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Correio da Manhã

Desporto
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UMA EXPLOSÃO DE ALEGRIA

Depois de ter sido a última equipa a vencer no ‘velhinho’ estádio de Alvalade, em Maio de 2003, por 4-3, o V. Setúbal, que milita na Liga de Honra, foi o primeiro clube (português) a repetir a proeza no novo reduto ‘leonino’. Ontem, no Bonfim, a felicidade estava estampada nos rostos dos adeptos, satisfeitos com o brilharete conseguido frente ao Sporting.
19 de Dezembro de 2003 às 00:00
Apesar de terem passado algumas horas desde o triunfo por 1-0, Orestes, defesa brasileiro de 22 anos, relembra com exactidão o momento em que fez o tento que valeu aos vitorianos a passagem aos oitavos-de-final da Taça de Portugal. “Só vi a bola vir e corri para ela. No momento em que fugi à marcação e ia rematar pensei: essa tem que entrar", recorda o jovem natural de Minas Gerais. Depois do golo, o ex-Belenenses descreve o sentimento que o percorreu de forma elucidativa: "Senti uma explosão de alegria". Orestes sublinha que o triunfo frente ao Sporting "não pode ser eternamente relembrado", uma vez que o próximo jogo, frente ao Sp. Covilhã, realiza-se já no domingo. "Ganhámos uma batalha, mas ainda não ganhámos a guerra principal: subir de divisão", frisou.
JOGO COM TURCOS VISIONADO
O treinador Carlos Carvalhal, que conseguiu à terceira tentativa derrotar o Sporting, afirma que não houve qualquer segredo para vencer em Alvalade. "Limitámo-nos a jogar o nosso futebol e explorar os pontos débeis do nosso adversário. Para tal visionámos algumas imagens de alguns jogos do Sporting, entre os quais estava o jogo com o Gençlerbirligi", explicou. O técnico dos sadinos considerou ainda que não houve menosprezo do Sporting em relação ao Vitória. "Penso que as críticas a Fernando Santos foram injustas. Como Carlos Brito [treinador do Rio Ave] afirmou, há algumas semanas, há a ideia de que sempre que um clube pequeno vence um grande tende a valorizar-se mais os erros da equipa que perde e não as qualidades do vencedor".
Em relação ao adversário que gostaria de encontrar na próxima ronda da Taça, Carvalhal, que reitera que "a prioridade é o campeonato", é contundente: "Tal como aconteceu quando treinei o Leixões, gostaria de ficar isento na próxima ronda".
AURI E PUMA REPETEM DOSE
No onze setubalense estiveram dois jogadores que conhecem bem a sensação de eliminar o Sporting no seu reduto, por 1-0 e ao serviço de uma equipa de um escalão inferior. O defesa Auri e o médio Puma, que no ano anterior, ao serviço da Naval 1º de Maio, ajudaram a consumar o escândalo em Alvalade, repetiram este ano a dose. "Quando entrei lembrei-me logo que seria muito bom repetir a façanha e o meu desejo realizou-se mesmo”, disse Auri. Por outro lado, Puma frisa que vencer em Alvalade “foi sempre um objectivo” e destaca que o Vitória “demonstrou, uma vez mais, que tem valor para subir de divisão".
ADEPTOS INCANSÁVEIS
Com cerca de dois mil adeptos sadinos presentes no Alvalade XXI, jogadores, técnicos e dirigentes são unânimes em salientar o apoio dado pelos vitorianos à equipa. Carlos Cardoso, treinador que orientou a equipa no último triunfo em Alvalade e actual técnico adjunto, confessou que a claque que acompanhou a equipa o fez relembrar os tempos em que, nas décadas de 60 e 70, o clube arrastava multidões.
"O Vitória sempre foi e é conhecido pelo apoio incondicional que os adeptos dão à equipa, em Setúbal e fora da cidade. Isso deu-nos a confiança necessária para eliminar o Sporting. Espero que na próxima jornada, na Covilhã, não estejam duas, mas quatro mil pessoas a apoiar a equipa", desejou.
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