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Correio da Manhã

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VALE SAI EM LIBERDADE

Eram 19h02 quando João Vale e Azevedo, antigo presidente do Benfica, abandonou, ontem, o Estabelecimento Prisional anexo à Policia Judiciária, em Lisboa, onde cumpria uma pena de quatro anos e meio, no âmbito do processo Ovchinikov. Três anos e cinco meses após ter sido detido, e depois de ter estado perto da liberdade em Fevereiro último – voltaria a ser detido sete segundos após ter saído da prisão, desta feita no âmbito no processo Euroárea –, Vale e Azevedo regressou a casa acompanhado pela mulher, Filipa, e pelo irmão, Álvaro.
9 de Julho de 2004 às 00:00
O colectivo de juízes presidido por Ana Wiborg – que está a julgar outro processo no qual Vale e Azevedo é arguido, o famoso Caso Euroárea –, deu provimento ao requerimento formal de audiência interposto há 15 dias pelo advogado do ex-líder ‘encarnado’, José António Barreiros, no qual o causídico pedia a alteração da medida de coacção do seu cliente.
Vale foi libertado mediante o pagamento de uma caução de 250 mil euros (a ser prestada em dinheiro ou garantia bancária), estando obrigado a apresentar-se todas as sextas-feiras no posto da GNR de Colares (local de residência). O ex-presidente do Benfica está também proibido de contactar com as testemunhas do processo Euroárea, bem como de prestar declarações à Imprensa.
A libertação poderá justificar-se pelo facto de, a Vale e Azevedo ser aplicado o cúmulo jurídico de penas por todos os processos a que responde. Esse cúmulo poderá ser inferior ao tempo de prisão já cumprido, ou, sendo superior, poderão estar reunidos os requisitos necessários para sair em liberdade condicional. O Ministério Público já revelou que irá recorrer desta decisão.
No caso Euroárea, Vale responde por um crime de peculato (apropriação indevida de cinco milhões de euros ao Benfica), três de branqueamento de capitais e três de falsificação.
"ESTA DECISÃO JÁ VEM ATRASADA"
Minutos antes de deixar o Estabelecimento Prisional anexo à Polícia Judiciária, Filipa, mulher de Vale e Azevedo, falou aos muitos elementos da Comunicação Social presentes no local e lamentou que a decisão da libertação do ex-presidente do Benfica tenha tardado a chegar. “Esta decisão já vem atrasada. Agora peço um pouco de espaço porque precisamos reunir novamente a família e reajustar alguns hábitos que foram alterados devido à situação que vivemos nos últimos anos”, referiu Filipa Vale e Azevedo.
Já o advogado José António Barreiros considerou “justa” a decisão da juíza Ana Wiborg, garantindo que ao contrário do que aconteceu em Fevereiro, a saída do seu cliente foi bem mais calma. “Foi uma libertação pacífica. Cumpriu-se a deliberação do colectivo de juízes, que é quem julga e está habilitado a aplicar a medida de coacção. Trata-se de uma decisão justa, mas naturalmente que para nós poderia ter sido tomada mais cedo”, referiu o causídico.
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