Noite muito complicada do Benfica, perante um adversário motivado e com enorme rigor táctico, foi resolvida pela categoria individual após a entrada de Pablo Aimar. A ‘velhice’ do agora barbudo líder do Benfica resolveu pela sabedoria o ‘jogo do Galo’ complicadíssimo que Paulo Alves montou no relvado da Luz.<br/><br/>
A pressão exercida pelo Gil Vicente manteve o Estádio da Luz em suspenso mais de uma hora, sempre com dez jogadores atrás da linha da bola mas sem deixar de ameaçar a baliza encarnada, revelando um avançado, português, com muita qualidade (Hugo Vieira).
Logo na primeira parte, o Benfica raramente conseguiu chegar à área, adiantando-se no marcador num livre de Nolito para Cardozo, cuja movimentação na área enganou uma única vez os centrais minhotos. No entanto, o Gil Vicente ainda conseguiu repor a igualdade, também na sequência de um canto, com um pontapé fulminante do brasileiro Rodrigo Galo, atirando para o segundo tempo a resolução de um problema que, embora difícil, nunca chegou a enervar Jorge Jesus nem a equipa.
No entanto, os minutos iam passando e oportunidades de golo nem vê-las. Ou melhor: houve uma flagrante, mas nos pés de Hugo Vieira, salva por Artur com uma defesa extremamente valiosa (48’). Para a derradeira meia hora, Jesus lançou Aimar, afastado há um mês, e logo as diferenças começaram a sentir-se no eixo central. Com a saída de Javi García, o Benfica subiu os 20 metros que lhe faltavam e os golos apareceram.
Dois golos em dois minutos, num golpe de sorte de Rodrigo, cujo remate de longe foi desviado por Halisson, traindo Adriano, e depois por Aimar, infiltrando-se pelo centro para aproveitar nova assistência de Nolito.
'EL MAGO' DEU ALMA NOVA A ÁGUIA EM DEPRESSÃO
Artur – Entre azares, como no desvio que permitiu a Rodrigo Galo marcar um golo monumental (40’), e sobressaltos (grande defesa a remate de Hugo Vieira 48’) que enfrentou, evitou que o Gil conseguisse a reviravolta no marcador.
Maxi – Bem tapado por Luís Manuel e Caiçara, teve poucas oportunidades de subir e o nervosismo levou-o a pecar em individualismos.
Luisão– Enfrentou muito mais dificuldades do que seria de esperar, frente à mobilidade dos avançados do Gil.
Garay – Sentiu dificuldades no regresso à competição, após paragem de duas semanas.
Emerson – Deu sinais de melhoria nas últimas exibições e ontem voltou ao papel de operário. Dele, não esperem que decida jogos.
Javi – Nunca acertou com a posição e faltou-lhe muitas vezes linhas de passe.
Witsel – O belga jogou a passo quando a equipa precisava de velocidade e condicionou toda a equipa com essa apatia. Subiu ligeiramente de rendimento na segunda parte.
Gaitán – O argentino está muito longe do jogador brilhante que é e voltou a ficar aquém das expectativas.
Nolito – Desta vez apanhou pela frente um adversário que não lhe concedeu espaços, mas voltou a ‘fabricar’ duas assistências.
Rodrigo – Golo resultou de um lance de sorte, mas se não mostrou mais foi porque passou muito tempo sem bola .
Cardozo – Estava inspirado, marcou um golo madrugador, mas também ele pagou pela apatia dos médios.
Bruno César – Entrou bem, beneficiando do facto de ter sido lançado na melhor fase do jogo da sua equipa.
Luís Martins – Sem tempo.
AIMAR – Entre a carga simbólica que a sua entrada representou e o golo que colocou a equipa a salvo de surpresas, provou ser um elemento transcendente neste Benfica.
RODRIGO QUASE IA DANDO GALO
Há muito que um adversário não causava tantas dificuldades aos encarnados, no seu reduto, como este Gil Vicente.
Os galos trouxeram a lição bem estudada, cortaram as asas à águia e não concederam espaços no miolo, jogando também sempre em antecipação. Os centrais Halisson e Cláudio foram muito ofensivos e Hugo Vieira foi outro quebra-cabeças para Artur e companhia. Rodrigo Galo marcou um grande golo num remate portentoso.
"LIGA AINDA NÃO É UMA LUTA A DOIS"
"A Liga ainda não é uma luta a dois [Benfica e FC Porto]. O Sp. Braga e o Sporting ainda têm uma palavra a dizer", disse Jorge Jesus no final da partida com o Gil Vicente.
Em relação à partida, o técnico encarnado reconheceu as dificuldades que a equipa sentiu face a um adversário "extremamente difícil". Ainda assim, Jesus disse que não faltou à equipa "intensidade e qualidade", nomeadamente nos primeiros 45’.
O treinador das águias voltou a elogiar a equipa gilista, afirmando que as dificuldades sentidas pelos seus jogadores se deveram ao "mérito do Gil Vicente e não demérito dos jogadores".
Jorge Jesus substituiu Gaitán, mas negou que o argentino esteja a atravessar um mau momento. "Esteve muito bem, mas precisávamos de outros movimentos ofensivos, por isso modificámos", observou o treinador.
BRUNO CÉSAR ERA O CONDUTOR
Bruno César era o condutor do Nissan GT-R em que o médio ofensivo dos encarnados e o seu companheiro de equipa Jardel sofreram um aparatoso acidente na noite de quinta-feira. Após ter afirmado à polícia que era ele quem estava ao volante, o vendedor do stand de automóveis proprietário do veículo alterou a sua versão e confirmou à PSP ser Bruno César o condutor. Confirma-se assim a versão que o CM defendeu desde o início e que alguns círculos desmentiam. O Nissan ficou completamente destruído, mas os jogadores saíram ilesos.
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