A Equipa de Coordenação do ‘Apito Dourado’ está a investigar transacções financeiras ligadas à compra e venda de jogadores do FC Porto. As vendas de Ricardo Carvalho e Paulo Ferreira, do FC Porto para o Chelsea (o primeiro por 30 milhões e o segundo por 20), estão a ser passadas a pente-fino.
As investigações incidem também nos negócios de Pepe, do Marítimo para o FC Porto; de Adriano e de Paulo Assunção, do Nacional para os azuis-e-brancos; e de Maciel e Derlei, ambos vindos da U. Leiria.
No centro de alguns destes negócios volta a estar António Araújo, o empresário com ligações aos portistas que também foi acusado em diversos processos relacionados com o ‘Apito Dourado’. No caso de Pepe, por exemplo, a transferência ocorreu depois de o jogador ter chegado ao Marítimo em 2001/2002, proveniente do Corinthians Alagoano, clube de que o empresário António Araújo chegou a ser co-proprietário.
Pepe foi depois para o FC Porto no início da época de 2004/2005, tendo assinado contrato por cinco anos, numa transferência que terá custado cerca de um milhão de euros. Toda a documentação está a ser analisada pela Direcção-Geral de Contribuições e Impostos, sendo esse um dos 11 processos pendentes por suspeita de outros crimes económicos para além de corrupção desportiva.
Ainda segundo o que o CM apurou, as autoridades contaram com o apoio, na investigação, de Carolina Salgado, que denunciou algumas irregularidades graves na negociação dos jogadores. Estão agora a ser verificadas transferências de avultadas verbas para as ilhas Caimão e também para contas na Suíça, aguardando as autoridades a chegada de informação pedida às suas congéneres europeias.
As investigações aos negócios relativos às transferências de jogadores são mais lentas do que os casos de corrupção desportiva. Essas certidões deverão estar todas terminadas (com despacho de acusação ou arquivamento) até 30 de Julho, enquanto os restantes inquéritos se deverão manter sob investigação. Também a Direcção-Geral de Finanças tem feito nos últimos anos um apertado controlo ao mercado das transferências de jogadores. O envio de dinheiro para paraísos fiscais está a ser verificado, o que tem levado a um abrandamento dos negócios, com uma diminuição cada vez mais evidente.
EMPRESÁRIO E ÁRBITRO TROCAM MENSAGENS
- António araújo para Augusto Duarte
“Estou amiguinho, tudo nota 20, depois a gente fala. Obrigado aí, é aquela coleguisse.”
- Augusto Duarte para António Araújo
“Isto nunca falha.”
- Araújo para Duarte
“Espectáculo, muito bem, amiguinho.”
JÚNIORES ARQUIVADOS
A investigação ao jogo Beira-Mar-Leixões, de juniores, realizado no início de 2004, pela equipa da procuradora Maria José Morgado foi arquivada.
As suspeitas recaíam sobre o árbitro Hernâni Duarte, sobre o seu irmão e também sobre o árbitro Augusto Duarte, o empresário António Araújo e o dirigente do clube de Matosinhos, José Manuel Ferreira.
O despacho do Ministério Público (MP) fundamenta-se então na falta de prova de que o árbitro do jogo tivesse recebido contrapartidas. Isto porque, segundo o MP, apenas foram apurados contactos entre os três arguidos e não com o árbitro do jogo.
“Não há dádiva ou promessa. Ainda que o pedido de favorecimento tivesse sido formulado e que Augusto Duarte tenha acedido transmiti-lo ao seu irmão, não vislumbramos vantagem ao árbitro do jogo”, dizem os magistrados que determinam então o encerramento da investigação, por falta de indícios da prática dos crimes de corrupção desportiva.
TRANSFERÊNCIAS EM CAUSA
As transferências de Pepe, Paulo Ferreira e Maciel estão a ser investigadas no âmbito do processo ‘Apito Dourado’
PEPE CUSTOU UM MILHÃO DE EUROS
O ‘patrão’ da defesa portista chegou ao Dragão no início da época 2004/05, vindo do Marítimo. Na altura, o FC Porto pagou um milhão de euros pelo passe do defesa-central que hoje está avaliado em 20 milhões.
PAULO FERREIRA RENDEU 20 MILHÕES
Foi transferido do V. Setúbal para o FC Porto por aproximadamente um milhão de euros. Titularíssimo com José Mourinho, o lateral acabou por se mudar para o Chelsea, no verão de 2004, por 20 milhões de euros.
1,5 MILHÕES POR MACIEL
O extremo brasileiro seguiu José Mourinho para o FC Porto, depois de ter representado a União de Leiria. O FC Porto pagou 1,5 milhões de euros ao clube da cidade do Lis pelo passe de Maciel.
VERDADE DESPORTIVA VIOLADA EM 2003/2004
A equipa de Maria José Morgado, a magistrada que lidera a investigação às certidões do processo ‘Apito Dourado’, não tem dúvidas – o FC Porto violou a verdade desportiva na época 2003/2004, de forma a se sagrar campeão nacional.
Entre António Araújo e Pinto da Costa houve uma “conjugação de esforços e intentos e segundo um plano previamente delineado, com o objectivo último de violar a verdade desportiva e proporcionar ao FC Porto a vitória da Super Liga”, pode ler-se no despacho que determinou a acusação do presidente dos azuis-e--brancos, a propósito da suspeita de corrupção no jogo Beira-Mar-FC Porto (0-0).
O magistrado que assina a Acusação Pública diz ainda que “para ser primeiro contribuiu a acção de Pinto da Costa que enquanto presidente do Porto exerceu o seu poder junto dos árbitros para conseguir arbitragens favoráveis”. Em troca, acrescenta, eram oferecidas “determinadas contrapartidas, algumas monetárias”. E frisa que o líder portista “contava com a colaboração do António Araújo que estabelecia contactos directos com árbitros e que servia como intermediário. Do que é prova a conversa que aquele manteve com funcionário da SAD onde dizia: ‘Eu ajudo muito o presidente e você sabe disso’”.
As autoridades afirmam também que a contrapartida oferecida ao árbitro Augusto Duarte foi 2500 euros. E que o árbitro aceitou o dinheiro, mesmo sabendo que seria um suborno para violar “as leis do jogo”. Na acusação relativa ao Nacional-Benfica, também arbitrado por Augusto Duarte, os investigadores dizem não ter apurado qual a contrapartida em dinheiro. Apenas que foi oferecido um bilhete para o jogo Manchester-FC Porto e uma quantia “não determinada”.
Diz ainda o despacho do Ministério Público que o Nacional da Madeira e o FC Porto tinham interesse naquele jogo. O primeiro porque lutava por um lugar na UEFA (o que acabou por conseguir), o segundo porque pretendia afastar o Benfica da luta pelo título.
OUTRAS INVESTIGAÇÕES
MANTORRAS
A contratação do angolano Pedro Mantorras, que foi do Alverca para o Benfica, continua em inquérito. A Polícia Judiciária quer arquivar o processo relativamente a Luís Filipe Vieira e acusar o empresário do jogador Jorge Manuel Mendes.
6 JOGADORES
O negócio de cinco futebolistas do Alverca vendidos por cinco milhões de euros (Veríssimo, Rodolfo Lima, José Rui, Artur Futre e Amoreirinha) mantém-se em inquérito na PJ. Tal como a transferência de Ronald Garcia que nunca chegou a jogar.
JOÃO PINTO
Relativamente ao Sporting mantém-se em investigação a compra do passe de João Vieira Pinto. São arguidos neste processo o ex-empresário José Veiga e o jogador que actualmente está em Braga a defender as cores do Sporting local.
JULGAMENTO EM GUIMARÃES
Pimenta Machado e Vale e Azevedo estão também a ser julgados por suspeita de fraude, envolvendo a transferência de jogadores. Em causa está, por exemplo, a venda de Pedro Barbosa ao Sporting
VALE E AZEVEDO CONDENADO
Vale e Azevedo foi condenado por burla
na sequência da transferência do guarda-redes russo Ovchinnikov para os encarnados. Há ainda outros negócios da mesma altura em discussão nos tribunais
PERITAGENS CONTESTADAS
Os arguidos do processo ‘Apito Dourado’ vão contestar as peritagens efectuadas por Vítor Pereira e Jorge Coroado. Ambos visionaram os vídeos dos jogos a pedido da PJ e detectaram erros das equipas de arbitragem
IRREGULARIDADES
Uma auditoria encontrou irregularidades
nas transferências de Calado, Abel Xavier, Chainho, Miguel, Jorge Andrade e Gaúcho, que renderam ao E. Amadora 12,5 milhões de euros. O processo ainda está na PJ
BENFICA PREJUDICADO
“Os actos tiveram benefício directo para o Nacional e FC Porto e prejuízo para o Benfica”, afirma o MP no caso de corrupção do jogo Beira-Mar-FC Porto (0-0), da época 2003/04
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