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Correio da Manhã

Desporto
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Todos os jogadores são respeitadores e amigos

Os jogadores respeitam-na e o público admira-lhe a determinação. Berta Miranda é a treinadora da equipa masculina de futsal da Associação Juvenil de Abel Botelho (AJAB), de Tabuaço, a militar na III Divisão Nacional, Série B.
28 de Março de 2005 às 00:00
Apesar de ocupar os últimos lugares no campeonato, dirigentes e adeptos estão satisfeitos com o trabalho realizado pela técnica, uma rara presença no feminino na modalidade.
Berta Miranda, de 29 anos, nascida e criada numa pequena aldeia em Vila Real, sempre gostou de jogar futebol, mas treinar uma equipa, ainda para mais masculina, nunca tinha passado pelos seus objectivos. Nos complexos desportivos onde vai com a equipa, a sua figura não passa despercebida, já que os homens dominam os lugares de treinadores.
Segundo a técnica, os 18 jogadores que tem à sua disposição, com idades entre os 17 e os 28 anos, são “espectaculares”. “São rapazes respeitadores e amigos, e nos treinos sempre pautou o respeito e educação”, e não sente qualquer embaraço ou menos à-vontade dos pupilos.
“Os rapazes não estranharam a minha presença, já que ao longo do tempo em que estive como adjunta, eles habituaram-se a ter uma mulher entre eles”, conta a treinadora, salientando que alguns deles já foram seus alunos pelo que procura ter “uma relação cordial e amiga” e “impor a disciplina”.
Segundo Berta Miranda, saber impor não são qualidades exclusivas de homens. “Nunca tive qualquer problema da parte dos jovens e a direcção sempre me apoiou, e nunca mostrou qualquer entrave”, diz.
A única situação menos agradável aconteceu num jogo em Coimbra. “Algumas pessoas na bancada começaram a gozar com os jogadores, porque eu estava a dar indicações de jogo: ‘vês ela até manda em vocês’, diziam”. Palavras que não a afectaram pois “estava ali para cumprir o meu trabalho”. “Ser homem ou mulher não afecta as nossas capacidades”, conclui a treinadora da Associação Juvenil Abel Botelho.
DE ADJUNTA A TÉCNICA PRINCIPAL
Berta Miranda começou a sua carreira desportiva no futsal aos 17 anos, ao ingressar na equipa do Sport Clube de Vila Real e mais tarde no Sport Clube Mateus.
Nos tempos em que foi estudante universitária jogou na equipa da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD). Licenciou-se em Educação Física. A primeira experiência como técnica surgiu em Setembro do ano passado, quando um colega de universidade a convidou para ser sua adjunta na Associação Juvenil de Abel Botelho. Mais tarde, com a necessidade do treinador partir para leccionar noutro distrito, Berta Miranda assumiu o comando técnico da equipa.
Ao longo destes anos dedicados ao futebol de salão, também fez o gosto ao pé, em clubes como o Vila Pouca e o Drible. No currículo de quase 10 anos de futsal, guarda alguns troféus, uma equipa na UTAD, medalhas e o sabor de vencer alguns títulos.
DO BANCO
MÁ CLASSIFICAÇÃO
A equipa de futsal da Associação Juvenil de Abel Botelho não atravessa um dos melhores momentos competitivos, mas a posição na linha de despromoção não assusta Berta Miranda. “Vamos treinar mais vezes durante a semana, de modo a recuperar os pontos perdidos”, vaticina confiante, a treinadora.
ESPERANÇA
O 11.º lugar, fruto de cinco vitórias, dois empates e doze derrotas, “não são motivo para esmorecer”, e Berta Miranda garante com ambição: “Perante o trabalho que estamos a realizar tenho a certeza que vamos conseguir melhor e o nosso objectivo, mesmo sabendo que apenas faltam seis jornadas para o fim do campeonato”.
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