontro."

Consumada a continuidade em prova, após ter sentido "alguma dificuldade em recuperar entre os pontos, também pelo corpo não estar habituado a temperaturas tão altas", Silva diz acreditar que a primeira ronda não foi adiada na sequência de uma "decisão ponderada da organização", mas admite não compreender a opção.

"Se a qualidade do ar estava perigosa para a população em Melbourne, também estaria para quem ia praticar desporto de alta competição ao ar livre. Dentro dos possíveis, consegui lidar bem com a situação e vencer, o que acabou por ser o mais importante para mim no dia de ontem [terça-feira]", sublinhou.

À semelhança de Frederico Silva, 198.º colocado na hierarquia mundial, Pedro Sousa também assinalou a sua estreia em Melbourne num dia em que, relata, "havia muito fumo no complexo desportivo e o ar estava muito pesado."

"Estava mais calor do que nos dias anteriores e ficávamos cansados mais rapidamente, mas não sei bem se pelo fumo, se pelo calor. Ainda assim, não interferiu no resultado e não foi por isso que perdi", frisou o lisboeta, número 139 do 'ranking' mundial, após a derrota diante o australiano Blake Mott, por 6-3 e 6-4.

Pedro Sousa não deixa, contudo, de condenar a decisão de manter a jornada inaugural de qualificação para o quadro principal do Open da Austrália e de mostrar até alguma preocupação.

"As notícias e a Câmara de Melbourne aconselhavam as pessoas a não saírem à rua, não passearem animais e fecharem as janelas. E, com tanta margem que o 'qualifying' tem, 'obrigaram-nos' a jogar ontem [terça-feira), quando claramente não parecia haver condições. Não sabemos até que ponto isto é prejudicial à saúde, não só no imediato, como no futuro", lembrou.

Nesta quarta-feira, segundo Frederico Silva, as condições melhoraram. "Hoje está melhor. A 'mancha' de fumo deslocou-se para outra zona da Austrália", finalizou o português que vai defrontar o sérvio Pedja Krstin (240.º ATP) na segunda ronda do 'qualifying'.

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