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Correio da Manhã

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UM CICLO À BEIRA DO FIM?

Os sinais de retoma estão aí, mas não chegam para esconder uma evidência: o Boavista, 14.º classificado, apenas quatro pontos acima da linha-de--água, é a grande desilusão desta primeira volta da SuperLiga.
28 de Dezembro de 2002 às 00:00
A equipa de Jaime Pacheco já somou tantas derrotas (seis) como em toda a temporada passada e lutar pelo título é agora uma miragem, porque o líder FC Porto leva já 22 pontos à maior.

Encontrar uma explicação para esta performance negativa não é fácil, até porque os resultados na Taça UEFA desmentem a crise doméstica. Estará o Boavista nesta primeira metade da temporada a pagar a factura de dois anos intensos e de sucesso? Esta poderá ser a explicação mais optimista. A outra, a que traça um cenário mais negro, aponta no sentido de estarmos a assistir ao fim do ciclo Jaime Pacheco, que vai no quinto ano como treinador da equipa.

Claro que também se pode falar na falta que fazem Pedro Emanuel e Petit. Mas noutros anos também saíram homens como Litos e nem se deu por ela.

O não acesso à Liga dos Campeões foi um rude golpe nas aspirações do clube, que também começou mal o campeonato, com um empate em Setúbal e uma derrota caseira com o FC Porto. Seguiram-se duas vitórias consecutivas (Académica e Santa Clara), uma derrota em Paços de Ferreira e um triunfo com o Varzim, para dar-se então início a uma sequência de seis jogos sem triunfos. Nas recentes vitórias sobre o Paris Saint-Germain e o Marítimo, assim como nos empates com Beira-Mar e Benfica já se viu um Boavista melhor. Resta saber se é para continuar.

CRISE OBRIGA A REMODELAÇÃO

A administração da SAD do Boavista já tomou medidas para tentar sanar a crise de resultados, com a reabertura do mercado no mês de Janeiro a ser marcada por uma remodelação do plantel. O anúncio de que iria haver entradas e saídas de jogadores foi de resto feito ainda no mês passado. Salta à vista que a maioria dos jogadores dispensados chegaram este ano ao Bessa, o que levanta desde logo dúvidas sobre a política de aquisições do clube. De saída estão Saúl, Sanã, José Pedro e Marco Almeida, jogadores contratados esta época, que serão agora emprestados. Também o avançado brasileiro Serginho deixa o Bessa, para ingressar a título definitivo no Paços de Ferreira.
Os reforços são o dianteiro Yuri (ex-Maia) e o médio colombiano Viveros (ex-Cruzeiro). Foram também inscritos os defesas Nuno Gomes e Pedrosa.

RICARDO EVITOU MALES MAIORES

Apesar do 14.º lugar na classificação e de já ter sofrido quase tantos golos (16) como em toda a temporada passada (20), o Boavista tem a terceira melhor defesa da SuperLiga, a par do Vitória de Setúbal – só o FC Porto e o Benfica, ambos com 12 golos sofridos, têm melhor registo – muito por obra e graça de Ricardo, um guarda-redes de classe mundial, que tem evitado males maiores para a sua equipa.
O internacional português é de resto o único totalista no plantel boavisteiro, tendo realizado todos os jogos disputados pelos axadrezados na SuperLiga.

Depois da desilusão que constituiu o campeonato do Mundo, para o qual partiu como provável titular, acabando no entanto por não disputar nenhuma partida (António Oliveira preferiu aposta em Vítor Baía), o guardião nascido no Montijo não se deixou abater e continua a revelar uma impressionante regularidade.

Já muito se falou sobre a possibilidade de Ricardo deixar o Bessa, com o Benfica a perfilar-se como principal candidato à aquisição do guarda-redes, mas o interesse dos “encarnados” parece ter esfriado e tudo indica que Ricardo permanecerá no Boavista pelo menos até ao final da temporada.

Outro destaque pela positiva na equipa boavisteira, pelo menos a partir de determinada altura da época, tem sido o avançado Silva. O jogador brasileiro é o melhor marcador da equipa, com cinco golos apontados, e surge nesta altura num excelente momento de forma.

Também o avançado brasileiro Luiz Cláudio, que chegou este ano ao Bessa, começa a deixar boas indicações e nos últimos desafios tem já revelado um razoável entendimento com Silva, que joga agora mais descaído para o lado esquerdo. Com o regresso de Duda, após lesão, está formado um tridente temível.
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