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Correio da Manhã

Desporto
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Uma prenda para a Liga

O Nacional impôs ao FC Porto a primeira derrota da época e a primeira de sempre na Choupana, com um golo de Lipatin a meio da segunda parte, uma prenda de Natal para os concorrentes ao título, numa partida em que se sentiram, de mais, as ausências de Quaresma e Sektioui e em que pela primeira vez ficaram expostos os sinais de fadiga de que Jesualdo andava a falar há algumas semanas.
22 de Dezembro de 2007 às 00:00
O Nacional da Madeira estudou bem as perspectivas de enfrentar um FC Porto sem os seus dois desequilibradores, escalando uma equipa com um núcleo central defensivo fortíssimo, em envergadura, concentração e agressividade, inclusive à custa da estreia absoluta do jovem brasileiro Felipe Lopes, permitindo que Ávalos actuasse no meio-campo para ajudar Cléber a pressionar muito os condutores de bola adversários, em particular Lucho González.
A primeira parte foi surpreendente, sobre um piso escorregadio que já prenunciava o primeiro tropeção dos dragões. Por consentimento do FC Porto, preso de movimentos, sem profundidade e com jogadores com o sentido nas férias de Natal, foi reduzida a iniciativa dos campeões nacionais. Em contrapartida, o Nacional foi ganhando coragem, subindo no terreno, pressionando forte com uma barreira intransponível de dois médios defensivos muito fortes e combativos e à passagem dos 20 minutos começou a pôr em prática a segunda parte do plano do seu treinador, que consistia em tentar o mais possível o remate de meia e de longa distância.
Foram sete os remates de longe na segunda metade do primeiro tempo, com realce para Juliano, o único que conseguia acertar com a baliza, obrigando Hélton a três defesas de baixo grau de dificuldade. Pragmático na organização defensiva, Jokanovic também instruiu os seus jogadores para não perderem tempo nem energias a tentar penetrar a melhor defesa do campeonato e eles cumpriram. No entanto, os remates eram ensaiados demasiado longe da área, facilitando a vida ao guarda-redes brasileiro.
O FC Porto ainda começou bem a segunda parte, viu Benaglio negar o golo a Lisandro num lance aparatoso e frontal (53’), mas foi logo castigado com o excelente golo de Lipatin, com mais um remate à entrada da área, mais forte e mais próximo da baliza do que todas as tentativas da primeira parte. Estava cumprido o tal plano de Jokanovic de ser a primeira equipa de todo o campeonato a colocar-se em vantagem sobre o FC Porto e a partir daí houve que gerir o tempo e o esforço, beneficiando da total desinspiração dos nortenhos e também da falta de rodagem e rotinas dos jogadores lançados por Jesualdo, Leandro, Kazmierczak e Adriano, que desperdiçaram boas ocasiões na fase final da partida.
POSITIVO: VITÓRIA BEM IMAGINADA
Grande trabalho de preparação táctica do jogo por parte de Pedrag Jokanovic, surpreendendo Jesualdo Ferreira e alcançando a primeira vitória de sempre do Nacional sobre o FC Porto em oito confrontos na Madeira, sem manobras de antijogo.
NEGATIVO: PORTO VULGAR SEM QUARESMA
Bastou tirar Quaresma e Sektioui para a equipa do Porto logo parecer vulgar e sem carisma, confirmando que o que tem cavado a diferença é a extrema regularidade da equipa titular, em contraste com as lesões que afectam Sporting e Benfica.
ARBITRAGEM: AVERSÃO A PENÁLTIS
Pedro Henriques está quase a completar dois anos sem marcar um penálti e optou por não o fazer no lance em que Mariano González simulou ser derrubado por Lopes (53’), a queimar a linha da grande área. Dualidade de critério disciplinar a favorecer o FC Porto.
APONTAMENTOS
KOEMAN QUER LUCHO
Lucho González é o preferido de Ronald Koeman para reforçar o Valência em Janeiro: “Para mim é um grande jogador. Vi-o jogar em Portugal e o clube também o procurou contratar no Verão”, recordou o técnico holandês ao jornal ‘Super Deporte’, relembrando que o emblema ‘che’ falhou a contratação do argentino quando este estava avaliado em 20 milhões de euros. Agora a cotação de Lucho poderá estar mais alta, pois os dragões garantiram a totalidade do passe.
VITÓRIA MERECIDA
Jokanovic admitiu que o Nacional entrou “com medo”, mas destacou a justiça do triunfo: “Libertámo-nos e o golo veio na hora certa. A equipa mereceu esta vitória.”
JESUALDO PROTESTA
Jesualdo Ferreira não ficou contente com o resultado e contestou o árbitro Pedro Henriques por não ter marcado um penálti. “Há um penálti com o resultado ainda em 0-0 que Pedro Henriques devia ter assinalado, porque era dentro da área”, disse o técnico portista.
FICHA DO JOGO
Local: Estádio Madeira, no Funchal
(2700 espectadores)
Árbitro: Pedro Henriques (Lisboa)
NACIONAL: Diego Benaglio, Patacas, Fernando Cardozo, Felipe Lopes, Alonzo, Cléber, Ávalos, Juliano Spadacio, Juninho (Zé Vítor, 66 M), Adriano (João Moreira, 55 M), Lipatin (João Coimbra, 84 M), Treinador: Jokanovic
Jesualdo Ferreira
FC PORTO: Hélton, Bosingwa, Pedro Emanuel, Bruno Alves, Fucile, Paulo Assunção, Lucho González, Raul Meireles (Leandro Lima, 66 M), Mariano González (Kazmierczak, 78 M), Lisandro López, Hélder Postiga (Adriano, 60 M). Treinador: Jesualdo Ferreira
Marcador: 1-0, Lipatin (57 M)
Acção disciplinar: Cartões amarelos –Felipe Lopes (53 M e 87 M), Cléber (64 M)
Vermelho: Felipe Lopes (87 M)
Melhor jogador: Juliano Spadacio
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