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Correio da Manhã

Desporto
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Vem aí uma guerra

É uma bolha que cresce. As cláusulas de rescisão, feitas para contornar a Lei Bosman, são cada vez mais altas. Em breve pode haver um estoiro
24 de Outubro de 2009 às 00:00
Hulk: cláusula de rescisão de 100 milhões de euros
Hulk: cláusula de rescisão de 100 milhões de euros FOTO: D.R.

A época 2009-10 está a ser marcada pela fixação de astronómicas cláusulas de rescisão que estão a ser incluídas nos contratos de jogadores tanto para os novos acordos como para renegociações dos já existentes. A aceitação destas cláusulas, todavia, está longe de ser pacífica  e há indícios claros de que irá gerar grandes batalhas jurídicas no futuro próximo.

Inegavelmente, a introdução de cláusulas de rescisão nos clubes de futebol teve por base contrariar a Lei Bosman, uma deliberação da União Europeia que permitiu aos futebolistas serem considerados também como trabalhadores comunitários e, por isso, com direito à livre circulação. Com a introdução desta nova lei, em vigor desde 1995,  qualquer jogador comunitário passou a poder transferir-se para outro clube da União Europeia sem que o clube comprador tivesse de pagar qualquer valor pelo seu passe. Esse novo vínculo passava a poder ser assinado seis meses antes do final  do contrato vigente. 

 

Estava escrito que os clubes não iriam esperar muito para contrariar esta lei. Assim apareceram as cláusulas de rescisão, prática que se tornou moda em três países latinos: Espanha, Itália e Portugal.

 

A existência de uma cláusula de rescisão obriga o clube comprador a negociar o preço de aquisição do jogador, e caso não haja acordo a única forma de finalizar o negócio é pagar o preço estipulado na dita cláusula. Que passou a ser cada vez maior a partir do momento em que Florentino Pérez pagou, no primeiro mandato no Real Madrid, a soma impensável (em 2000) de 60 milhões de euros para resgatar Figo ao Barça.

Em Portugal, a U. Leiria já viu o Supremo Tribunal dar razão a um jogador ( Tó Zé) que rescindiu unilateralmente em 2000, de nada valendo o argumento da cláusula. Outros processos podem seguir-se. No epicentro da polémica está também a questão de alguns jogadores da formação aos quais foram fixadas cláusulas de muitos milhões de euros e nada proporcionais aos baixos salários que recebem. Nulas, dizem alguns  juristas.

AS MAIORES CLÁUSULAS DA LIGA

 

Hulk: (Brasil ) FC Porto  (contrato até 2014) 100 Milhões euros

Cardozo: (Paraguai)  Benfica (2014) 60 Milhões euros

David Luiz: (Brasil )   Benfica (2013) 50 Milhões euros

Di María: (Argentina ) Benfica (2015) 50 Milhões euros

Makukula: (Portugal) Benfica (2012) 40 Milhões euros

Javi García: (Espanha) Benfica (2014) 30 Milhões euros

Saviola: (Argentina) Benfica ( 2012) 30 Milhões euros

Ramires: (Brasil) Benfica (2014) 30 Milhões euros

Belluschi: (Argentina) Porto (2013) 30 Milhões euros

Bruno Alves: (Portugal)  FC Porto (2012) 30 Milhões euros

Rolando: (Portugal)    FC Porto (2014) 30 Milhões euros

Maicon: (Brasil) FC Porto (2014) 30 Milhões euros

Fernando: (Brasil) FC Porto (2014) 30 Milhões euros

Raul Meireles: (Portugal) – FC Porto (2013) 30 Milhões euros

Miguel Veloso: (Portugal) – Sporting (2013) 30 Milhões euros

MIL MILHÕES POR RONALDO

 

Quando o Real Madrid contratou Cristiano Ronaldo ao Manchester United,  por 94 milhões de euros, a cláusula de rescisão foi fixada em 200 milhões de euros. Passados alguns dias, contudo, o jornal ‘Marca’ revelou ter sido fixado um novo valor, mil milhões de euros. Trata-se, claro, de um recorde do Mundo.  Até porque a verba de 200 milhões já era, também, um recorde.

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