Não vão faltar motivos de intresse até ao final da Liga.
O assunto tem quase uma semana mas, lamentavelmente, não deixa de ser actual: o Benfica perdeu por cinco bolas no Porto e isto não contando com as bolas de golfe que, como todos sabemos, é um desporto elitista porque são caros os seus materiais: tacos, carrinhos, bolas, aluguer de campos e até mesmo a indumentária dos seus praticantes, quando trajados a rigor, fica muito fora do alcance da bolsa do cidadão comum.
Dois dias depois do jogo, com uma pressa e eficácia dignas de assinalar, veio a Comissão de Disciplina da Liga de Clubes exercer a sua autoridade disciplinadora e aplicou ao FC Porto 2500 euros de multa como castigo de um seu suposto adepto ter acertado em cheio com uma bola de golfe no guarda-redes do Benfica no decorrer do jogo. Como não é de crer que tenha sido um adepto do Benfica a atingir Roberto com uma bola de golfe – as relações entre o espanhol e os benfiquistas estão muito mais serenas desde que Roberto defendeu aquela grande penalidade histórica contra o Vitória de Setúbal -, compreende-se que a CD da Liga tenha intuído que a agressão partiu de um suposto adepto do FC Porto.
Está feita, portanto, jurisprudência nestes casos em que o futebol, desporto popular se cruza com o golfe, modalidade elitista. Uma bola de golfe à séria, com o diâmetro e o peso regulamentar, com aquelas covinhas à superfície para lhe aumentar a capacidade aerodinâmica, vale 2500 euros sempre que acertar num jogador de futebol que esteja em campo a jogar… futebol.
Imaginemos que o guarda-redes do Benfica tinha sido alvejado por duas bolas de golfe. É só fazer as contas. Nesse caso, a Comissão de Disciplina da Liga teria castigado o FC Porto com uma multa de 5000 euros. É sempre a multiplicar, compreendem? E compreenderão também a razão pela qual o golfe é uma modalidade cara para quem a pratica.
A verdade é que o Benfica saiu do Porto vergado a um número incrível de bolas e, em pleno São Martinho, não há ninguém que aposte noutro vencedor que não seja o FC Porto quando, lá para os Santos Populares, a corrente época chegar ao fim. Garantem os homens da lógica e das estatísticas que o campeonato nacional de futebol acabou no domingo passado com o afundanço do campeão em título na casa do rival. É apenas uma maneira de ver as coisas.
Há sempre outras perspectivas. E o campeonato não só não acabou como se dividiu em três campeonatos: o campeonato do título, em que o FC Porto está bem lançado, o campeonato da Segunda Circular, a disputar entre o Benfica e o Sporting, e um sensacional campeonato do Minho, a disputar entre Braga e Guimarães. E não vão faltar motivos de interesse.
ERRAR É HUMANO
Tudo absolutamente normal
E Gralha foi para a jarra. Isto dito assim… “e gralha foi para a jarra”… é difícil de entender por um leigo. Não é fácil explicar o sentido profundo (e também o superficial) desta curta frase a alguém que desconheça a deliciosa riqueza do léxico do nosso futebol. São necessários muitos fins-de-semana de intenso futebolês, muitos meses, muitos anos de estudo prático e teórico do fenómeno, para que uma pessoa olhe para uma frase destas – “e Gralha foi para a jarra” – e a entenda imediatamente nas suas subtilezas factuais.
Gralha é o nome de um árbitro. Em Portugal, os árbitros têm nomes engraçados. Benquerença, Xistra, Capela, Cosme, Catita ou Elmano. Já “jarra” não é nome de árbitro. Jarra é uma metáfora, uma espécie de purgatório para onde vão, na jornada seguinte, os árbitros que dão barraca na jornada anterior. Mais exactamente: ficam em casa, vêem os jogos pela televisão na esperança de que o público os esqueça por um fim-de-semana. É o caso de Gralha nesta jornada. Gralha era o quarto árbitro quando Elmano (lá está!) Santos se lesionou no jogo Sporting-Guimarães. Gralha voou para o apito, em substituição, do colega lesionado e não enjeitou o seu momento de fama. Ofereceu o segundo golo ao Sporting. Se o futebol não fosse uma coisa absolutamente normal, Gralha teria carimbado os 3 pontos em disputa. Mas às vezes há cada coisa…
NEGATIVO
Luisão primeiro
Quando o treinador do Benfica optou por “normalizar” a equipa que já perdia por 3-0, no Porto, admitiu-se que o desastre poderia ficar por ali. Mas Luisão resolveu ele próprio “inventar” e entregou o Benfica ao descalabro.
Maniche a seguir
O Sporting esteve de tal modo colado ao televisor na noite do FC Porto-Benfica que, no dia seguinte, a um Maniche, ainda a vibrar, deu-lhe para imitar o “capitão” do Benfica. E entregou o Sporting inteirinho à União de Leiria.
Pereira a fechar
Carlos Pereira, presidente do Marítimo, desmentiu ter sido o autor da agressão de que foi vítima o jornalistas Marco Freitas, do “Diário de Notícias da Madeira”. O jornalista, no entanto, não retira uma vírgula ao que relatou. Boa sorte!
PÉROLA
“Se calhar fui eu que vendi o Di María e o Ramires abaixo das cláusulas de rescisão.”: PINTO DA COSTA
Não, não foi. E mesmo que quisesse não podia porque não é presidente do Benfica. Pinto da Costa é apenas o presidente do FC Porto e foi nessa qualidade, que ninguém lhe tira, que vendeu Bruno Alves para São Petersburgo e Raul Meireles para Liverpool abaixo das clausulas de rescisão. O seu a seu dono.
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