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Correio da Manhã

Desporto
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Valentim arrasado

A acusação do processo ‘Apito Dourado’ foi ontem deduzida pelo Ministério Público, cujo magistrado, Carlos Teixeira, imputa crimes a Valentim Loureiro e aos vereadores José Luís Oliveira e Joaquim Castro Neves e também a um outro ex-vereador do PSD na Câmara Municipal de Gondomar, Leonel Viana.
1 de Fevereiro de 2006 às 00:00
Major Valentim Loureiro foi confirmado ontem como o principal arguido do processo ‘Apito Dourado’
Major Valentim Loureiro foi confirmado ontem como o principal arguido do processo ‘Apito Dourado’ FOTO: Estela Silva/Lusa
No seu despacho final, acabado ontem, o procurador adjunto Carlos Teixeira, do Ministério Público, em Gondomar, não poupa o major Valentim Loureiro, considerando-o cúmplice em alegadas manobras que teriam por finalidade subir o Gondomar da 2.ª Divisão B à Liga de Honra. Ao longo do despacho, o magistrado diz que Valentim já “usava e abusava” da influência desportiva nos meios da política e vice-versa, a fim de beneficiar terceiros, como o Boavista, clube de que é presidente honorário. Para o MP de Gondomar, haveria relações de promiscuidade entre o futebol e a política, com favorecimentos que seriam protagonizados pelo major, tratando quase tudo por telemóvel. Valentim Loureiro é arrasado, com a acusação pública, mais no que diz respeito à Liga de Clubes e à Câmara de Gondomar.
Desta extensa peça processual, onde se arquivam alguns casos e acusam aqueles que terão possibilidade de sustentar em julgamento, constam cerca de três dezenas de arguidos, incluindo dirigentes e árbitros, detidos em 20 de Abril de 2004, aquando da primeira fase do ‘Apito Dourado’. Pinto de Sousa, na ocasião o presidente do Conselho de Arbitragem da FPF, encabeça o lote de dirigentes federativos acusados de corrupção desportiva para eventual alteração dos resultados dos jogos da 2.ª Divisão B do campeonato da FPF.
Fora deste processo de Gondomar está o caso que envolve Pinto da Costa, presidente do FC Porto, outro dos principais arguidos desta investigação, e o ex-árbitro Jacinto Paixão. Este caso seguirá para o DIAP do Porto.
PROCESSO SAI DE GONDOMAR PARA RELAÇÃO
A acusação do ‘Apito Dourado’ foi finalizada ontem no Ministério Público de Gondomar e passou para as mãos de Alípio Ribeiro, o procurador-geral distrital do Porto e com gabinete junto da Relação. Alípio Ribeiro aguardava ontem à tarde a melhor oportunidade para trocar impressões com Souto de Moura, já que o procurador-geral da República, enquanto tal, tem a última palavra sobre o despacho, embora respeitando a autonomia do seu titular, procurador-adjunto Carlos Teixeira.
A PGR poderá ainda esta semana divulgar um comunicado sobre o processo findo do ‘Apito Dourado’, mas sem pormenores, já que continuará abrangido pelo segredo de justiça, enquanto das duas uma: se não se requerer a instrução num prazo de 20 dias ou, se esta for solicitada por um dos arguidos, enquanto essa instrução não terminar.
MAJOR NA PJ A ENTREGAR PAPÉIS
O major Valentim Loureiro deslocou-se segunda-feira à directoria da PJ do Porto, a fim de entregar a fotocópia de um processo relativo à demolição de uma casa, na freguesia de Medas, em Gondomar. De acordo com fonte ligada ao processo ‘Apito Dourado’, Valentim foi entregar os papéis ao inspector-chefe, António Gomes, às 19H00, existindo um compromisso de honra de não divulgar a deslocação, porque nada teria a ver directamente com o caso ‘Apito Dourado’, pois não estava em causa tráfico de influência ou sequer corrupção desportiva, mas a divulgação causou mal-estar junto da direcção da Polícia Judiciária do Porto, em função do compromisso assumido ao mais alto nível daquela polícia de investigação criminal. Para o major Valentim Loureiro só há uma certeza, a de que não partiu de si próprio essa fuga de informação: “Tenho certeza de que não foi António Gomes, nem o seu director, mas sei que isso partiu de alguém dentro da PJ.”
NOS BASTIDORES DO CASO 'APITO DOURADO'
PERITAGENS...
As peritagens dos jogos de futebol a cargo de três dos ex-árbitros terão custado cerca de dez mil euros, de acordo com fonte ligada ao processo.
Os três peritos são ex-internacionais, dois comentadores, dos jornais e das TV, Jorge Coroado e Vítor Pereira, além de Adelino Antunes.
3º VEREADOR
Leonel Viana, que até há três meses fez parte do Executivo de Gondomar, foi já constituído arguido e é assim o terceiro vereador acusado, a saber, além de dois actuais elementos, da inteira confiança do major Valentim Loureiro: José Luís Oliveira e Joaquim Castro Neves, que estão na sua lista.
A ACUSAÇÃO...
A dita acusação é afinal um despacho final, onde além de casos considerados crimes, com meios e provas suficientes para o julgamento, inclui muitos casos que são arquivados por não se lograr a prova mínima das suspeições iniciais, mas que contêm no entanto as histórias mais mirabolantes.
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