O ciclista dinamarquês Michael Rasmussen fez ontem jus ao título de campeão do Mundo de BTT conquistado em 1999. O corredor nórdico, habituado a terrenos acidentados e montanhosos, sentiu-se como peixe na água durante aquela que foi, até agora, a tirada mais penosa para a caravana do ‘Tour’.
Rasmussen, de 32 anos, triunfou na 16.ª etapa, 182 quilómetros entre Le Bourg-d’Oisans e La Toussuire, num dia em que a camisola amarela foi entregue a Oscar Pereiro, da equipa Caisse d’Epargne.
Sob o olhar do antigo chefe-de-fila da Discovery Channel, Lance Armstrong, o português José Azevedo manteve-se sempre entre os primeiros, acabando apenas por quebrar na ponta final. Ainda assim, o ciclista de Vila do Conde cortou a meta na 16.ª posição, a 7.55 minutos do vencedor. Com esta prestação, Azevedo subiu para 20.º da geral, agora a 19.46 minutos do líder.
Mas o destaque do dia vai inteiramente para Rasmussen que, ao que tudo indica, vai tornar-se, pelo segundo ano consecutivo, o rei da montanha no ‘Tour’. “Penso que mereço vestir esta camisola. É minha por mérito”, disse o dinamarquês, que dispõe de uma vantagem de 45 pontos de vantagem nessa classificação para David de la Fuente. “Vencer a etapa e conquistar a camisola eram objectivos.”
Rasmussen esteve bastante discreto na subida ao Alpe d’Huez, mas quanto ao dia de ontem sabia bem o que fazer. “Fiz sozinho esta etapa há um mês, antes do ‘Tour’, e já sabia o que esperar. Não estive bem na etapa anterior, fiquei desiludido, e tive de provar nesta todas as minhas potencialidades.”
Rasmussen apenas se tornou corredor de estrada há quatro anos, altura em que trocou as familiares BTT pelas desconhecidas bicicletas de estrada. Casado com uma mexicana, também ela ciclista, Rasmussen passa grande parte do ano a treinar em altitude. “Cerca de 90 por cento da minha época acontece nos três dias de Alpes do ‘Tour’.”
Oscar Pereiro terminou a tirada em 3.º, posição que lhe possibilitou regressar à liderança da competição, já que o norte-americano Floyd Landis ‘não teve pernas’ para enfrentar o último prémio de montanha de 1.ª categoria, que culminou com a chegada a La Toussuire, isto depois da caravana já ter enfrentado dois prémios de classe Especial (Galibier e Croix-la-Fer ).
O ‘Tour’ liga hoje St-Jean de Maurienne e Morzine (200,5 km), ainda em terrenos alpinos.
^"PARECIA UM FUNERAL"
Lance Armstrong apreciou ao vivo, na terça-feira, o trabalho da sua antiga equipa, Discovery Channel, na Volta à França e não gostou do que viu. Vencedor do ‘Tour’ sete vezes consecutivas, o norte-americano visitou a equipa depois da etapa com final em Alpe d’Huez e descreveu o ambiente apático que se vivia comparando-o a um cortejo fúnebre. “
Vim saudar os meus companheiros depois da etapa e encontrei-os muito desanimados. Parecia um funeral”, revelou o ex-ciclista. A formação norte-americana não está tão forte como em anos anteriores, mas Armstrong fala de um mau momento no seio dos ‘americanos’. “Estamos a passar por um ano de transição e todas as equipas têm momentos menos positivos”, justificou.
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